Condenada a 10 anos de prisão pelo STF, deputada bolsonarista relevou hoje que está no exterior. PGR pede prisão preventiva, bloqueio de bens e inclusão de Zambelli em lista da Interpol. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta terça-feira (03/06) a prisão preventiva e a inclusão na lista da Interpol da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). O pedido foi apresentado pouco depois de a parlamentar bolsonarista afirmar que deixou o Brasil, menos de um mês após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão e à perda de mandato por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com a saída, Zambelli seguiu o exemplo do deputado de extrema direita Eduardo Bolsonaro, que também deixou o Brasil em março.
Durante entrevista ao canal Auriverde, no YouTube, a parlamentar disse que sua saída do país ocorreu inicialmente para tratar um problema de saúde. No entanto, Zambeli também alegou ser alvo de "perseguição judicial". Ela também deu diferentes versões sobre seu paradeiro, dando a entender inicialmente que estava na Europa, mas depois afirmando que no momento está baseada nos EUA.
"Estou fora do Brasil já faz alguns dias. Vim, a princípio, buscar um tratamento médico, e agora vou pedir para que eu possa me afastar do cargo", afirmou. "Vou me basear na Europa, tenho cidadania europeia. Estou muito tranquila quanto a isso."
"Gostaria de deixar bem claro que não é um abandono do país. Não é desistir do país. Muito pelo contrário: é resistir. É voltar a ser a Carla que eu era antes das amarras que essa ditadura nos impôs", declarou.
O advogado da deputada, Daniel Bialski, confirmou ter sido informado da viagem, e disse não saber o paradeiro de sua cliente e que ela deixou o país "para dar continuidade a um tratamento de saúde".
Apesar da condenação do STF, Zambelli não estava inicialmente impedida de deixar o país. Em agosto de 2023, ela chegou a ter o passaporte apreendido por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes, no contexto das investigações sobre a invasão dos sistemas eletrônicos do CNJ. Mas o documento foi liberado pelo Supremo, não havendo restrições a deslocamentos durante a fase recursal do processo.
Recurso
Apesar de ter a perda de mandato determinada pelo STF, Zambelli não perdeu o cargo automaticamente. A perda do posto de deputada federal só pode ser concretizada pela Câmara dos Deputados. Já a inelegibilidade não depende do trânsito em julgado da condenação – quando não cabe mais recurso –, passando a valer a partir da publicação da decisão de condenação.
A defesa da deputada entrou com recurso contra o veredito, determinado pela Primeira Turma da Corte, alegando "cerceamento de defesa", reclamando não ter tido acesso completo a provas importantes para o caso.
A condenação de Zambelli a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do CNJ, ocorrida em 2023, foi decidida por unanimidade pela Primeira Turma do STF.
Com a decisão, Zambelli também foi condenada à perda do mandato após o fim de todos os recursos possíveis e o pagamento de R$ 2 milhões em danos morais coletivos, valor que deverá ser dividido com hacker Walter Delgatti, que é réu confesso e que foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão neste mesmo processo.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Zambelli foi a autora intelectual da invasão para emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo as investigações, o hackeamento foi executado por Walter Delgatti Neto, que é réu confesso.
Depoimento de Delgatti baseou denúncia
A decisão do STF também condena o hacker a 8 anos e 3 meses de prisão e ao pagamento de R$ 2 milhões por danos morais coletivos, valor a ser dividido com a parlamentar.
Segundo a investigação da Polícia Federal, Delgatti teria usado "credenciais falsas obtidas de forma ilícita para inserir os documentos fraudados nos bancos de dados do Judiciário Federal".
Para a ação, que ocorreu em janeiro de 2023, ele teria recebido um texto entregue pela própria Zambelli. O hacker apresentou à polícia extratos bancários que comprovariam repasses feitos por pessoas ligadas à deputada, totalizando ao menos R$ 13,5 mil.
Em seu depoimento, ele ainda acusou Zambelli de pedir que ele hackeasse Moraes a fim de obter "conversas comprometedoras".
md (ots)Caminho Político
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