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quinta-feira, 12 de março de 2026

Criador de “pedaladas” contra Dilma, procurador tenta tirar Pochmann do IBGE em remake da dobradinha com a Lava Jato

Festejado nos idos de 2014 pela mídia liberal como aquele “que revelou as pedaladas fiscais”, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira, que atua desde 2004 junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), emergiu e busca um remake de sua parceria com a Lava Jato, agora no caso Master, reescrevendo o roteiro contra Dilma Rousseff (PT) com um novo alvo: o economista Marcio Pochmann, presidente do IBGE.
“Pedaladas fiscais” foi a alcunha sensacionalista dada pela mídia liberal à uma prática costumeira, de adiar repasses do Tesouro Nacional aos bancos públicos que financiavam programas sociais, como o Bolsa Família. A medida foi regulamentada por Michel Temer (MDB) logo depois do golpe com o apoio de parlamentares do Centrão à extrema-direita, que destilaram misoginia dias antes ao votarem pelo impeachment da presidenta.
Nesta terça-feira (10), Júlio Marcelo de Oliveira, que se manteve calado durante o sucateamento do instituto no governo Jair Bolsonaro (PL), voltou às manchetes da mídia liberal anunciando uma representação em que pede o afastamento de Pochmann da presidência do IBGE.
O pedido, baseado em informações da própria mídia liberal sobre as mudanças de pessoal no instituto – aparelhado durante o ex-governo, assim como praticamente todas os órgãos vinculados ao Planalto -, retoma o mesmo roteiro escrito pelo procurador junto ao TCU em 2016: descredibilizar a política econômica criando pânico no mercado sobre “ingerência indevida” em indicadores medidos pelo IBGE, em especial do Produto Interno Bruto, o PIB, que registrou crescimento de 2,3% em 2025, acima das especulações dos “analistas” de mercado no boletim Focus.
“O resultado do PIB influencia diretamente expectativas de crescimento, decisões de investimento, comportamento do mercado financeiro, formulação da política fiscal e monetária, além de impactar classificações de risco soberano”, diz o membro do MPTCU, na representação divulgada primeiramente pela Gazeta do Povo, do ecossistema midiático bolsonarista, e replicada em seguida pelo G1, da Globo, antes de ser pulverizada por outros veículos.
O nome de Júlio Marcelo de Oliveira, no entanto, é apresentado sem quaisquer ligações com um passado não muito distante, quando o procurador dividia as manchetes e os holofotes da mídia com Sergio Moro na tentativa de impor a mesma narrativa de “limpeza institucional” e combate à corrupção que agora acontece com o caso Master, em sua versão Lava Jato 2.0.
Oliveira e Moro: tudo a ver
Ceivado na mesma atmosfera golpista criada pela mídia liberal após a reeleição de Dilma Rousseff – em eleição contestada pelo perdedor Aécio Neves -, Oliveira usou os atrasos do Tesouro Nacional em repasses a bancos públicos para fundamentar um parecer ao TCU que, pela primeira vez desde 1937, rejeitou as contas do Executivo.
Apelidadas de “pedaladas fiscais”, os adiamentos dos repasses do Tesouro para financiar programas sociais é uma espécie de empréstimo indireto de bancos ao governo, que honrava o pagamento. Oliveira, no entanto, sustentava que a prática, já realizada por outros governos, mascarava o “déficit fiscal”.
O parecer que serviu para rejeição das contas pelo TCU, então, foi usado para embasar o processo de impeachment de Dilma Rousseff, que colecionava desgastes com as rotineiras manchetes do lawfare da Lava Jato, combinadas entre jornalistas selecionados por procuradores da força tarefa para disseminar a narrativa criada em Curitiba, como mostrou os diálogos do grupo de Telegram Filhos de Januário, revelados pela Operação Spoofing, da PF, em 2019.
As acusações do procurador do TCU sobre as irregularidades fiscais do governo vinham sempre acompanhadas das “denúncias” de corrupção com os dutos da Lava Jato nos noticiários, com declarações de Oliveira e Moro sobre a “crise institucional” e “corrupção sistêmica”.
No centro do Roda Viva, apresentado em 2017 pelo insuspeito Augusto Nunes, Oliveira louvou a “eficiência da Lava Jato” após atacar Dilma dizendo que “a última eleição foi altamente influenciada por promessas baseadas em gastos públicos e não havia dinheiro para isso”.
Associado ao discurso que virou moda à época, o procurador convocou para os atos na Paulista, apoiou publicamente a iniciativa de Deltan Dallagnol ao assinar as propaladas “10 medidas contra a corrupção”, e em artigo no site do Instituto Não Aceito Corrupção – uma das centenas de movimentos criados à época para pegar carona no tema – “enalteceu a contribuição da Lava Jato para o combate à corrupção”.
No entanto, Oliveira foi tragado pela mesma operação Spoofing que desnudou a Lava Jato, que revelou diálogos do procurador do TCU com Deltan Dallagnol em abril de 2016.
“Se o Gim Argello for realmente delatar, queria fazer uma sugestão/pedido: incluir com detalhes e provas os ministros do TCU”, escreveu a Deltan.
As fotos ao lado de Moro também fez com que Oliveira virasse alvo de um pedido de suspeição em 2022 no TCU na investigação em que o ex-juiz era acusado de supostas irregularidades em sua contratação pela consultoria americana Alvarez & Marsal, para onde foi após deixar o “super” Ministério da Justiça acusando Jair Bolsonaro de interferência na PF.
Curiosamente, Oliveira volta à tona, buscando descredibilizar os índices econômicos do governo Lula, com o pedido de afastamento de Pochmann do IBGE, em um cenário parecido com o de 2022, em que vazamentos seletivos, desta vez, sobre o caso Master, buscam criar um clima de “crise institucional” e “corrupção sistêmica”, além do pânico financeiro, faltando 7 meses para as eleições presidenciais em que Lula figura como favorito para conquistar seu quarto mandato no Palácio do Planalto.
Assessoria/ Plinio Teodoro /Caminho Político
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