O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou a relatoria da investigação do caso Master, na esteira de questionamentos crescentes sobre os seus laços com o banco e o seu dono, Daniel Vorcaro. Em seu lugar, assume o juiz André Mendonça, sorteado pelo tribunal. Os ministros da corte se reuniram nesta quinta-feira (12/02) para deliberar sobre a permanência de Toffoli no posto de relator. Na véspera, a Polícia Federal (PF) apresentara um relatório afirmando que o ministro era citado em conversas no celular de Vorcaro, apreendido no âmbito das investigações.
Segundo o STF, o pedido de substituição foi um pedido do próprio Toffoli, em favor do "bom andamento dos processos" e dos "altos interesses institucionais". A corte argumentou não haver cabimento para arguição de suspeição do ministro e expressou apoio pessoal ao ministro.
"Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR)," disseram sobre Toffoli os dez ministros do tribunal em nota.
O caso corre no STF, em vez de na Justiça comum, por decisão de Toffoli. O juiz argumentou que estão envolvidas autoridades que se beneficiam de foro privilegiado, razão pela qual também decretou o segredo de Justiça.
Repasses de empresa familiar
A menção a Toffoli no celular de Vorcaro tende a aprofundar os questionamentos sobre as suas supostas relações com o Banco Master.
De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, as mensagens fariam menção ao pagamento pela compra de um resort, do qual uma empresa de Toffoli era sócia. Haveria também mensagens de Vorcaro para Toffoli. Segundo uma fonte ouvida pelo jornal, os dois estariam marcando um encontro.
A PF estaria investigando o repasse de dinheiro a Toffoli por uma empresa chamada Maridt, que vendera em 2021 a sua participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, para um fundo ligado ao Banco Master.
Em resposta, o gabinete de Toffoli negou na quinta-feira que ele tenha qualquer relação pessoal ou financeira com Vorcaro. Além disso, afirmou que o ministro é sócio da Maridt, bem como seus irmãos, sendo parentes responsáveis pela administração da empresa. Uma primeira nota já havia chamado de "ilações" as menções ao seu nome pela PF.
Questionamentos crescentes
A imprensa já revelara a venda da participação no Tayayá pela família de Toffoli a um cunhado de Vorcaro por cerca de R$ 6,6 milhões. Depois disso, o juiz continuou a frequentar semanalmente o complexo turístico, onde é proprietário de uma casa.
Os questionamentos sobre a atuação do ministro começaram poucos dias antes de ele assumir a investigação do caso, depois que Toffoli esteve no mesmo avião privado que um dos advogados do Banco Master.
As críticas se intensificaram após a tomada de decisões incomuns, como o envio de provas ao STF, e não aos órgãos de investigação, e uma acareação marcada antes da coleta de depoimentos. Em nota, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal disse que a condução judicial do caso é "atípica" e afronta as prerrogativas conferidas à corporação.
O caso do Banco Master
O Banco Master é uma instituição financeira que também atuava como corretora de investimentos. Ele ficou conhecido nos últimos anos por adotar uma política agressiva para captar recursos, oferecendo rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI) para quem compra papéis da instituição financeira. Essa era uma promessa de ganhos superiores às taxas médias para bancos pequenos – em torno de 110% a 120% do CDI.
Segundo os investigadores, o banco passou a assumir riscos excessivos para sustentar este modelo e a intensa demanda de 1,6 milhão de clientes acumulados no período, enquanto a liquidez real (dinheiro imediatamente disponível para ressarcir os investidores) se deteriorava.
O escândalo estourou em setembro de 2025, quando a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília foi barrada pelo Banco Central, apesar da aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o órgão anticartel brasileiro, e da Câmara do Distrito Federal.
Quando teve sua operação encerrada pelo Banco Central, o Banco Master, com R$ 80 bilhões em ativos, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa. O valor é drasticamente inferior ao necessário para a liquidez de um conglomerado de médio porte.
A baixa liquidez, ou seja, a incapacidade de pagar seus credores, foi justamente a justificativa dada pelo BC para determinar a liquidação do banco controlado por Vorcaro. Investigações da autarquia e da PF sugerem que o conglomerado teria fraudado títulos e supervalorizado ativos para simular a capacidade de honrar seus compromissos.
ht/cn (Lusa, ots)Caminho Político
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