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sábado, 25 de dezembro de 2021

O jogo da salvação. Artigo de Raniero La Valle

O que aconteceu com a salvação da humanidade? Existe uma salvação que podemos esperar e na qual podemos ter esperança?
Eis o texto.: Antes do Natal, foram divulgados alguns dados sobre a tragédia humana em curso hoje no mundo. Acima de tudo, os dados sobre a pandemia: no debate público, alguns falam de resquícios da sua impetuosidade, mas ela parece bem longe do fim. Ela pressiona a Europa, enquanto o renomado virologista estadunidense, conselheiro de Biden para a saúde, Antony Fauci, diz que o fim da crise global ainda está longe. A variante Ômicron está se difundindo com extraordinária rapidez na África do Sul e criou raízes em 40 nações, além de 15 Estados estadunidenses, onde foram registrados nos últimos dias 800.000 mortes e 50 milhões de casos. A ciência nos deu as vacinas, mas decepciona as esperanças na solução para a crise.
Também não existem apenas as doenças. Somando dor sobre dor, as Nações Unidas contaram no ano passado 281 milhões de migrantes internacionais. Em 2019, havia 4,4 milhões de requerentes de asilo e 21 milhões de refugiados. As migrações que antes se limitavam a alguns países e a algumas categorias de pessoas que tinham a possibilidade de emigrar hoje dizem respeito a quase todos os países e faixas de renda mais baixas. A FAO diz que 811 milhões são aqueles que lutam contra a fome todos os dias.
Enquanto isso, rios de dinheiro correm para as armas. De acordo com dados citados por 50 prêmios Nobel da Paz, que pediram aos governos uma redução dos gastos militares em 2% ao ano durante cinco anos, essas despesas chegaram a dois trilhões de dólares [11 trilhões de reais] por ano.
O cruzamento desses dados com a recorrência do Natal sugere uma interrogação que hoje caiu no silêncio, mas que, até o advento da modernidade, havia percorrido toda a história humana, pelo menos nesta parte do mundo: o que aconteceu com a salvação da humanidade? Existe uma salvação que podemos esperar e na qual podemos ter esperança?
Ao longo do tempo, sucederam-se a essa pergunta as respostas das fés religiosas, a judaica, a cristã, a islâmica. No século passado, um grande filósofo, Heidegger, diante do domínio absoluto da técnica, também se perguntava se, agora, somente um Deus poderia nos salvar.
Hoje, os céus parecem fechados, mas Prometeu também parece ter feito a sua corrida. As respostas que eram esperadas da razão, do Estado, da ciência, do dinheiro mostraram a sua falácia, revelaram os seus limites.
Naturalmente, a história não acabou, e todas as pistas permanecem abertas; mas então seria preciso mais determinação na busca das soluções parciais, das salvações mesmo que circunscritas, embora esperadas, algo sobre o qual as crenças também deveriam estar de acordo. Entre estas, as mais urgentes parecem ser hoje as relativas à pandemia, e isso por duas razões.
A primeira é que, mais do que qualquer outro desastre, ela evidencia as contradições do sistema, fragmentado e selvagem como é, e a necessidade de uma gestão diferente da convivência. A segunda é que, ao impor a separação e a distância entre as pessoas como seu remédio peculiar, ela representa a máxima negação da comunhão necessária ao humano.
Por isso, consideramos mais do que nunca necessário buscar a solução de um constitucionalismo mundial que afirme a universalidade dos direitos e fundos políticos que garantam o seu cumprimento para todos, na progressiva construção da casa comum.
Uma difusão universal das vacinas, até a sua obrigatoriedade para todos, deveria ser um dos seus primeiros objetivos, e a reivindicação da propriedade intelectual das vacinas pelas empresas farmacêuticas não poderia ser um obstáculo para isso, nem a recusa de quem não quer se vacinar (na Itália, oito milhões; nos Estados Unidos, mais de um quarto da população), coisas que, segundo esse paradigma, também podem reivindicar uma tutela constitucional, mas que não deveriam ter uma proteção superior ou igual à do bem e do direito universal à saúde e à vida.
Utopia e irrealismo? Não, um constitucionalismo para além do Estado, dotado de garantias internacionalmente estabelecidas, como diz Luigi Ferrajoli (“La costruzione della democrazia” [A construção da democracia], Ed. Laterza, 2021), é antes a única resposta racional e realista a essa e a outras emergências planetárias.
A opinião é de Raniero La Valle, jornalista e ex-senador italiano, em artigo publicado por Chiesa di Tutti, Chiesa dei Poveri e Caminho Político. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Edição: Régis Oliveira @caminhopolitico @cpweb

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