Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

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terça-feira, 17 de março de 2026

Escândalo de corrupção com criptomoedas coloca Milei sob pressão

O escândalo envolvendo o token $LIBRA agravou a pressão política sobre o presidente argentino Javier Milei e abriu uma nova frente de confronto no Congresso. De acordo com informações da emissora argentina C5N, ex-integrantes da comissão investigadora da Câmara dos Deputados realizaram nesta segunda-feira uma coletiva de imprensa para cobrar explicações do governo e anunciar novas medidas judiciais e parlamentares após as revelações surgidas na investigação do caso.
A iniciativa foi definida em reuniões virtuais realizadas ao longo do fim de semana, depois que vieram a público chats apagados entre Mauricio Novelli e Javier Milei. Para a oposição, os novos elementos reforçam a linha de investigação já construída no Parlamento e aprofundam as suspeitas de que o episódio esteve longe de ser um fato isolado ou casual.
Participaram da coletiva, entre outros, Maximiliano Ferraro, ex-presidente da comissão, Sabrina Selva, Juan Marino, Mónica Frade, Christian Castillo, o deputado cordobês Oscar Agost Carreño e parlamentares da Unión por la Patria, da esquerda e do interbloco Unidos. Também compareceu o deputado Oscar Zago, que integrou a comissão, mas não assinou o relatório final.
Os oposicionistas sustentam que as novas provas fortalecem as conclusões já apontadas pela comissão investigadora. Ferraro foi um dos mais duros ao comentar o caso. “As provas apresentadas pela comissão investigadora e as perícias do Ministério Público Fiscal são mais do que contundentes. Cada uma confirma o que vimos apontando desde o primeiro dia”, afirmou.
Na avaliação do deputado, o material reunido até aqui desmonta a versão de que o caso teria sido fruto de improviso. “Hoje está absolutamente provado que o lançamento e a promoção de $Libra não foram improvisados nem acidentais por parte do presidente”, declarou.
Ferraro foi ainda mais incisivo ao atribuir intencionalidade política ao episódio. “Foi uma operação. O presidente tentou instalar a ideia de que tudo tinha sido um erro, um episódio isolado e que ele não estava inteirado do que acontecia naquele 14 de fevereiro. A realidade superou a ficção”, acrescentou.
Oposição anuncia nova ofensiva judicial
Durante a coletiva, os ex-integrantes da comissão informaram que avançarão com uma denúncia contra o promotor Eduardo Taiano perante o Tribunal de Disciplina do Ministério Público Fiscal, sob acusação de possível obstrução da investigação. Além disso, pedirão o afastamento dele do caso.
A medida mostra que a oposição pretende ampliar a batalha institucional para além do Parlamento, levando o caso também ao centro da disputa judicial. A avaliação entre os deputados é de que as novas revelações exigem respostas mais duras e uma atuação mais incisiva dos órgãos de controle.
Congresso mira Milei e seu círculo mais próximo
No plano parlamentar, a oposição anunciou que apresentará pedidos de informação para que Javier Milei, Karina Milei, Santiago Caputo e Demian Reidel expliquem o teor de suas conversas telefônicas com Mauricio Novelli. Também será impulsionado um pedido de interpelação do chefe de Gabinete, Manuel Adorni, e de Karina Milei.
A estratégia busca ampliar a responsabilização política e atingir diretamente o núcleo do poder na Casa Rosada. Ao mirar interlocutores centrais do presidente, a oposição tenta demonstrar que o escândalo das criptomoedas envolve não apenas Milei, mas também figuras-chave do entorno presidencial.
Pressão sobre os demais blocos
O deputado Juan Marino afirmou que a coletiva teve também o objetivo de pressionar os demais blocos parlamentares a se posicionarem. “A coletiva de imprensa também é um chamado aos outros blocos legislativos para que se pronunciem”, disse.
Ele ainda advertiu que o silêncio do governo diante das novas provas produz forte desgaste político. Segundo Marino, a ausência de resposta oficial “os autoincrimina”. A declaração explicita a tentativa da oposição de isolar o oficialismo e forçar outros setores do Congresso a romperem a hesitação diante do caso.
Divisões na oposição sobre os próximos passos
As medidas anunciadas resultaram de um acordo entre os ex-integrantes da comissão, mas os próprios deputados reconhecem que há divergências internas sobre qual deve ser a próxima etapa. Nas discussões do fim de semana, surgiram três posições principais dentro da oposição.
Um grupo defende que as novas provas reforçam a necessidade de impulsionar um processo de impeachment contra Milei. Outro prefere insistir em uma segunda etapa de investigação no Congresso, aprofundando a apuração parlamentar. Já uma terceira corrente avalia que, diante da falta de votos, é mais prudente evitar o anúncio de iniciativas que depois não possam avançar.
A divergência revela tanto a gravidade do escândalo quanto os limites concretos da correlação de forças no Parlamento argentino. Ainda que o caso produza desgaste crescente para o governo, a oposição sabe que transformar esse desgaste em ação institucional efetiva depende de uma base legislativa mais robusta.
Falta de votos freia medidas mais duras
Os próprios deputados admitem que, neste momento, não reúnem os números necessários para avançar com algumas das ferramentas parlamentares mais contundentes. A estimativa é de cerca de 124 legisladores, número insuficiente para determinadas iniciativas de maior impacto.
Essa limitação ajuda a explicar o esforço da oposição para manter o caso permanentemente em evidência. Sem maioria garantida para medidas mais drásticas, os parlamentares apostam no acúmulo de denúncias, pedidos de informação e pressão pública para desgastar Milei e ampliar o custo político do escândalo.
Sabrina Selva vê desmentido da versão oficial
A deputada Sabrina Selva afirmou que os novos chats e ligações conhecidos no processo confirmam aquilo que classificou como a primeira falsidade do presidente argentino. “Confirmam a primeira mentira de Milei”, declarou.
Em seguida, Selva foi direta ao apontar a contradição entre a versão de Milei e os elementos já revelados. “Ele disse que não sabia do que se tratava, mas esteve em contato com os criadores de Libra e esteve sincronizadamente conectado”, afirmou.
A fala reforça a linha central da oposição: a de que Milei tentou se descolar do escândalo alegando desconhecimento, mas os elementos reunidos até agora indicariam proximidade com os envolvidos na criação e promoção do token. É justamente essa contradição que sustenta a nova ofensiva parlamentar e judicial contra o governo.
Com a coletiva desta segunda-feira, a oposição argentina procurou mostrar que o caso $LIBRA está longe de ser encerrado. Ao combinar pressão institucional, novas denúncias e cobrança de explicações do círculo mais próximo de Milei, os deputados transformam o escândalo das criptomoedas em mais uma frente de desgaste para um governo cada vez mais acuado por suspeitas de corrupção.
Assessoria/ Brasil 247/Caminho Político
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