Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

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Governo de Mato Grosso

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

CAMINHO POLÍTICO: Pesquisa eleitoral indica que em MT caminhará para 2 turnos eleitorais

Como costuma ocorrer nos períodos eleitorais, o pós-carnaval deu início em definitivo às atividades políticas no Brasil. Ainda que meio cambaleando, pois o Poder Público, culturalmente, só começa suas atividades após a Festa de Momo.
Mas o processo começou, considerando as famosas (e polêmicas) pesquisas eleitorais que já vinham “assanhando” os principais pré-candidatos no segundo semestre de 2025. Só que, pela regra eleitoral, como estamos em ano de eleição, as pesquisas passam a ter, como exigência legal, o pedido de registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).
Neste ano, estarão em disputa a Presidência da República e vice; 27 cargos de governador de Estado e seus respectivos vices; 54 vagas (ou 2/3) dos senadores da República; 513 vagas de deputados federais; e 1.059 vagas de deputados estaduais.
São três senadores por Estado, totalizando 81, mas 27 dos atuais membros da Câmara Alta, eleitos ou reeleitos em 2022, estão no meio do mandato de oito anos.
As bancadas de deputados federais são divididas pelo número de eleitores, ficando, constitucionalmente, o Estado de São Paulo com a maior representatividade, com 70 vagas. Outros 11 Estados — entre eles, Mato Grosso — têm o mínimo constitucional de 8 deputados federais. Os demais estados dividem 355 vagas.
No caso dos deputados estaduais, a divisão também é proporcional à população. São Paulo tem 94 deputados estaduais e 11 Estados, entre eles Mato Grosso, têm o mínimo constitucional estabelecido, que é de 24 deputados.
O maior problema é que pesquisa eleitoral se tornou um meio indireto de se fazer campanha eleitoral, seja ela antecipada ou não. E, mesmo existindo regras, elas acabam influenciando uma parte considerável do eleitorado — aqueles que os marqueteiros classificam como indecisos e que decidem seu voto nas últimas horas. Há uma tendência de esses eleitores apoiarem o candidato que aparenta ter maiores chances de vitória.
Culturalmente, o brasileiro não gosta de “perder” seu voto, embora, nos últimos anos, o número de eleitores que deixam de comparecer às urnas, votam em branco ou anulam seus votos tenha crescido de forma exponencial.
A pesquisa do Instituto Percent, divulgada na segunda-feira (23), não demonstrou muita diferença em relação aos últimos levantamentos da mesma empresa, no segundo semestre do ano passado. E, até mesmo, com certa semelhança entre outras avaliações, demonstra a liderança do senador Wellington Fagundes (PL), seguido pelo também senador Jayme Campos (União) e pelo vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), na disputa pelo Governo do Estado.
Na disputa para as duas vagas no Senado, o (ainda) governador Mauro Mendes (União), principal avalista de Pivetta, contrariando o próprio partido em ter o senador Jayme Campos como candidato à sua sucessão, lidera nas intenções de voto, seguido pela deputada estadual Janaina Riva, presidente estadual do MDB.
Essa disputa, que promete ser uma das mais acirradas, ainda tem nomes de peso, como o ministro da Agricultura, senador licenciado Carlos Fávaro, presidente do PSD em Mato Grosso, que divide os votos tanto na esquerda como na direita, não pode e não deve ser desprezado. bem como o deputado federal José Medeiros, nome de preferência da cúpula do PL e da família Bolsonaro.
Ex-senador e ex-governador, o jurista Pedro Taques (PSB) também é um nome que não se pode desprezar, já que existe um forte sentimento de que ele teria feito um grande mandato como senador, mesmo tendo decepcionado como governador de Mato Grosso.
Mas o cenário está longe de repetir as disputas eleitorais do passado, quando o favorito nas pesquisas foi eleito no primeiro turno. E Mato Grosso caminha a passos largos, pela primeira vez, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, para escolher o próximo governador em dois turnos.
O Estado só realizou dois turnos para presidente da República e para prefeito de Cuiabá, já que a Constituição estabelece que, nas capitais, independentemente do número de votantes, as eleições devem acontecer em dois turnos, caso os postulantes não atinjam 50% mais um voto.
Já nas cidades com mais de 200 mil eleitores, o que aproxima Várzea Grande de eventualmente ter que escolher futuramente nas eleições municipais de 2028 seu prefeito ou prefeita em dois turnos - em 2024, somou 190.862 eleitores - estando, portanto, a 9.138 mil votos de ter que realizar a escolha em dois turnos ou de exigir que o mais votado ou a mais votada supere os 50% mais um voto.
A pesquisa Percent não deixa dúvidas de que os atuais postulantes ainda precisam deslanchar suas campanhas eleitorais, se desejam estar mais próximos do eleitorado.
Só que uma outra novidade é a Pesquisa AtlasIntel. O instituto é que mais se aproximou dos resultados do segundo turno nas eleições em Cuiabá, em 2024. E nesta quarta-feira (25), ele divulga sua nova rodada de pesquisa presidencial, com 5 mil entrevistas.
Em Mato Grosso, conforme se apurou, inseriu cenário adverso do mensurado pela Percent, ao colocar como possível nome para o Governo o ex-prefeito de Cuiabá. Emanuel Pinheiro (PSD) - inclusive, derrotando o atual prefeito, Abílio Brunini (PL), em 2020, que liderou no primeiro turno e foi desbancado no segundo.
Emanuel foi prefeito da Capital maior colégio eleitoral de Mato Grosso, por dois mandatos, pelo MDB. Filiado ao PSD, há especulações de que ele poderia migrar para uma nova agremiação, pois, como está sem mandato, não há impedimento ou prazo para trocar de partido. A não ser o da eleição, que exige que o candidato esteja filiado até seis meses antes do pleito - portanto, até o início de Abril.
O PSD, até o momento, aposta suas fichas na candidatura da médica Natasha Slhessarenko, que já pontua nas pesquisas de forma até mesmo considerável, já que nunca disputou uma eleição, apesar de ser filha da ex-deputada e ex-senadora Serys Slhassarenko.
Emanuel Pinheiro, que já foi aliado de primeiro momento do governador Mauro Mendes, está hoje entre seus principais adversários políticos. E as pesadas criticas do ex-prefeito sempre deixam o atual chefe do Poder Executivo fora do prumo. Pela sua história política e de renascer após passar por derrotas, sempre será um nome a ser considerado em qualquer eleição.
Dentro de uma disputa que vai de presidente da República, passando por governador de Estado, senadora, deputado federal e deputado estadual, vale lembrar quem Mato Grosso foi o quinto Estado que, proporcionalmente, deu mais votos a Jair Bolsonaro em 2022: 59,84% do total contra 34,39% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no primeiro turno.
No segundo turno, o resultado foi de 65,08% para Bolsonaro no segundo turno e 34,92% para Lula da Silva. Isso levou institutos de pesquisa a manifestarem interesse em realizar pesquisas em Mato Grosso, como ocorrido em 2025.
Naquele ano, além da AtlasIntel, Quaest, Paraná Pesquisa, Real Time Big Data e Veritá, que estão entre os maiores do Brasil, realizaram pesquisas de intenção de votos em Mato Grosso, tanto para presidente da República como para governador e senador. E novamente deverão estar presentes, desde que cumpridas as formalidades legais da exigência eleitoral.
Resta saber se a Justiça Eleitoral tem controle ou mesmo meios para fiscalizar a ação destes institutos, que ganharam ainda mais influência por estarem nas plataformas digitais.
Ou seja, o eleitor tende a responder com mais frequência uma pesquisa via internet do que face a face, que é o modelo tradicional e que sempre apresentou resultados precisos, mas que deixaram de representar fidelidade de resultados, com a influências das mídias sociais e do que se convencionou chamar de "milicia digital".
Aliás, em alguns casos, ficou comprovado que o uso de milicias digitais tornou a disputa desigual entre os candidatos. O que levou à Justiça Eleitoral a punir candidatos, criando a figura da "fake news", a propagação de mentiras nas redes sociais, em busca de conquistar votos, principalmente dos indecisos, que, em um país polarizado como o Brasil, tende a promover alteração nos resultados das urnas.
Por último vale lembrar que Jair Bolsonaro, antes de ser condenado pela Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão por crime contra a nação, foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por crime eleitoral de propagação de fake news.
Na disputa pelas duas vagas ao Senado, o (ainda) governador Mauro Mendes (União), principal avalista da candidatura de Otaviano Pivetta, lidera as intenções de voto, mesmo contrariando parte do próprio partido, que defende o nome do senador Jayme Campos como candidato à sucessão. Logo atrás aparece a deputada estadual Janaina Riva (MDB), presidente estadual da sigla e uma das principais lideranças femininas da política mato-grossense.
A corrida promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos, reunindo nomes de peso. O ministro da Agricultura e senador licenciado Carlos Fávaro (PSD) surge como figura de destaque, com trânsito entre diferentes espectros ideológicos e forte presença no interior do Estado. Outro nome relevante é o do deputado federal José Medeiros (PL), preferido da cúpula bolsonarista e da própria família Bolsonaro.
O ex-senador e ex-governador Pedro Taques (PSB) também aparece como possível candidato competitivo. Apesar de ter enfrentado desgaste durante sua gestão no Executivo estadual, ainda é lembrado positivamente por parte do eleitorado por sua atuação no Senado.
O cenário, no entanto, difere das eleições passadas, quando o favorito nas pesquisas costumava vencer no primeiro turno. Tudo indica que Mato Grosso poderá, pela primeira vez desde a Constituição de 1988, escolher seu próximo governador em dois turnos. Até hoje, o Estado só vivenciou segundos turnos nas eleições presidenciais e nas disputas pela Prefeitura de Cuiabá — onde a Constituição determina essa possibilidade nas capitais e nos municípios com mais de 200 mil eleitores.
Várzea Grande, por exemplo, está próxima desse patamar. Em 2024, registrou 190.862 eleitores, ficando a pouco mais de 9 mil do número necessário para que, nas eleições de 2028, possa ter segundo turno municipal.
A pesquisa Percent, divulgada recentemente, indica que os principais pré-candidatos ainda precisam intensificar suas campanhas para se aproximar do eleitorado. Já a AtlasIntel, instituto que mais se aproximou dos resultados do segundo turno em Cuiabá em 2024, prepara nova rodada de levantamento com 5 mil entrevistas. Em Mato Grosso, o instituto incluiu um cenário alternativo, com o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), como possível candidato ao governo.
Emanuel, que governou a capital por dois mandatos e derrotou Abílio Brunini (PL) em 2020, é apontado como um nome de peso. Filiado ao PSD, há especulações de que possa migrar para outra legenda, já que, sem mandato, não enfrenta restrições partidárias até o prazo de filiação exigido pela Justiça Eleitoral — seis meses antes do pleito, ou seja, até o início de abril.
O PSD, por sua vez, aposta na médica Natasha Slhessarenko, filha da ex-senadora Serys Slhessarenko, que vem surpreendendo nas pesquisas mesmo sem experiência eleitoral prévia. Emanuel, antigo aliado de Mauro Mendes, tornou-se um de seus principais críticos, o que adiciona tensão à disputa estadual.
No contexto nacional, Mato Grosso foi o quinto Estado que proporcionalmente mais votou em Jair Bolsonaro em 2022 — 59,84% no primeiro turno e 65,08% no segundo. Esse histórico reforça o interesse dos grandes institutos de pesquisa em acompanhar o comportamento do eleitorado local. AtlasIntel, Quaest, Paraná Pesquisas, Real Time Big Data e Veritá já atuaram no Estado em 2025 e devem repetir a presença neste ciclo eleitoral, desde que cumpram as exigências legais de registro junto à Justiça Eleitoral.
A crescente influência das plataformas digitais nas pesquisas e campanhas é outro ponto de atenção. O formato online tem alcançado mais respostas que o tradicional modelo presencial, mas levanta dúvidas sobre a fidelidade dos resultados, especialmente diante da atuação das chamadas “milícias digitais”. O uso dessas estruturas para disseminar desinformação levou o TSE a endurecer regras e punir candidatos envolvidos na propagação de fake news.
Por fim, vale lembrar que Jair Bolsonaro, antes de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão por crime contra a nação, já havia sido condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por crime eleitoral de disseminação de notícias falsas — um marco que reforça o papel da Justiça Eleitoral no combate à desinformação e na tentativa de garantir a lisura do processo democrático.
Régis Oliveira/Marcos Lemos/Caminho Político
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