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domingo, 2 de abril de 2023

Dos cus brancos a paus-rodados: vereador desafia velhos significados xenófobos da cuiabania

O vereador de Cuiabá, Fellipe Corrêa (Cidadania), apresentou um projeto de lei para instituir o Dia do Pau-Rodado, a ser comemorado anualmente no dia 10 de novembro. A iniciativa pode gerar um debate inteligente na Câmara e um bom diálogo com a intelectualidade cuiabana. Nomear é um gesto de poder. Nomear algo positivo com um termo entrincheirado em uma significação negativa é um gesto de ousadia do jovem vereador e que merece destaque. Pau-Rodado era o termo muito usado pela cuiabania nas décadas de 1970 e 1980 para desqualificar o migrante que não era bem-vindo. A ideia ousada do vereador com o seu projeto é tomar o termo Pau-Rodado para significar uma distinção concedida pelo poder político municipal.
Fellipe Corrêa quer que o termo Pau-Rodado passe a ser uma distinção para os migrantes que chegaram, comeram cabeça de pacu, e são reconhecidos publicamente pela contribuição para o desenvolvimento da Capital de Mato Grosso em todas as áreas, da economia à cultura.
É interessante a explicação dada pela assessoria, esvaziando por completo o sentido polêmico e negativo do termo para expressar a repulsa aos migrantes, com uma argumentação que une natureza e navegação:
"O termo pau-rodado para se referir aos migrantes, “cuiabanos de coração”, remete à navegação fluvial. O "pau-rodado" é uma metáfora própria da linguagem local, uma referência aos troncos de árvores que descem os rios rodando nas margens até se fixarem em algum trecho dele. A ocupação do território cuiabano por migrantes de outros estados, como os bandeirantes, iniciou pelos rios e com o tempo, o vocábulo pau-rodado passou a ser usado para se referir a todos aqueles que vieram de outros estados e municípios e que fixaram residência em Cuiabá".
O "pau-rodado" é uma metáfora própria da linguagem local, uma referência aos troncos de árvores que descem os rios rodando nas margens até se fixarem em algum trecho dele.
Em sua dissertação de mestrado no Programa de Estudos em Cultura Contemporânea (ECCO) da UFMT, a jornalista e pesquisadora Dalila Rodrigues discutiu o falar cuiabano e as relações de poder. Sua pesquisa trabalhou com o Podcast de Construção Científica. Uma das entrevistas foi feita, em março de 2021, com o escritor, advogado e membro da Academia Mato-grossense de Letras, Eduardo Mahon. Vale tirar do Buraco da Memória outro termo, mais forte e negativo, que era usado também para nomear pejorativamente os migrantes: “cus brancos”:
Eduardo Mahon traça um perfil histórico da cultura regional destacando a questão, polêmica, dos sentidos da cuiabanidade e cuiabania. O escritor recupera a memória da produção cultural desde o início do século passado para traçar uma distinção entre a resistência do falar cuiabano hoje em relação ao falar cuiabano que representava um lugar de poder da elite cuiabana, além da própria diferença entre uma forma de falar e outra do cuiabano ribeirinho e do cuiabano do centro da cidade. Clique aqui para conferir a matéria e o podcast de construção científica.
“Precisamos render homenagens a todos os cidadãos que escolheram Cuiabá para constituir família, trabalhar e ajudar no crescimento do município"
No embate das ideias de resistência cultural versus xenofobia, Mahon lembra do preconceito contra os chamados, pejorativamente, de “paus rodados”, gente que chegava de fora para viver em Cuiabá, que foram chamados também, em certo momento, por parte da intelectualidade da metade do século passado, de “cus brancos”.
De volta à argumentação do vereador Fellipe Corrêa, sobre a homenagem desviando dos paus-rodados e dos cus brancos xenófobos, ousando tomar um termo negativo para nomear uma distinção:
“Precisamos render homenagens a todos os cidadãos que escolheram Cuiabá para constituir família, trabalhar e ajudar no crescimento do município. É com muita honra que posso dizer ser filho e neto de pau-rodados, e sei que todos nós, mesmos nascidos e criados em Cuiabá, somos descendentes de migrantes. A esses migrantes, nosso agradecimento e nossa homenagem. Por isso, peço aos demais vereadores que votem a favor desse nosso projeto”, afirmou o vereador.
A data escolhida, 10 de novembro, é o dia do falecimento de Pascoal Moreira Cabral Leme, que comandou a bandeira que chegou às terras que hoje são de Cuiabá em 1718. Como não há registros conhecidos sobre o nascimento, foi escolhida a data de seu falecimento.
Referência histórica
Entre os anos de 1673 e 1682, se tem registro dos primeiros Bandeirantes paulistas que passaram pela região onde hoje se encontra o município de Cuiabá. No ponto em que o Rio Coxipó deságua no Rio Cuiabá, a bandeira de Manoel de Campus Bicudo fundou o primeiro povoado da região, localidade batizada de São Gonçalo.
Em 1718, chega à região a bandeira do paulistano, Pascoal Moreira Cabral Leme. Ele ajudou a fomentar a corrida pelo ouro na localidade após a descoberta das minas conhecidas como “Lavras do Sutil”. A notícia da descoberta causou grande fluxo migratório para a região.
A conferir quais paus-rodados serão homenageados a cada ano se o projeto do vereador for aprovado e virar lei municipal. E como essa distinção se somará à tradicional concessão de título de cidadão/cidadã-cuiabano/cuiabana, outra forma de reconhecimento dos "paus-rodados".
Assessoria/Caminho Político
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