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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Bolsonaro se encontra com líder da extrema direita italiana

Presidente se reuniu com Matteo Salvini, ex-ministro conhecido pela xenofobia, em monumento que homenageia pracinhas brasileiros mortos na Segunda Guerra. Evento foi evitado por políticos moderados da região. Em seu último compromisso antes de voltar ao Brasil, o presidente Jair Bolsonaro participou nesta terça-feira (02/11) de uma cerimônia em Pistoia, no norte da Itália, ao lado do político italiano de extrema direita Matteo Salvini, líder do partido xenófobo Liga Norte e um dos raros políticos do país europeu que não se incomoda em se associar ao líder brasileiro.
Os dois se encontraram em frente a um monumento que homenageia os cerca de 500 soldados brasileiros que morreram no combate ao nazifascismo durante a Segunda Guerra Mundial. O local ainda abriga um túmulo do soldado desconhecido, um "pracinha" brasileiro que nunca foi identificado.
O evento não contou com a participação de políticos da região, como o prefeito de Pistoia ou o governador da Toscana. O bispo local, Fausto Tardelli, que normalmente conduz orações durante cerimônias no monumento, também não compareceu alegando ser "abertamente contrário à instrumentalização da celebração". Um padre acabou liderando as preces em seu lugar.
Bolsonaro deixou uma coroa de flores no monumento e disse que estava "honrado" de visitar a "terra dos seus antepassados".
Em um discurso, o presidente mencionou a participação brasileira no conflito e afirmou: "Ouso dizer que, mais importante que a vida, é a nossa liberdade" – uma frase que ele vem usando regularmente para justificar muitas das medidas negacionistas da pandemia, como a oposição à adoção de passaportes sanitários ou obrigatoriedade da vacina.
Salvini pede desculpa por atos anti-Bolsonaro
Ao falar com jornalistas, o italiano Salvini pediu "desculpas" pelos protestos contra a visita de Bolsonaro ao país.
Na segunda-feira, Bolsonaro foi alvo de centenas de manifestantes no vilarejo de Anguillara Veneta, que protestaram contra a concessão pela prefeitura local – chefiada por uma política do partido de Salvini – de um título de cidadão honorário ao chefe de Estado brasileiro. O protesto foi reprimido pela polícia, que usou cassetetes e jatos d'água contra os manifestantes. O vilarejo de 4 mil habitantes é a terra natal de Vittorio Bolzonaro, bisavô do presidente brasileiro.
No mesmo dia, em visita à basílica de Santo Antônio, em Pádua, Bolsonaro também não foi recebido por nenhuma das autoridades católicas locais. A diocese local também criticou a homenagem do vilarejo Anguillara Veneta a Bolsonaro.
"Peço desculpas ao povo brasileiro, representado pelo seu presidente da República, pelas incríveis polêmicas, inclusive, na comemoração dos caídos que perderam a vida em nosso país para libertá-lo da ocupação nazista", disse Salvini, que foi ministro do Interior da Itália entre 2018 e 2019.
Acusado de "normalizar o fascismo"
Salvini ainda afirmou que "a polêmica política não é possível quando se trata de homenagear os caídos para nos brindar com liberdade".
A declaração não passou despercebida pela imprensa italiana, que lembrou que Salvini boicotou, à época em que era ministro, uma cerimônia para celebrar os 74 anos da libertação da Itália das forças nazistas e fascistas. Á época, Salvini menosprezou a data, falando que ela não passava de um "dérbi entre fascistas e comunistas". À época, a imprensa e intelectuais acusaram Salvini de "normalizar o fascismo".
Em agosto, o subsecretário de Economia da Itália filiado à Liga, o partido de Salvini, renunciou após sugerir que um parque de sua cidade natal fosse renomeado em homenagem ao irmão do ditador fascista Benito Mussolini. A sugestão provocou uma onda de críticas.
Atualmente, Salvini responde a uma ação judicial por ter impedido – na época em que ocupou o cargo de ministro do Interior – o desembarque de um navio com mais de 140 migrantes resgatados no Mar Mediterrâneo por uma ONG.
Conhecido por suas posições xenófobas, Salvini já se referiu várias vezes a Jair Bolsonaro como "o meu amigo brasileiro". Ele também tem relações com Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e já participou de lives com o deputado brasileiro. Salvini também já defendeu publicamente a forma como Jair Bolsonaro lidou com a pandemia, que deixou até o momento mais de 600 mil mortos no Brasil.
Questionado nesta terça-feira sobre a atuação de Bolsonaro na crise sanitária e as acusações de crimes contra a humanidade que foram imputadas ao presidente pela CPI da Pandemia, o líder da Liga Norte afirmou que "a história" deve julgar o assunto.
Bolsonaro foi à Itália na semana passada para participar da cúpula do G20. Em contraste com outros líderes, sua agenda foi bastante vazia. Ele protagonizou poucos encontros bilaterais. Imagens de Bolsonaro sozinho e isolado durante o encontro também chamaram a atenção. Sem muitos compromissos, Bolsonaro gastou parte do seu tempo com passeios em Roma e encontros com apoiadores.
jps/ek (DW, Efe, ots)cp
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