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quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

O que é preciso saber sobre a vacinação infantil anticovid

Anvisa aprovou imunizante da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos, e Saúde afirmou que doses chegam na segunda quinzena de janeiro. Entenda como ocorre a vacinação de pequenos pelo mundo e o que dizem os órgãos e estudos. A vacinação de crianças entre 5 e 11 anos de idade com o imunizante da Pfizer-BioNTech contra a covid-19 foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no último dia 16 de dezembro. Nesta segunda-feira (03/01), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que doses pediátricas da vacina devem começar a chegar ao Brasil na segunda quinzena de janeiro.
Segundo nota divulgada pela Anvisa, a vacina é segura e eficaz para o público infantil e a aprovação da imunização de crianças entre 5 e 11 anos se deu com base em "uma análise técnica criteriosa de dados e estudos clínicos conduzidos pelo laboratório".
Uma consulta pública realizada pelo Ministério da Saúde mostrou que a maioria das pessoas consultadas se manifestou contrária à exigência de prescrição médica para a imunização de crianças nessa faixa etária – algo que vinha sendo defendido pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e também pelo presidente Jair Bolsonaro. A consulta também revelou que a maioria é contra a obrigatoriedade da vacinação e a favor da priorização das crianças com comorbidade.
O resultado foi divulgado nesta terça-feira durante uma audiência pública promovida pelo Ministério da Saúde para discutir a vacinação de crianças com idades entre 5 e 11 anos, que foi defendida na ocasião por associações médicas e científicas, como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
À DW Brasil, o coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da SBI, Marcelo Otsuka, apontou que o imunizante já foi aplicado em milhares de crianças pequenas em países que têm um rígido controle de avaliação de segurança de medicamentos, como o Reino Unido.
"Esta é uma vacina que já está em uso em crianças em outros países e que já observamos resultados positivos em relação à proteção contra o vírus e segurança. É uma vacina que nos dá um background importante", diz Otsuka.
Em outubro, a vacina da Pfizer foi aprovada para uso em crianças a partir de 5 anos nos Estados Unidos. Em novembro, foi a vez de Canadá, Israel e União Europeia darem o aval.
"Não podemos esquecer que 2,5 mil crianças já morreram de covid-19 no Brasil. Também precisamos protegê-las da infecção", orienta o infectologista.
A Anvisa registrou o uso do imunizante em adultos no Brasil em 23 de fevereiro. Já em adolescentes de 12 a 16 anos de idade ele é aplicado desde junho.
O que dizem os dados sobre aplicação em crianças?
Em setembro, a Pfizer informou que a vacina é segura e induz resposta imune em crianças com idades entre 5 e 12 anos. Os estudos foram conduzidos em mais de 4 mil crianças dos EUA, Espanha, Finlândia e Polônia.
Em outubro, o laboratório publicou novos dados, dessa vez mostrando que a vacina se mostrou 90,7% eficaz na prevenção da covid-19 em voluntários dessa faixa etária.
"A vacina da Pfizer passou por todas as fases obrigatórias dos testes em crianças pequenas, ou seja, passou pelas fases 1, 2 e 3, assim como aconteceu nos testes com os adultos", explica Otsuka.
A vacina infantil é a mesma aplicada em adultos?
A Anvisa informa que a vacina da Pfizer para crianças tem dosagem e composição diferentes das utilizadas para os maiores de 12 anos, sendo duas doses de 0,2 ml (equivalente a 10 microgramas), com intervalo de 21 dias.
"A dose utilizada em crianças de 5 a 12 anos é apenas um terço da usada em adultos", explica Otsuka.
Para diferenciar os frascos que devem ser aplicados em adultos e crianças, a dose da vacina pediátrica virá em um frasco com a tampa alaranjada, enquanto a dose dos adolescentes tem a tampa na cor roxa.
O site da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, esclarece que a dosagem da vacina da Pfizer é baseada na idade da criança, e não no peso, e indica o seguinte esquema vacinal com o imunizante:
Crianças de 5 a 11 anos: devem receber a vacina pediátrica, com a dose de 10 microgramas;
Adolescentes com 12 anos ou mais: podem receber a vacina para adultos, com a dose de 30 microgramas;
Pessoas com 16 ou 17 anos: já podem receber a dose de reforço.
De acordo com Otsuka, crianças que já tiveram covid-19 também devem tomar a vacina.
No que diz respeito à dose de reforço, o especialista explica que ainda não é possível afirmar se o público infantil precisará da terceira dose, como a população adulta, já que a "resposta imunológica das crianças é superior à dos adultos".
Existem efeitos colaterais?
Segundo a Anvisa, há efeitos colaterais, mas eles são raros e, no geral, semelhantes aos observados em pessoas de 16 a 25 anos, como dor na região da aplicação, febre e breve mal-estar. Em casos extremos, em adolescentes a partir dos 12 anos foram observados casos de miocardite.
O órgão regulador de medicamentos dos EUA, a FDA, publicou em outubro que "os efeitos colaterais são sinais normais de que seu corpo está construindo proteção e podem afetar a capacidade de seu filho de realizar atividades diárias, mas devem desaparecer em alguns dias".
Crianças podem tomar o imunizante com outras vacinas?
A Anvisa recomenda um intervalo de 15 dias entre o imunizante contra a covid-19 da Pfizer e as demais vacinas do calendário infantil, como a vacina da gripe.
Quando começa a vacinação no Brasil?
Ao afirmar nesta segunda que as doses pediátricas começarão a chegar ao Brasil na segunda quinzena de janeiro e serão então distribuídas, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, não detalhou a quantidade e nem especificou uma data para o início da imunização.
Após a aprovação pela Anvisa, o Ministério da Saúde decidiu incluir as crianças no Programa Nacional de Imunização e liberar a vacinação daquelas que apresentarem prescrição médica para isso. Mas pelo menos 20 estados, além do Distrito Federal, já adiantaram que não irão seguir a recomendação da pasta.
Em meados de dezembro, logo após o aval da Anvisa, a DW Brasil questionou o Ministério da Saúde sobre quando seria adquirida a versão pediátrica da vacina da Pfizer, quantas doses seriam compradas e quando começariam a ser distribuídas pelo Plano Nacional de Vacinação, mas o ministério não retornou o contato.
A pasta também não esclareceu como deverá ser a campanha de vacinação para essa faixa etária, como, por exemplo, se a aplicação será escalonada, começando pelas crianças maiores, ou se será feita atendendo todos a partir dos 5 anos de uma só vez.
O que diz a OMS
Em outubro de 2021, o Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que, para todas as faixas etárias, os benefícios das vacinas de mRNA (como as produzidas pela Moderna e Pfizer) superam os riscos, reduzindo hospitalizações e mortes pela covid-19.
Em 24 de novembro, a OMS publicou um documento orientando a vacinação de crianças.
"Existem benefícios em vacinar crianças e adolescentes que vão além do direito à saúde. A vacinação diminui a transmissão de covid nessa faixa etária e pode reduzir a transmissão de crianças e adolescentes para adultos mais velhos, o que pode ajudar a reduzir a necessidade de medidas de mitigação nas escolas", diz o documento.
O que dizem outros órgãos internacionais de saúde
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) orienta que crianças entre 5 e 11 anos sejam vacinadas com a vacina da Pfizer.
"Existem aproximadamente 28 milhões de crianças entre 5 e 11 anos nos Estados Unidos, e houve quase 2 milhões de casos de covid-19 nessa faixa etária durante a pandemia", esclarece uma nota do CDC sobre a importância de vacinar as crianças. Segundo o órgão, a covid-19 é uma das dez principais causas de morte de crianças nessa faixa etária.
A Universidade Johns Hopkins publicou uma nota logo após a aprovação do órgão americano, em outubro, afirmando que "incentiva todas as famílias com crianças elegíveis a receberem a vacina".
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) publicou, no momento da aprovação do imunizante para o público infantil, que os "benefícios superam os riscos, especialmente em crianças com condições que aumentam o risco de covid-19 grave".
Laís Modelli/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

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