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terça-feira, 3 de agosto de 2021

Brasileiro morto na Espanha foi espancado por seis minutos, conclui polícia

Samuel Luiz Muñiz, de 24 anos, foi brutalmente agredido em Corunha em julho. Amostras de DNA comprovam envolvimento direto de dois dos detidos pelo ataque. Crime levou milhares às ruas contra a violência homofóbica. A polícia da Espanha concluiu que o jovem de origem brasileira Samuel Luiz Muñiz, de 24 anos, que morreu espancado em Corunha, sofreu violência brutal por seis minutos. Amostras de DNA também comprovaram o envolvimento direto no crime dos dois primeiros detidos pelo ataque. As informações foram divulgadas após quebra de sigilo da investigação, nesta segunda-feira (02/08).
O crime chocou a Espanha e levou milhares de pessoas a saírem às ruas de grandes cidades do país em defesa da comunidade LGBTQ. A família e amigos de Samuel afirmam que se trata de um crime homofóbico, porque o primeiro homem que agrediu o jovem começou a discussão o chamando de "bicha". Amigas que testemunharam o ataque insistem que o crime foi de ódio, por Samuel ser gay.
O processo segue em aberto, e novas prisões não estão descartadas.
Samuel nasceu no Brasil e chegou à Espanha quando tinha 1 ano. Ele conciliava o trabalho como auxiliar de enfermagem em um lar de idosos com os estudos do curso técnico em prótese dentária.
Os ataques ocorreram próximo a uma casa noturna, na madrugada de 3 de julho. Testemunhas disseram que os suspeitos começaram a atacar Samuel, que estava em uma videochamada, por acharem que ele estava tentando filmá-los.
Os dois principais suspeitos presos são o jovem que repreendeu Samuel e um amigo dele, que se juntou ao confronto e agarrou a vítima pelas costas, derrubando-a no chão.
A namorada de um deles também chegou a ser detida, mas responde em liberdade porque não participou diretamente do espancamento, embora tenha ajudado a encobrir o crime. Outros três jovens também foram detidos, dois deles menores de idade.
Agressão em dois momentos
Mais de 40 depoimentos foram coletados e, juntamente com imagens de câmeras de segurança, análise dos celulares e do acompanhamento das redes sociais dos detidos, ficou confirmado que os agressores, que não tinham antecedentes criminais, não conheciam Samuel.
Os suspeitos, que têm entre 16 e 25 anos de idade, são amigos ou conhecidos entre si e agrediram Samuel ao longo de 150 metros, em dois momentos.
Depois de uma primeira discussão e ataque, um grupo de pessoas perseguiu o brasileiro quando ele já havia atravessado a rua e caminhava sozinho. Neste momento, ocorreram os ataques fatais.
A polícia também revelou que a autópsia não constatou que a morte foi provocada por um único golpe. Portanto, não há apenas um único autor material do assassinato.
Além disso, as investigações mostraram que, além de socos e chutes, Samuel foi agredido com uma garrafa de vidro. Testemunhas relatam que um dos agressores portava um objeto de metal, possivelmente uma navalha, mas a polícia não deu mais detalhes.
Imigrantes tentaram salvar Samuel
Entre as dezenas de testemunhas do ataque, apenas o senegalês Ibrahima Shakur, de 38 anos, e seu compatriota Magatte tentaram intervir para salvar Samuel.
A quebra de sigilo possibilitou que viesse à tona que Shakur, inclusive, recebeu contínuos golpes ao se colocar entre os agressores e a vítima. Por essa razão, a juíza do caso decidiu indiciar, também, cinco dos seis investigados por tentativa de homicídio contra Shakur.
Os dois senegaleses são imigrantes e, até o momento do crime, não tinham documentos na Europa. Eles receberam autorização de residência e de trabalho na Espanha por sua "atitude humanitária" ao tentar salvar a vida de Samuel.
le/ek (ots)cp
@caminhopolitico @cpweb

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