Para escapar do desgaste político provocado pelo caso Jeffrey Epstein, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido acusado por opositores e até aliados de lançar sucessivas “cortinas de fumaça”, estratégias para desviar a atenção pública e minimizar o impacto das revelações que voltaram a associar seu nome ao escândalo.
Por que Trump está em “maus lençóis” com caso Epstein
Epstein foi preso em 2019 por tráfico sexual e morreu na prisão, oficialmente por suicídio, mas sua morte é vista como suspeita por muitos, principalmente por apoiadores radicais de Trump, que sempre alimentaram teorias conspiratórias.
Entre os trumpistas, circula a teoria de uma “lista de clientes” com nomes de políticos e celebridades envolvidos em crimes sexuais, que os opositores de Trump estariam, supostamente, ocultando.
Na campanha eleitoral, Trump prometeu divulgar documentos e depoimentos do caso Epstein, criando expectativa por uma “limpeza” política contra adversários democratas.
No entanto, o governo Trump publicou em julho um memorando confirmando que, de fato, Epstein cometeu suicídio e que não há provas de chantagem ou de uma lista de clientes, contrariando teorias conspiratórias contra os democratas.
Porém, ele ainda não apresentou essas provas, irritando aliados e levantando dúvidas sobre seu real interesse, provocando divisão interna.
O Wall Street Journal revelou uma carta de Trump a Epstein com o desenho de uma mulher nua. Elon Musk também já afirmou que Trump aparece nos arquivos de Epstein, reacendendo a polêmica.
Documentos do Departamento de Justiça dos EUA, aos quais a imprensa teve acesso, confirmaram que o nome do republicano aparece nos arquivos relacionados ao financista condenado por crimes sexuais, contrariando declarações anteriores do próprio presidente. Ele nega qualquer envolvimento.
Desde o início de julho, Trump tem intensificado ações e declarações polêmicas que, segundo críticos, buscam desviar o foco da cobertura jornalística sobre o escândalo.
As estratégias incluem a divulgação de arquivos históricos sobre a morte de uma grande personalidade, a promoção de conteúdos caluniosos nas redes sociais, ataque público a aliados e opositores, além da demissão de uma promotora federal que atuava em casos ligados a Epstein.
Arquivos de Martin Luther King e vídeo de Obama
Na segunda-feira (21/7), a Casa Branca, por ordem de Trump, liberou mais de 240 mil páginas de investigações do FBI sobre o líder de direitos civis Martin Luther King, morto em 1968. Os documentos foram divulgados mesmo com a oposição da família do ativista.
O sigilo, que durava 48 anos, foi quebrado repentinamente. Em declaração, os dois filhos vivos, King Jr, Martin III e Bernice, condenaram “qualquer tentativa de uso indevido desses documentos com a intenção de minar o legado de nosso pai”.
Parlamentares democratas classificaram a medida como uma “cortina de fumaça”, considerando o momento em que crescia a atenção pública sobre os arquivos de Epstein.
No mesmo dia, Trump compartilhou em suas redes sociais um vídeo gerado por inteligência artificial que mostra o ex-presidente Barack Obama sendo preso no salão oval da Casa Branca. Na legenda da publicação, Trump escreveu que “ninguém está acima da lei”.
Demissão de promotora
No dia 16 de julho, o governo Trump demitiu a promotora federal Maurene Comey, que havia atuado no processo contra Jeffrey Epstein e em outras investigações de crimes sexuais envolvendo empresários norte-americanos.
A decisão não apresentou justificativa formal, apenas citando o artigo 2 da Constituição dos EUA, que trata dos poderes presidenciais para nomear e demitir procuradores.
Segundo o The New York Times, Maurene enviou mensagem a colegas após o desligamento, afirmando: “Se uma promotora de carreira pode ser demitida sem motivo, o medo pode tomar conta das decisões dos que ficam. E o medo é a ferramenta de um tirano”.
A promotora é filha de James Comey, ex-diretor do FBI demitido por Trump em 2017, após conduzir investigações sobre a interferência russa nas eleições de 2016. O episódio reforçou acusações de interferência política para enfraquecer apurações ligadas a figuras próximas ao governo.
Trump se irrita ao falar de Epstein e desconversa
Em 8 de julho, um dia após o FBI confirmar que Epstein morreu por suicídio e concluir que não havia provas de que o financista mantinha uma “lista de clientes” para chantageá-los, Trump se irritou com um jornalista que fez uma pergunta sobre o caso.
Tentativa frustrada de conter o assunto
Em 18 de julho, sob pressão de aliados e do Partido Republicano, o presidente Donald Trump anunciou ter solicitado ao Departamento de Justiça dos EUA a divulgação de “todo e qualquer depoimento relevante” prestado ao grande júri que analisou o caso do empresário Jeffrey Epstein.
O pedido estaria condicionado à autorização judicial e teria como justificativas o “amplo interesse público” e a “transparência para o público americano”.
A iniciativa, contudo, foi barrada. A juíza federal da Flórida Robin Rosenberg rejeitou a solicitação, impondo o primeiro revés aos esforços da Casa Branca para conter a repercussão negativa sobre a condução do caso.
Em sua decisão, Rosenberg afirmou que não poderia autorizar a divulgação porque o próprio Departamento de Justiça havia apresentado o pedido com base apenas no “interesse público” e não como parte de um processo judicial, critério que, segundo a magistrada, é o padrão usualmente considerado pelos tribunais em situações desse tipo.
Assessoria/Giovanna Estrela/Caminho Político
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