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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Coordenador da Câmara Especializada de Geo Minas e Industrial destaca livro sobre Chapada dos Guimarães

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), entrevistou no mês de fevereiro o coordenador da Câmara Especializada de Geo, Minas e Industrial (CGMI), conselheiro, geólogo Caiubi Emanuel Souza Kuhn, para destacar sobre o livro “Geoparque Chapada dos Guimarães”. O projeto surgiu como uma iniciativa de popularizar o conhecimento produzido por geólogos, geógrafos, turismólogos e de outros profissionais, visando levar essa informação de forma sistematizada para profissionais do turismo, comunidades locais, estudantes, pesquisadores e profissionais, para desta forma contribuir para o entendimento dos processos geológicos e geomorfológicos que culminaram na formação do planeta, e fomentar o desenvolvimento sustentável através do geoturismo e ações pedagógicas.
Crea-MT- Quem são os organizadores do livro, quais instituições e pesquisadores?
Caiubi- O livro foi organizado por mim e pela professora Dr. Flávia Santos da UFMT. Os capítulos apresentam o resultado de trabalhos realizados por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) entre outras instituições. A pesquisa que deu origem ao livro foi resultado de uma emenda parlamentar, que foi executada por meio de um convenio entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) através da Fundação Uniselva.
Crea-MT- Qual principal objetivo do Livro?
Caiubi- O principal objetivo do livro é apresentar em linguagem fácil e acessível as características do município de Chapada dos Guimarães, que gabaritam esse território a desenvolver esforços para quem sabe, em breve ser reconhecido pelo UNESCO. No livro são encontradas muitas informações sobre as rochas de Chapada dos Guimarães, as paisagens, o turismo, os fósseis, cavernas, sítios arqueológicos, cachoeiras, mirantes e entre muitas outras curiosidades.
Crea-MT- Explique mais sobre o que são geoparques?
Caiubi- Os geoparques não são unidades de conservação, como o Parque Nacional. Os geoparques são um conceito crescente no mundo, onde um território em que exista uma geologia ou geomorfologia excepcional, desenvolve uma gestão focada para geodiversidade, educação e geoturismo. Os geoparques surgem e trabalham junto com a sinergia que surge de sua gente, e a estratégia criada para o território tem uma visão focada no desenvolvimento social e econômico, em conjunto com a correta gestão e preservação dos elementos da natureza que ajudam que são importantes para se contar a história do planeta.
Crea-MT- E qual história pode ser contada nas paisagens e rochas de Geoparque Chapada dos Guimarães?
Caiubi- A região de Chapada dos Guimarães conta uma história geológica muito rica e com uma evolução da paisagem fantástica. As rochas que são encontradas no município ajudam a contam a história muito longa. Imagine que a quase 1 bilhão de anos, nesta época não existia a América do Sul ou outros continentes como conhecemos. A área que hoje é o Brasil era fragmentada em vários continentes diferentes, e um deles, era um grande continente que corresponde a parte da região centro oeste e quase toda região norte. A região que está Chapada, Cuiabá e boa parte da região Sul do estado, era o litoral de deste um antigo continente. Como você e o leitor sabem, no nosso mundo existem placas tectônicas, que se movimentam, e de tempos em tempos, se juntam em um supercontinente e depois se fragmentam de novo. Pois bem, esse oceano começou a se fechar e formar uma cordilheira parecida com a dos Andes. Há pouco mais de 500 milhões de anos o oceano se fechou completamente e nossa região deveria ser parecida com a cordilheira do Himalaia na Ásia. Mas claro esse é só o começo da história. Depois disso, após dezenas de milhões de anos onde ocorreu intensos processos erosivos, recobriu novamente essa região. As rochas que estão na região da Caverna Aroe Jari ajudam a contar esse momento. O mar recuou e voltou alguns milhões de anos e ficou por bastante tempo, durante um período que Chamamos de Devoniano, entre 416 e 359 milhões de anos, nesta época foram formadas as rochas que guardam fósseis das famosas cochinhas de Chapada. Esses invertebrados marinhos viviam no fundo deste oceano antigo. Em Chapada ainda encontramos o registro de um grande deserto, parecido com o Saara. Esse deserto se estendia por boa parte do Brasil e Chegava até outros países da América do Sul.
As rochas formadas com as areias deste deserto guardam hoje dentro delas o Aquifero Guarani. E ainda tem mais. Há 84 milhões de anos tivemos também na área do município um vulcanismo. Um pouquinho depois dele, as rochas que se formaram guardam nelas fósseis dos famosos dinossauros. Inclusive em Chapada dos Guimarães foi encontrada um dos maiores carnívoros que já viveram no planeta, o Pycnonemosaurus, mas lá também existem registros de outros animais que viveram na Era Mesozoica. A última unidade geológica que existe em Chapada foi formada já durante a era cenozoica, e nela são encontrados os valiosos diamantes. Essa diversidade geológica descrita acima, foi modelada pela ação das chuvas entre outros agentes, resultando em belos mirantes, cachoeiras e entro outros elementos da paisagem que encantam a todos.
Crea-MT- Como essa riqueza natural pode ser utilizada? Qual a importância deste livro e deste projeto para Chapada dos Guimarães?
Caiubi- Essa riqueza toda pode ser utilizada de muitas formas diferentes. Se por um lado os recursos naturais são fundamentais para o desenvolvimento social e econômico, por outro as rochas também contam a história do planeta, ajudam a fortalecer a educação, a gerar renda por meio do turismo. O desenvolvimento sustentável é um tópico central de um projeto de geoparque, creio que o livro e o projeto ajudam a fomentar o debate sobre geodiversidade, geoturismo e sobre a importância das rochas e de outros elementos naturais para educação. No livro existe muitas informações sobre o município, sobre o turismo, sobre a geologia, geomorfologia, solos, paleontologia, arqueologia, cavernas e muito mais. Por isso acredito que o material produzido será uma referência no município em termos de fomento ao turismo e educação.
Crea-MT- O sistema CONFEA/CREA contribuiu para viabilizar o livro?
Caiubi– Sim, a Associação Profissional dos Geólogos do Estado de Mato Grosso (AGEMAT), foi contemplada nos editais de patrocínio do CONFEA e do CREA. Os recursos ajudaram a tornar a obra possível. Com certeza essa é uma ação muito importante do conselho, para divulgar as profissões do sistema e as áreas de atuação dos profissionais. Além disso, ajuda na popularização da ciência e no fomento a educação.
Crea-MT- E como o livro está sendo distribuído? Está disponível on-line?
Caiubi- Parte dos livros será distribuído gratuitamente para escolas de Chapada dos Guimarães, para o IFMT, UFMT e para guias de turismo locais. O livro também está disponível para venda em alguns pontos no município de Chapada dos Guimarães. Já o PDF pode ser baixado gratuitamente no site da Federação Brasileira de Geólogos, pelo link: https://www.febrageo.org.br/downloads/livro_chapada_guimaraes.pdf
Assessoria/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

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