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Governo de Mato Grosso

domingo, 25 de janeiro de 2026

Filhos de Bolsonaro se distanciam de Michelle, que aposta em domiciliar para recolocar Tarcísio no jogo de 2026

Movimento da ex-primeira-dama no STF é lido por aliados como tentativa de reduzir o protagonismo de Flávio Bolsonaro e reabrir a disputa pela sucessão em 2026. Movimento da ex-primeira-dama no STF é lido por aliados como tentativa de reduzir o protagonismo de Flávio Bolsonaro e reabrir a disputa pela sucessão em 2026. A articulação de Michelle Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno do pedido de prisão domiciliar para Jair Bolsonaro aprofundou o distanciamento com os filhos do ex-presidente e reacendeu a disputa no entorno dele para as eleições deste ano.
Interlocutores relatam que a ex-primeira-dama vê na hipótese de Bolsonaro ir para casa uma chance de reabrir o debate eleitoral, hoje nas mãos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e recolocar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no radar como alternativa. Procurada, Michelle não comentou.
O atrito se intensificou após a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, período em que Tarcísio recuou de uma visita prevista ao ex-presidente, e Michelle ampliou articulações com os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do STF.
Desenho eleitoral
Interlocutores relatam que, entre os filhos, a movimentação da ex-primeira-dama passou a ser lida como tentativa de se firmar como “porta-voz institucional” do bolsonarismo. A avaliação é de que, ao falar em nome do grupo, costurar pontes e se projetar como responsável por eventuais avanços na custódia, ela amplia seu peso político.
A estratégia no STF é descrita por aliados como uma operação em “camadas”: primeiro, insistir em melhorias das condições da prisão; depois, reforçar a necessidade da domiciliar por saúde. Moraes tem em mãos um novo pedido apresentado pela defesa de Bolsonaro e vai dar uma resposta depois que a Polícia Federal apresentar as informações sobre a perícia médica.
Dentro da família, porém, o movimento passou a ser tratado como instrumento com impacto direto no desenho eleitoral. Para aliados dos filhos, não se trata apenas de aliviar a situação do ex-presidente, mas de reorganizar a direita por 2026.
Pessoas próximas a Bolsonaro relatam que Michelle passou a sustentar internamente que Flávio “deu um golpe” ao se posicionar como herdeiro natural do bolsonarismo e que, com o ex-presidente preso e sem convívio diário com a família, abriu-se espaço para uma tentativa de “tomada” da sucessão. Com a volta do convívio em casa, Michelle poderia ampliar a influência e atuar pela solução Tarcísio, inclusive se colocando como vice da chapa.
Recuo do aliado
O nome do governador voltou ao centro do debate na semana em que ele recuou da visita à Papudinha. A justificativa formal para o cancelamento foi agenda em São Paulo, mas, naquele dia, Tarcísio teve apenas despachos internos no Palácio dos Bandeirantes. Interlocutores afirmam que o governador tenta empurrar para abril qualquer definição sobre seu papel em 2026 e evita se comprometer em meio ao auge da disputa familiar.
Procurado pelo GLOBO para comentar se aceitaria concorrer nesse cenário, Tarcísio negou:
Sou candidato à reeleição.
Após o cancelamento, o governador deve visitar o ex-presidente na próxima quinta-feira. O reagendamento, segundo pessoas próximas, seria uma forma de evitar a leitura de afastamento de Tarcísio em relação a Bolsonaro.
Aliados do governador afirmam que ele tenta se blindar e preservar margem de manobra, enquanto segmentos da direita e do Centrão continuam tratando seu nome como ativo eleitoral.
A reação mais visível aos movimentos de Michelle tem partido do ex-vereador do Rio Carlos Bolsonaro, que visitou o pai na quinta-feira. Em publicações nas redes sociais, ele tem sinalizado desconforto com movimentos internos do bolsonarismo, o que aliados interpretam como recados à ex-primeira-dama.
Em publicação recente, Carlos escreveu que há um movimento voltado, “de forma dissimulada”, a medir forças com o próprio Bolsonaro. Em outro momento, sugeriu tentativas de sabotagem ao projeto de Flávio, mensagem vista como ataque à madrasta. Procurada, a assessoria de Carlos negou que Michelle fosse alvo.
A forma como a interlocução da ex-primeira-dama no STF foi construída também ampliou a irritação. Interlocutores relatam que a audiência com Moraes foi articulada pelo deputado Altineu Côrtes (PL-RJ). Os filhos souberam do encontro depois que ele já havia ocorrido, o que aprofundou o desconforto e gerou cobranças internas ao parlamentar.
Início da disputa
A crise não começou agora. Um episódio tratado como marco na disputa interna foi a divulgação de uma carta manuscrita de Bolsonaro indicando Flávio como pré-candidato em dezembro, no dia de Natal. O documento passou a ser apresentado como prova de “carimbo” do ex-presidente e usado como instrumento para disciplinar a bancada e reduzir ruídos no PL.
Michelle nunca me disse que quer ser candidata. Eu sou o pré-candidato indicado pelo presidente Bolsonaro. Tenho uma carta escrita e assinada por ele — reforça Flávio.
Publicamente, contudo, Michelle tenta afastar a ideia de que trava uma disputa direta com o enteado. Em publicação direcionada a Flávio, desejou que Deus lhe concedesse sabedoria e força para conduzir a candidatura. Aliados do ex-presidente também têm reiterado que a indicação de Flávio deve ser seguida, mas abrem brecha para eventuais mudanças de cenário.
Seguimos as ordens do nosso capitão Bolsonaro. Ele disse que é Flávio, então é Flávio. Se houver outra ordem posteriormente, a seguiremos também — afirma o deputado Marco Feliciano (PL-SP).
As rotas que opõem os núcleos familiares
De pai para filho - Candidatura de Flávio foca na herança natural do bolsonarismo, baseando-se na carta manuscrita do ex-presidente que chancela o seu nome. Mas senador ainda sofre resistências de alas do Centrão e de evangélicos, que o avaliam como sem musculatura.
Pragmatismo - Já uma chapa com Tarcísio e Michelle de vice, segundo interlocutores, é mais viável pela capacidade de unir grupos. A ex-primeira-dama busca a prisão domiciliar de Bolsonaro para retomar influência e viabilizar o governador como nome competitivo.
Assessoria/ Luísa Marzullo/Caminho Político
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