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domingo, 8 de agosto de 2021

Tecnologias que tornam os Jogos Olímpicos mais justos

Em modalidades como natação e atletismo, "touchpads", sensores e até câmera que tira 10 mil fotos por segundo ajudam a monitorar o desempenho dos atletas e os juízes a decidirem quem vai para o pódio. São os últimos cinco metros: entre respingos de água e cabeças de nadadores que mergulham para dentro e fora da água, quase não é possível ver as mãos dos atletas. Quem chegou em primeiro? Logo depois, nadadores, treinadores e jornalistas olham para o placar como se estivessem enfeitiçados após a final dos 100 metros livres masculinos: 47,02 segundos. Caeleb Dressel, dos EUA, é o campeão olímpico de Tóquio 2020 – seis centésimos de segundo mais rápido do que o australiano Kyle Chalmers.
A decisão de quem foi o vencedor não pode ser tomada a olho nu – e sem a ajuda da tecnologia. "Não podemos cometer erros. Temos uma responsabilidade especial", diz Alain Zobrist, chefe da Swiss Timing, empresa responsável pela cronometragem desde os Jogos Olímpicos de 1932, em Los Angeles. "Afinal, não se pode pedir aos atletas que repitam a disputa".
Como se mede o tempo nos esportes?
Na natação, há touchpads (almofadas de toque) colocadas na borda da piscina desde 1968. Os nadadores o tocam ao alcançar a chegada, parando assim, eles mesmos, a cronometragem de seu tempo. "Essa técnica, que agora também é utilizada na escalada esportiva, foi melhorada ao longo dos anos, mas ainda se baseia no mesmo princípio", explica Zobrist.
Parece curioso que seis centésimos de segundo decidam sobre medalhas, participação em próximas rodadas ou desclassificações. Em 1972, por exemplo, o americano Tim McKee perdeu para o sueco Gunnar Larsson na final dos 400 metros medley por dois milésimos de segundo, o equivalente a dois milímetros na piscina.
"Poderíamos medir até o milionésimo de segundo. No entanto, os dispositivos são calibrados de acordo com as regras de cada associação esportiva", acrescenta Zobrist. Na época, a Federação Internacional de Natação (FINA) decidiu que apenas os centésimos de segundo deveriam ser medidos.
Isso causou um fato curioso nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016: um empate triplo na segunda colocação entre os nadadores Michael Phelps, Chad Le Clos e Laszlo Cseh, após marcarem o mesmo tempo na final dos 100 metros borboleta. Nas modalidades de maior velocidade – no ciclismo, por exemplo –, a regra é que o tempo dos atletas seja exibido com três dígitos após a vírgula decimal.
Como funciona o photo finish?
Além da cronometragem do tempo, a tecnologia photo finish registra quão próximas estiveram a vitória e a derrota, e às vezes pode dar até uma resposta ainda melhor.
Na modalidade corrida de estrada dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o vencedor pôde ser claramente identificado. Mas quem ficou com o segundo lugar, o belga Wout van Aert ou o duas vezes vencedor do Tour de France Tadej Pogacar, da Eslovênia? A tecnologia photo finish fez o tira-teima e mostrou que o belga deveria ganhar a medalha de prata.
A câmera que faz o photo finish tira 10 mil fotos por segundo dos primeiros cinco milímetros da linha de chegada. Depois, as fotografias são sobrepostas para criar a imagem tira-teima que se costuma ver na televisão.
"Os tempos e as imagens da linha de chegada estão quase sempre disponíveis após 15 segundos, no máximo”, conta Zobrist. No entanto, eles são sempre verificados e aprovados pelos árbitros oficiais.
Quando uma largada é queimada?
O progresso na tecnologia de sensores levou a mais justiça no esporte. No passado, os corredores mais próximos do juiz eram favorecidos, pois ouviam um pouco mais cedo o tiro de espoleta que dava início à corrida.
Mas, hoje, a pistola do árbitro está conectada eletronicamente a alto-falantes posicionados diretamente atrás de cada bloco de partida, e o som chega simultaneamente a todos os participantes.
A maioria dos atletas aprecia as conquistas técnicas, pois elas garantem resultados objetivos e justos. Mas, por outro lado, alguns corredores têm problemas com o desenvolvimento dos novos blocos de partida onde estão instalados sensores nos apoios dos pés, para medir o tempo de reação dos corredores.
Zobrist explica: "Quem largar mais rápido do que um décimo de segundo após o tiro é desclassificado", pois é fisicamente impossível reagir tão rápido a um som. Isso acontece com bastante frequência no atletismo: por exemplo, na final dos 100 metros rasos masculinos, que o britânico Zharnel Hughes queimou a largada e teve que abandonar prematuramente a prova.
Há um total de 350 placares nos Jogos de Tóquio, e 200 quilômetros de cabos foram instalados. Todo esse equipamento pesa 400 toneladas. Além da parafernália técnica, 530 cronometristas profissionais e 900 voluntários garantem que tudo corra bem.
O que define os Jogos Olímpicos, porém, são acima de tudo as histórias pessoais, o espírito de luta dos atletas e suas emoções inesquecíveis – e a tecnologia não pode oferecer nada disso, apenas os atletas.
Sarah Wiertz/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

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