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sábado, 31 de janeiro de 2026

Maior nome da história do MDB gaúcho, Pedro Simon completa 90 anos

Deputado estadual de oposição ao regime militar, líder do MDB gaúcho, Pedro Simon coordenou, em meados dos anos 1970, uma comissão que tinha o objetivo de trazer para o Rio Grande do Sul o terceiro polo petroquímico. O emedebista ajudou a reunir diferentes forças da sociedade civil e, dentre suas tarefas, esteve a articulação política com lideranças regionais da Arena.
Quando o presidente Ernesto Geisel concordou em trazer o empreendimento ao Estado, fez um aviso: o terceiro polo deveria ser da Bahia, e o Rio Grande do Sul ficaria com o quarto. O governador Sinval Guazelli (Arena) agendou visita do presidente para o anúncio oficial. Simon ficou com um pé atrás, pensou que a espera indefinida poderia resultar em mudança de planos futuros e frustração. Montou-se, então, uma estratégia para tentar sensibilizar Geisel. Um público definido por Simon como “mar de gente” foi levado até o ato político em Santana do Livramento. A ideia era, diante daquela multidão, apelar a Geisel, usando argumentos técnicos elaborados à época e a expectativa popular como trunfo para fazê-lo passar o Rio Grande do Sul à frente da Bahia. Ponto delicado era definir quem usaria a palavra para tentar emparedar o ditador que ocupava o Palácio do Planalto.
O Guazelli olhou, pensou, e anunciou: ‘Em nome do Rio Grande do Sul, vai falar o líder da oposição, Pedro Simon.’ Eu falei numa boa, claro, disse que seria um fato histórico e que todos nós deveríamos ao Geisel a vinda do terceiro polo. Ele acabou concordando. Foi fantástico. Foi uma demonstração de como fazíamos oposição – diz Simon.
O polo, hoje, se aproxima dos 40 anos de operação em Triunfo. É referência industrial e de geração de tecnologia. O papel de ser líder da resistência democrática e, paralelamente, dialogar com a Arena, em tempos de supressão de liberdades, prisões e tortura, não era tarefa fácil.
A principal característica do Simon é a conciliação. O MDB era o partido da resistência e, ao mesmo tempo, da legalidade. Isso muitas vezes era confundido com submissão. A esquerda acusava o MDB e o Simon de serem conciliadores com a ditadura. E a direita os acusava de serem conspiradores – recorda o ex-deputado federal Ibsen Pinheiro, que concedeu a entrevista poucos dias antes de sua morte, ocorrida no último dia 24 de janeiro.
Ícone da política gaúcha, Simon completa 90 anos nesta sexta-feira, 31 de janeiro de 2020, sendo mais de 60 deles dedicados à vida pública. Nascido em Caxias do Sul, filho de imigrantes libaneses, ingressou no velho PTB e se elegeu vereador em 1958.
A entrada no MDB ocorreu no início da ditadura, quando o Ato Institucional Número 2 instituiu o bipartidarismo. Foi deputado estadual e, em 1978, se elegeu senador, período em que passou a ganhar projeção nacional ao ter protagonismo na campanha da anistia e no movimento das Diretas Já, que começou em Porto Alegre, na Esquina Democrática.
Nesta época, Simon já era o líder máximo do MDB gaúcho, atuando como recrutador de lideranças que viriam a desempenhar funções relevantes: José Fogaça, Luiz Roberto Ponte e o próprio Ibsen, entre outros.
Entrei no MDB, em 1986, por causa do Simon. Surgiu a Constituinte e o pessoal do Sinduscon (sindicato da indústria da construção civil) achou que eu poderia representar um pensamento liberal. O MDB, na época, tinha muito economista que chamavam de desenvolvimentista, keynesiano. Eu não tinha afinidade nenhuma com isso, mas acabei escolhendo o MDB pela conotação de decência que o Simon representava – conta Ponte.
O discurso de despedida da política ocorreu no Senado, em 10 de dezembro de 2014. O velho Simon se aposentou dos cargos públicos, mas não botou o pijama. Aos 90 anos, segue queimando lenha, respirando política em tempo integral, insistindo na tese de que o Rio Grande do Sul precisa fazer um grande movimento de encontro de contas com o governo federal. O Estado tem a dívida com a União. E o governo federal não paga o ressarcimento da Lei Kandir. Que se façam os cálculos e zerem os passivos, prega ele.
O que me deixa dolorido é que se formou um consenso que a dívida não tem solução. É uma grande tristeza que tenho. Muita gente diz que é bobagem, sugere que eu esqueça, mas eu me nego a esquecer. Essa compensação de contas é o primeiro passo para resolver a crise do RS. O que eu ainda puder fazer e debater sobre isso, vou fazer.
Assessoria/Carlos Rollsing/GZH/Caminho Político
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