Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Av. André Maggi nº 6, Centro Político Administrativo

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
X SIMPÓSIO SOBRE DISLEXIA DE MATO GROSSO “TRANSTORNOS DO NEURODESENVOLVIMENTO”

domingo, 9 de outubro de 2022

O que é o PL, partido de Bolsonaro e da maior bancada eleita Bruno Lupion

Legenda foi criada em 1985 para abrigar ex-apoiadores da ditadura e ajudou a eleger evangélicos para o Congresso. Por pragmatismo, apoiou todos os presidentes, mas filiação de Bolsonaro a deixou mais "ideológica". O Partido Liberal (PL) será a partir de janeiro uma das legendas com mais poder na Praça dos Três Poderes, em Brasília: terá a maior bancada na Câmara, a maior bancada do Senado e, se Jair Bolsonaro for reeleito, o comando da Presidência da República. Um feito para um partido cujo presidente, Valdemar Costa Neto, havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumprido pena por corrupção poucos anos atrás.
A filiação de Bolsonaro à legenda, em novembro de 2021, contribuiu para o fenômeno, mas não o explica inteiramente. Ao contrário do Partido Social Liberal (PSL), que era nanico antes da filiação de Bolsonaro em 2018, o PL tem uma história consolidada de atuação no Congresso e de organização do Centrão.
A legenda foi fundada em 1985, durante a redemocratização, para abrigar políticos de direita que haviam dado sustentação ao regime militar. Mas, desde o início, mostrou flexibilidade e pragmatismo para apoiar diferentes governos: esteve na base por determinados períodos de todos os presidentes da Nova República e era a legenda de José Alencar, vice-presidente nos governos do petista Luiz Inácio Lula da Silva.
A liderança de Valdemar
O PL é comandado desde 2000 com mão de ferro por Valdemar, numa modalidade conhecida como partido de pasta: os diretórios estaduais e municipais da legenda são em sua grande maioria órgãos provisórios, o que permite que o diretório nacional os dissolva facilmente em caso de divergência.
Valdemar foi um dos artífices da filiação de José Alencar para a vice-presidência de Lula, que simbolizou a aliança entre capital e trabalho da candidatura vitoriosa do petista. No embalo daquela campanha, o PL mais que dobrou sua bancada na Câmara, para 26 deputados.
Em 2005, o PL e Valdemar foram alvo das acusações de Roberto Jefferson, presidente do PTB, de que o governo Lula estava pagando a deputados em troca de apoio ao governo, o escândalo do mensalão. Valdemar renunciou ao mandato de deputado naquele ano para evitar ser cassado.
Depois, foi denunciado e condenado em 2012 pelo STF a sete anos e dez meses de prisão, quando novamente renunciou ao mandato de deputado. Ele cumpriu pena de 11 meses em regime semiaberto e um ano e meio em regime aberto, e teve a punibilidade extinta em 2016.
Devido ao desgaste provocado pelo escândalo do mensalão, Valdemar mudou o nome da legenda em 2006, para Partido Republicano (PR), mas retomou a denominação original em 2019.
Apesar da condenação, o político seguiu forte no Congresso e nas negociações entre Executivo e Legislativo. "A influência de Valdemar vai além do PL, é uma figura que se tornou central para a coordenação do Centrão", diz o cientista político Henrique Curi, autor de estudos sobre partidos conservadores no Brasil e pesquisador visitante em Harvard.
Força na frente evangélica
O PL também foi protagonista, há duas décadas, de um dos aspectos decisivos da atual campanha eleitoral: o poder de evangélicos na política.
Ele foi a primeira legenda de líderes evangélicos importantes como Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Em 2006, os membros da Igreja Universal que estavam no PL deixaram a legenda para fundar a sua própria, o Partido Republicano Brasileiro (PRB), hoje Republicanos.
Mas o PL seguiu sendo a casa de muitos políticos evangélicos, como os da Assembleia de Deus, e detém a presidência e a maioria dos membros da bancada evangélica na Câmara: 41 deputados, contra 26 dos Republicanos, segundo levantamento de maio do Observatório do Legislativo Brasileiro.
A chegada de Bolsonaro
O cientista político Bruno Bolognesi, professor da Universidade Federal do Paraná e autor de estudos sobre a direita brasileira, afirma que historicamente o PL se enquadra na categoria de partido "fisiológico e clientelista", cujo funcionamento se baseia na troca de favores e de atendimento de interesses particulares, em vez de na defesa de um programa ideológico. A ida de Bolsonaro para o PL, porém, tornou o partido "mais ideologizado" do que era, além de o ter empurrado mais à direita.
A filiação de Bolsonaro também contribuiu para relativizar entre os eleitores de direita a pecha de corrupção vinculada à legenda desde o mensalão. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do presidente, afirmou em redes sociais que Valdemar "já pagou o que tinha que pagar" e estava "zerado".
Bolognesi avalia que a opção do presidente pelo PL foi "bastante estratégica", por ser uma legenda com uma estrutura mais profissional do que a do PSL, que o aproxima mais dos evangélicos, e que ao mesmo tempo é bastante flexível e não deve impor questionamentos ao presidente.
A aproximação de Bolsonaro com o PL havia sido iniciada em 2018, quando o então candidato ao Planalto tentou atrair a legenda para sua coligação, sem sucesso. Depois de eleito, o PL aderiu ao governo e nomeou uma ministra: Flávia Arruda, na Secretaria de Governo.
Cenários para o novo governo
A maior identificação com pautas ideológicas da nova bancada do PL torna menos provável que, num eventual novo governo Lula, o partido encarne suas raízes fisiológicas e cogite apoiar a gestão petista, avalia Bolognesi. Entre os novos deputados eleitos do PL, está Nikolas Ferreira, o mais votado do país neste pleito e na história de Minas Gerais.
Ele projeta como cenário mais provável o PL se consolidar como o principal legenda de oposição ao Palácio do Planalto, enquanto luta para manter as benesses criadas pelo Congresso na atual legislatura, como as emendas de relator anabolizadas e com menor transparência.
Por sua vez, o cientista político Curi avalia que a heterogeneidade da bancada eleita do PL será posta à prova caso Lula seja eleito, e não descarta uma cenário em que um novo governo do petista tente negociar apoios pontuais com alguns parlamentares da legenda para a aprovação de projetos de lei.
Caso Bolsonaro seja reeleito, Bolognesi avalia que se torna mais provável uma fusão do Partido Progressista (PP) com o União Brasil, que seria a maior bancada da Câmara, deixando ao PL a segunda maior bancada. O partido seguiria desfrutando das benesses criadas pelo Congresso e, ao mesmo tempo, contribuiria para o encaminhamento de propostas de interesse do governo. Nessa hipótese, a probabilidade de o PL manter sua "coesão" nos próximos quatro anos será muito maior, concorda Curi.
Assessoria/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

Nenhum comentário:

Postar um comentário