O jogo político mato-grossense entrou em ebulição. O MDB, tradicionalmente uma das siglas mais influentes do Estado e com forte presença em todo o Brasil, vive um momento de tensão e incerteza. A movimentação de lideranças e a possibilidade de debandada de nomes de peso colocam o partido diante de um cenário desafiador para as eleições de 2026. Com a saída da deputada Janaína Riva para outro projeto político, o MDB já sente o impacto de perder uma das maiores votações da história recente da Assembleia Legislativa — 82.124 votos em 2022, distribuídos pelos 141 municípios de Mato Grosso. Essa perda, por si só, já fragiliza o coeficiente eleitoral da legenda. Mas o quadro pode se agravar ainda mais se os deputados Thiago Silva e Juca do Guaraná confirmarem a mudança partidária em março. Thiago Silva, reeleito em 2022 com 30.506 votos, consolidou uma base sólida e crescente em várias regiões do Estado. Já Juca do Guaraná, com 20.723 votos, tem forte atuação comunitária e municipalista, especialmente na capital. Somados, representam mais de 51 mil votos que podem migrar para outras siglas — um golpe expressivo para o MDB. Sem esses nomes, o partido deve apostar em figuras como Dr. João José, Silvano Amaral e o presidente da AMM, Leonardo Bortolini, ex-prefeito de Primavera do Leste, para tentar manter relevância e competitividade. No entanto, a reconstrução da chapa exigirá habilidade política, articulação e, sobretudo, tempo — um recurso escasso em ano eleitoral. Como dizem os antigos cuiabanos, “quem procura vagalume no escuro sem lanterna, acaba perdido”. O MDB de Mato Grosso, acostumado a ser protagonista, agora precisa acender sua lanterna e redefinir sua estratégia. O tabuleiro político está montado, e cada movimento pode ser decisivo para o futuro da legenda no pleito que se aproxima.
Régis Oliveira/Caminho Político

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