Conservador Partido Liberal Democrata, liderado pela primeira-ministra japonesa, deve recuperar maioria absoluta na câmara baixa do Parlamento. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, despontou neste domingo (08/02) como vencedora nas eleições gerais antecipadas para a câmara baixa do Parlamento e deve ampliar significativamente a até agora estreita maioria de sua coalizão, estimou a emissora pública de televisão NHK logo após o fechamento das urnas. Com grande popularidade entre os eleitores, a conservadora Takaichi, que substituiu Shigeru Ishiba no cargo no fim de outubro, convocou eleições antecipadas para tentar ampliar sua atual maioria, extremamente estreita, obtida com um novo aliado, o Partido da Inovação do Japão (Nippon Ishin). Ou até mesmo recuperar a maioria absoluta perdida pelo seu Partido Liberal Democrata (PLD), do qual é a líder, nas eleições gerais de 2024.
Segundo pesquisas de boca de urna, o PLD conquistaria entre 274 e 328 cadeiras das 465 em disputa na câmara baixa, a mais importante das duas que compõem o Parlamento, informou a NHK.
O PLD tem governado o Japão por décadas quase ininterruptamente.
Possível maioria absoluta para sigla da premiê
Assim, Takaichi superaria sozinha a maioria absoluta de 233 cadeiras que estabeleceu como meta. Seu aliado, o Partido da Inovação do Japão, obteria, segundo a NHK, entre 28 e 38 assentos, o que faria com que ambos ultrapassassem a marca de 300 deputados.
Outros veículos de comunicação japoneses também dão a vitória a Takaichi. A agência de notícias Kyodo afirmou que a legenda da premiê conquistaria "ao menos" 233 cadeiras, chegando a 261 junto com o Ishin. A agência Jiji, por sua vez, indicou que a coalizão governista poderia obter 300 assentos na câmara baixa do Parlamento.
O grande prejudicado do pleito parece ser a nova Aliança Reformista Centrista, união do Partido Democrático Constitucional (PDC) e do budista Komeito (ex-parceiro de coalizão do PLD, mas que abandonou a aliança após a eleição de Takaichi como líder). Juntos, conseguiriam apenas entre 37 e 91 cadeiras, muito menos do que as 172 que detinham antes da antecipação das eleições.
Resta saber agora se a coalizão governista conseguirá superar as 310 cadeiras (dois terços da câmara) que lhe permitiriam aprovar projetos de lei rejeitados pela câmara alta, onde PLD e Ishin estão em minoria, uma condição indispensável para reformar a Constituição.
Crescimento da ultradireita
O populista Sanseito, marcadamente anti-imigração, obteria, segundo as projeções da NHK, entre 5 e 14 cadeiras, em comparação com as duas que possuía na câmara baixa antes de sua dissolução. Sohei Kamiya, líder da legenda, afirmou à emissora japonesa "ter recebido um grande impulso", embora "não tenhamos conseguido ampliar a votação como esperávamos" devido à força do PLD.
O dia de votação foi marcado por fortes nevascas, que obrigaram alguns colégios eleitorais a adiar a abertura ou fechar antes do horário previsto, embora o voto antecipado tenha superado o de outros pleitos.
Takaichi, cujo governo goza de altos índices de popularidade desde que chegou ao poder em outubro do ano passado (após assumir o comando do PLD em prévias partidárias), apresentou as eleições como um referendo sobre seu mandato, chegando a dizer que renunciaria se sua coalizão com o Ishin não alcançasse a maioria absoluta de 233 cadeiras.
Se os resultados se confirmarem, será a primeira vez que o PLD conquista maioria absoluta sozinho desde as eleições gerais de 2021.
md (EFE, ots)Caminho Político
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