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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Covid-19 em Mato Grosso: o perigo diminuiu?

De acordo com o Centro de Ciências e Engenharia de Sistemas (CSSE) da Universidade Johns Hopkins o número de mortes por covid-19 em Mato Grosso, em julho de 2020, foi de 1.226 pessoas, já no mesmo mês, em 2021, esse número caiu para 732 óbitos, o que é muito bom e reflete o quanto as vacinas são literalmente vitais.
Mas essa queda no número de mortes significa que está tudo bem, que a pandemia de fato está acabando? A pergunta vem da observação de grande parte da população, que pelo seu comportamento, tem dado a entender que a pandemia não existe mais.
Muitos deixaram de usar máscara; o álcool, sempre à mão, vem desaparecendo no dia-a-dia e as festas são comuns, nem são consideradas mais clandestinas. Aos finais de semana é quase um concurso: onde tem o som mais alto? E não há nada errado com as festas, o problema é o número de participantes e a aglomeração. Continuamos oscilando entre Níveis Moderados e Altos de Risco, segundo a Secretaria de Estado de Saúde.
O objetivo aqui é refletir sobre o atual momento, comparando dados sobre a covid-19 dos meses de julho de 2020 e 2021, para analisar informações e avaliar se realmente podemos ficar mais tranquilos ou devemos estar mais alertas no decorrer dos dias que se seguem.
Então, observemos os números: em julho de 2020 o Brasil contabilizou 32.881 mortes, já no mesmo mês deste ano, 38.045 pessoas foram levadas pela doença, comparativamente, observamos um aumento de 15% nos óbitos. São mais de cinco mil famílias enlutadas além daquelas do ano passado.
Olhemos agora para o mundo, até o dia 14 de agosto haviam 206.9 milhões de casos, sendo 4.3 milhões de mortes. No Brasil atingimos 20.3 milhões de casos, sendo mais de 568 mil mortes. Por esses dados, nosso país aparece como o responsável por 9,8% dos casos de contaminados e, 14% das mortes pela doença. Num planeta com mais de 190 países monitorados, o Brasil sozinho representa quase dez por cento dos casos e pior, muitos mais em relação aos mortos!
Agora, para o número de contaminados em nosso país, comparando os meses de julho de 2020 a 2021, temos o seguinte quadro: 1.260.444 pessoas contaminadas frente há 1.360.714 em 2021. Isso mostra mais de 100 mil e duzentos casos do que o ano anterior. O que nos faz perguntar, por que muitas pessoas vivem a “melhora” da situação ou o término dela?
A vacinação teve início no país em 17 de janeiro de 2021 e com certeza, apesar da demora em começar, para poupar a vida de milhares de brasileiros e brasileiras, as vacinas têm sido um alento e uma esperança e, salvam vidas, contudo, na sua lentidão, muito mais por falta de imunizantes do que por culpa de governos estaduais ou prefeituras, a situação ainda é crítica, ainda mais quando não se comunica ou conscientiza sistematicamente a população para os cuidados e à atenção aos protocolos sanitários, sem falar nas mutações que o vírus vêm produzindo.
Em acompanhamento dos boletins epidemiológicos da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, que atualiza as informações da doença diariamente, analisamos a Nota Informativa N°145, do dia 31 de julho de 2020 - na época contendo menos dados do que o modelo atual, e analisamos o Painel Epidemiológico N°510, também do dia 31 de julho, mas de 2021.
Em julho do ano passado tivemos 52.078 casos confirmados de covid-19 e 1.842 óbitos. Até aquele momento, haviam 884 leitos pactuados de enfermaria e 369 de UTI´s. Naquela época, suas taxas de ocupação foram de 33,48% nas enfermaria e 86,34% nas UTIs, uma situação nada confortável, num mês que “estabilizou” uma média alta de casos. A Nota informou que dentre os mortos, 59.3% eram do sexo Masculino, frente aos 40.7% do sexo Feminino.
Naquele mês a faixa-etária das pessoas que perderam suas vidas para a Covid tinha maior incidência entre 61 a 70 anos, com 23.67%; seguido de 22.86% na faixa entre 71 a 80 anos e 17.92% entre os de 51 a 60 anos de idade, sendo que 72.96% deles tinham alguma comorbidade. Vemos aqui que quase metade (46,53%) dos óbitos se encontrava na faixa-etária entre 61 a 80 anos.
Agora, observemos os dados do Painel Epidemiológico 510, que traz informações do dia 31 de julho de 2021, ou seja, exato um ano transcorrido. Mato Grosso já contava 490.313 casos, sendo 12.773 óbitos. Como no ano anterior, continuam sendo os homens os mais afetados, representando 57.85% dos óbitos. Dentre as pessoas contaminadas, agora a incidência nas faixas-etárias está mais diluídas, contudo, o número mais expressivo fica na faixa entre os 21 a 50 anos, nas mulheres representando 33% dos casos e, nos homens, 29% dos casos. A faixa que vai dos 51 aos 60 anos, em ambos os sexos, registra 7% dos casos. Com a vacinação dos idosos e diminuição dos cuidados, os mais jovens passaram a ficar mais vulneráveis ao vírus.
Um dado que não era informado no ano anterior, sobre a raça dos contaminados, agora mostra que 60.91% deles são negros ou pardos e 25.35% são brancos, uma realidade observada pelo país, mostrando que a doença também segue os critérios da desigualdade, atingindo mais uma vez majoritariamente a saúde do povo negro.
O Painel informa também que o número de leitos de enfermaria pactuados subiu para 931 e o de UTI´s para 607, aqui um acréscimo de mais de 60% em novos leitos, o que é muito bom para a população. Mas quando analisamos as taxas de ocupação, em julho as enfermarias estavam com 32% e, as UTIs com 81.97% (em leito adulto), numa primeira vista parece que as taxas não oscilaram muito em comparação ao ano anterior, o que pode passar a falsa ideia de estabilidade ou mesmo de “certo controle”, mas hoje temos muito mais leitos disponíveis.
Detalhemos melhor isso: em julho de 2020 quando se fala em taxa de ocupação, isso representou 369 pessoas internadas numa UTI; já em 2021 a mesma taxa representa 587 pessoas internadas, ou seja, mesmo mantendo uma taxa de ocupação na casa dos 80% (número muito expressivo e considerado um alerta pelos epidemiologistas), o número de leitos hoje está muito maior, o que Não Representa “mesmo patamar do ano anterior”. São 218 pessoas a mais, dentro das UTIs, do que no ano passado.
Importante salientar também, que apesar da falsa ideia de que as crianças não correm perigo, nos dois boletins e mesmo período, foi informado que 4 crianças ocupavam os 15 leitos de UTIs pediátricas disponíveis pelo SUS.
Além disso, a taxa de ocupação de UTIs registrada no dia 31 de julho de 2021, em cerca de 82%, é uma média, pois, se analisarmos os vinte e três hospitais com esses leitos pactuados dentro do Estado, 8 deles estavam com 100% de ocupação, como nos municípios de Água Boa, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Cáceres, ou seja, cidades sem mais oferta de leitos de UTI pelo SUS; outros cinco hospitais estavam com as taxas de ocupação entre 80 e 90%, como a Santa Casa, na cidade de Rondonópolis.
Como a conta é matemática, de 23 hospitais listados, tirando os “totalmente ocupados” e os “quase ocupados totalmente”, sobravam 10 hospitais com leitos de UTI disponíveis, mas não nos esqueçamos que nosso estado é extenso e com 141 municípios.
Entramos em agosto e, nos seus dez primeiros dias, já somamos 10.114 pessoas contaminadas e 279 óbitos, segundo o CSSE da Universidade Johns Hopkins. Salientamos que utilizamos os dados desta instituição porque são confiáveis, transparentes e facilmente acessíveis pela internet. Também sugerimos o acompanhamento de dados pela Rede “Análise COVID-19”, disponíveis principalmente pelo Twitter, mas no Facebook e Instagram. A Rede é formada por um grupo multidisciplinar, com profissionais que monitoram e analisam dados, dão tendências e têm esclarecido à população.
Mas voltemos à sensação de “melhoria”, de “vida normal” que nos chamou à reflexão, os dados mostram que ela é uma ilusão, apesar da queda no número de óbitos. A abertura de comércios e serviços, bares e restaurantes, principalmente, sem o devido cuidado, com o abandono dos protocolos de segurança, aliada à abertura das escolas, é uma falta de responsabilidade por parte do poder público e da sociedade. Vemos comportamentos de risco mesmo em famílias que passaram pela Covid, a doença continua ai e apesar do cansaço, é preciso atender aos protocolos e evitar sua propagação.
Somam-se a isso a chegada da variante Delta, que já é comprovadamente mais transmissível e foi detectada em vários estados brasileiros. A maior transmissibilidade ainda não indicou maior letalidade, contudo, com o aumento de casos e, consequentes hospitalizações, mais uma vez o sistema de saúde será comprometido e ineficiente para atender a todas as doenças, não só a Covid-19, podendo levar os casos urgentes a óbito, já que acabam os leitos e há um limite na capacidade de resposta das equipes.
Estamos mais uma vez desperdiçando a chance de nos preparar, de aprender com os países que sofrem os reflexos desta nova variante, muitos deles com a vacinação muito mais adiantada que a nossa (contamos com pouco mais de 23% do total da população imunizada). Países como os Estados Unidos ou Reino Unido estão revendo suas flexibilizações e voltam a se retrair.
A Covid-19 é uma doença da coletividade, não adianta um se vacinar e os outros não; um se cuidar e o restante se aglomerar, isso é um desrespeito com a sociedade, é falta de empatia, é puro egoísmo. Quem pode mais, tem o dever de se cuidar melhor de si e do próximo. Não ficaremos livres da doença e de suas mazelas sem a colaboração de todos - governos, setor privado e a população em geral.
Luciana Oliveira Pereira é jornalista em Cuiabá

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