Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Av. André Maggi nº 6, Centro Político Administrativo

domingo, 13 de julho de 2025

Lula amplia ofensiva política e midiática após tarifa de Trump e mira Bolsonaro e Tarcísio

O anúncio do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros provocou uma reação imediata e estratégica do governo Lula (PT). De acordo com reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o Palácio do Planalto decidiu transformar a retaliação em oportunidade política, reforçando o discurso de defesa da soberania nacional e associando a medida ao bolsonarismo e seus aliados.
A equipe de comunicação do governo vê a sobretaxa americana como combustível para o enfrentamento narrativo contra os “privilégios” e em defesa da justiça social. A ordem é ampliar a visibilidade do presidente, intensificar entrevistas e retomar o diálogo com empresários e representantes do agronegócio. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparecem no centro da estratégia de responsabilização pela crise com os EUA.
“O povo brasileiro precisa ser respeitado”, diz a mensagem publicada no perfil oficial de Lula no X (antigo Twitter), acompanhada de um cartão com a bandeira do Brasil e a assinatura do presidente. O texto destaca o compromisso com a soberania e a proteção das empresas nacionais. Em vídeo oficial já divulgado, o governo reforça essa linha: “O Brasil é um país soberano [...] e ser contra nossa soberania é ser contra o Brasil”, afirma o narrador, em meio a imagens de florestas, plantações e cidadãos brasileiros.
A nova campanha de comunicação, conduzida pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), aposta em uma narrativa centrada na independência nacional e na proteção dos mais pobres. O slogan previsto para agosto deverá ressaltar essa defesa, buscando expandir a ideia de que enfrentar desigualdades não se limita aos programas sociais, mas envolve toda a economia.
Segundo apuração da Folha, agências de publicidade com contratos com o governo foram convocadas na última quinta-feira (10) para discutir a nova abordagem. O ministro Sidônio Palmeira, responsável pela Secom, defende que Lula intensifique a presença na mídia. O presidente já concedeu entrevistas às emissoras Record e Globo na quinta-feira (11), nas quais criticou Bolsonaro por apoiar a tarifa de Trump, “afetando a soberania do Brasil”, e instou Trump a respeitar a Justiça brasileira.
Durante reunião no Palácio do Planalto, o chanceler Mauro Vieira chegou a sugerir que o Itamaraty conduzisse a resposta diplomática. No entanto, prevaleceu a posição de que, diante do teor político do ataque, caberia a Lula se posicionar publicamente. Foi cogitada até mesmo uma rede nacional de rádio e TV, ideia posteriormente descartada.
O governo quer também vincular a crise ao nome de Tarcísio de Freitas. O governador paulista, que já foi visto com boné com o slogan de Trump e replicou recentemente mensagens em defesa de Bolsonaro, procurou amenizar a tensão na sexta-feira (11), conversando com aliados, ministros do STF e com o chefe da Embaixada dos EUA no Brasil.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador de São Paulo, também foi escalado para ter papel de destaque nas conversas com empresários. A pedido de Lula, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que reúne representantes do setor produtivo e da sociedade civil, será convocado para avaliar os impactos da tarifa. A formação de um conselho paralelo com governadores também está em estudo.
Internamente, a retaliação americana é vista como um desafio, mas também como uma oportunidade de reposicionar o governo diante da opinião pública. Uma nova rodada de pesquisas, já encomendada pela Presidência, deverá medir o impacto da ofensiva de Trump na percepção dos brasileiros. Um levantamento de abril indicava que apenas 20% apoiavam o governo dos EUA na disputa com a China — dado que anima a estratégia da Secom.
Segundo ministros e assessores envolvidos, a retórica do “nós contra eles” voltou a ganhar força. A Secom tem orientado pastas a enviarem exemplos concretos de enfrentamento à desigualdade e divulgar ações como o ressarcimento a beneficiários do INSS que tiveram descontos indevidos. A leitura política no Planalto é de que o embate com Trump pode ser um marco de reafirmação da autoridade presidencial e do compromisso com os mais vulneráveis.
Assessoria/Caminho Político
📲 📰 Siga o Caminho Político nas redes sociais

Nenhum comentário:

Postar um comentário