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domingo, 1 de agosto de 2021

Trabalho aumenta, saúde mental fica prejudicada: o ano dos comunicadores na pandemia

O estudo 'Como trabalham os comunicadores no contexto da pandemia da covid-19', divulgado pelo Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPTC), da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP, revelou que comunicadores de todo o país tiveram um aumento de jornada, despesas e ritmo de trabalho durante a pandemia.
O impacto na saúde preocupa os profissionais do setor para além da contaminação pelo vírus. "Estar saudável não implicou apenas em não adoecer pela covid-19, mas em não sucumbir diante de problemas materiais, físicos, emocionais e sociais desencadeados pelas novas condições de vida e trabalho instauradas em 2021", diz o relatório. Foram coletadas 1.018 respostas, e 994 delas foram validadas, nos 26 estados e no Distrito Federal. Outros dois comunicadores que vivem na Holanda e México.
Para 61% deles, as despesas aumentaram, sendo os principais gastos com energia elétrica, alimentação e internet. E não foram só os gastos que aumentaram: como era de se esperar, o aumento da jornada e o ritmo de trabalho também foram maiores em relação ao período anterior à pandemia.
Mesmo com o desenvolvimento de aplicativos exclusivos para comunicação corporativa, o WhatsApp ainda figura como uma das ferramentas mais usadas para comunicação, ao lado do e-mail, o que também preocupa especialistas.
"Os comunicadores brasileiros vivem, no contexto da pandemia, a radicalização de
transformações produtivas que já se insinuam no horizonte do trabalho desde o final dos anos de 1990 encontram, agora, condições para se instaurar com mais ênfase às custas do tempo de vida e até mesmo da saúde emocional dos trabalhadores", afirma o texto.
"O trabalho remoto e a dependência
das plataformas digitais para a realização das atividades de trabalho são duas mudanças que ganharam fôlego nos anos de 2020 e 2021. O WhatsApp e o email são ferramentas de trabalho que extrapolam o tempo/espaço regulado pelas leis trabalhistas e invadem a vida e a casa de
todos."
Para mulheres - 59% dos respondentes da pesquisa - o trabalho remoto trouxe uma preocupação extra, a conciliação das demandas profissionais e domésticas. Ao todo, 68% dos entrevistados atuaram no sistema home office - 257 ganham entre 2 e quatro salários mínimos (entre R$ 2.200 e R$ 4.400), e a grande maioria (894) exerce trabalho remunerado.
"O alerta que os resultados da pesquisa sinalizam demanda organização coletiva dos
trabalhadores da comunicação. O aumento da jornada de trabalho, a intensificação do ritmo das atividades, o aumento dos custos pessoais e familiares para a realização do trabalho, os adoecimentos advindos do estresse, do medo, dos constrangimentos sofridos no âmbito das relações de trabalho exigem uma mudança de mentalidade de gestores e de trabalhadores", orienta o relatório.
Assessoria/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

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