Quando propus o Projeto de Lei nº 181/2023, que instituiu a Campanha “Janeiro Branco” no Estado de Mato Grosso, sabia que estava tocando em uma das feridas mais silenciosas e urgentes da nossa sociedade: a saúde mental. Em um mundo que a cada 40 segundos perde uma pessoa para o suicídio, segundo a Organização Mundial de Saúde, não poderíamos permanecer inertes. A escolha de janeiro não é casual. É o mês dos recomeços, dos balanços anuais, quando naturalmente refletimos sobre nossas vidas e traçamos novos projetos. Janeiro é, cultural e espontaneamente, um “mês terapêutico” – o momento ideal para convidarmos nossa população a olhar com cuidado para a própria saúde emocional.
A cor branca, símbolo da campanha, carrega múltiplos significados. É a tela em branco do artista, a folha limpa onde crianças aprendem a escrever e reescrever seus futuros. É cor sagrada em diversas tradições religiosas e representa a soma de todas as cores – uma perspectiva ecumênica dos sonhos humanos. Do branco, todas as outras cores podem emergir, assim como novos projetos de vida podem ser escritos e reescritos. É na tela em branco do recomeço que pintamos vidas verdadeiramente coloridas.
Nascida em Uberlândia, Minas Gerais, em 2014, por iniciativa de psicólogos engajados, a campanha Janeiro Branco hoje mobiliza profissionais de saúde de diversas áreas, artistas, comunicadores e cidadãos que reconhecem a urgência do tema. Inspirado pela Lei Estadual nº 9.757/2012, que instituiu o Outubro Rosa em Mato Grosso, propus que nosso Estado também abraçasse essa causa.
Os números são alarmantes e exigem ação. Depressão, ansiedade e suicídio crescem descontroladamente no mundo todo. Pessoas de todas as faixas etárias manifestam insatisfação consigo mesmas, com suas vidas pessoais, profissionais e relacionais. Vivemos em um modelo socioeconômico que muitas vezes coisifica a vida, mercantiliza relações humanas e medicaliza a existência, colaborando para uma perigosa desumanização que afeta especialmente os mais vulneráveis.
A proposta vai além do simbolismo. Durante todo o mês de janeiro, mediante participação voluntária de profissionais e da população, a campanha divulgará a importância de cada cidadão refletir sobre sua saúde mental e emocional, suas condições psicológicas e a qualidade de suas relações interpessoais. Incentivará ações de prevenção ao suicídio, detecção precoce e tratamento adequado de depressão e ansiedade. O Laço Branco, símbolo oficial da campanha, será aplicado sempre que possível nas edificações públicas estaduais, servindo como lembrete visual do compromisso do Estado com essa causa fundamental.
Como parlamentar, entendo que legislar sobre proteção e defesa da saúde – conforme o artigo 24, inciso XII, da Constituição Federal – é também legislar sobre dignidade humana. É reconhecer que não há desenvolvimento social ou econômico sustentável sem pessoas mentalmente saudáveis. É assumir que o Estado tem responsabilidade na promoção do bem-estar emocional coletivo.
O Janeiro Branco não é apenas mais uma data no calendário oficial. É um compromisso concreto do Estado de Mato Grosso com o bem-estar emocional de sua população. É um convite para que cada mato-grossense se empodere na construção de uma vida mais feliz, realizada e congruente com seus próprios valores e desejos. É uma política pública que reconhece a saúde mental como direito fundamental e prioridade governamental.
Que o branco de janeiro ilumine os caminhos de todos aqueles que precisam de acolhimento, compreensão e cuidado. Que essa campanha salve vidas e transforme definitivamente a forma como encaramos a saúde mental em nosso Estado.
Max Russi é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e autor do projeto que instituiu a Campanha Janeiro Branco no Estado
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