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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Escritor indígena critica ação do governo em terra Yanomami: ‘Ministério cirandeiro’

O escritor Daniel Munduruku criticou nesta sexta-feira (12), o trabalho do Ministério dos Povos Indígenas na reserva Yanomami, que vive grave crise de saúde há mais de um ano. Em sua publicação nas redes sociais, o ativista chamou a pasta de “cirandeira” e afirmou que existe “muita festa” e “muito discurso”, porém “nada do necessário” para resolver a situação desafiadora da população que vive na localidade. “Uma lástima!”, concluiu.
Fala que evidência um distanciamento do discurso e da prática adotada pelo governo Lula, que no primeiro mês de mandato, declarou situação de emergência no território Yanomami, mas até agora não resolveu o problema da mortalidade do povo indígena.
O Ministério da Saúde registrou 308 mortes na Terra Indígena Yanomami nos primeiros 11 meses de 2023. O dado mais recente vai até o dia 30 de novembro e não conta os casos de dezembro. Em 2022, segundo a pasta, foram 343 mortes no total.
“Os dados sobre a saúde dos Yanomami não deixam dúvidas: criar um ministério “cirandeiro” apenas para apagar incêndio é replicar a velha política do pão e circo. Muita festa, muita viagem internacional, muito discurso, muito do mesmo e nada do necessário. Uma lástima!”, escreveu ele no X, antigo Twitter.
A postagem de Munduruku ocorre um ano após o governo federal ter decretado estado de emergência na saúde pública da região.
No última terça-feira (9), o governo federal anunciou uma estratégia para a região, que consiste na construção de uma unidade de saúde e, também, de postos de segurança permanente na região, com o objetivo de conter a atuação ilegal de garimpeiros na região.
No início do ano passado, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou a região junto com uma comitiva do Ministério da Saúde e do Ministério dos Povos Indígenas. Na visita, a pasta da Saúde constatou graves quadros de casos de insegurança alimentar, desnutrição infantil e falta de acesso da população à saúde.
Segundo especialistas do SUS, a principal causa da população desnutrição se dá pelo utilização de mercúrio, substância usada pelos garimpeiros que polui os rios e, consequentemente, os peixes que alimentam os habitantes. Um dos problemas que assolam a região são os constantes conflitos armados com garimpeiros, cujas atividades em terras indígenas cresceram 495% entre 2010 e 2020.
Assessoria/Caminho Político
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