Em protesto contra apagões e falta de alimentos, grupo destrói sede do partido na cidade de Morón e provoca incêndio. Cinco são detidos, e Díaz-Canel diz que "não haverá impunidade". Uma sede provincial do Partido Comunista, o único autorizado em Cuba, foi invadida neste sábado (14/03) por manifestantes revoltados com os prolongados apagões e a escassez de alimentos. Essa rara manifestação pública de descontentamento aconteceu em meio à crescente insatisfação social na ilha, que atravessa uma profunda crise econômica, com escassez de alimentos e combustível, agravada com a suspensão do fornecimento de petróleo bruto da Venezuela, após o fim do governo de Nicolás Maduro.
"Abaixo a ditadura!"
A invasão aconteceu na madrugada de sábado na sede do Partido Comunista de Cuba no município de Morón, província de Ciego de Ávila (região central), a cerca de 460 quilômetros de Havana.
Os manifestantes, batendo panelas e frigideiras, gritavam "eletricidade e comida!", "liberdade!", "pátria e vida!" e "abaixo a ditadura!", de acordo com diversos vídeos nas redes sociais. O periódico oficial Invasor noticiou que cinco pessoas foram presas.
"O que inicialmente transcorreu de forma pacífica resultou em atos de vandalismo contra a sede do comitê municipal do partido, onde um grupo mais reduzido de pessoas apedrejou a entrada do imóvel e provocou um incêndio na rua com os móveis da recepção", relatou o jornal.
Equipes especiais do Ministério do Interior avançaram contra as pessoas reunidas em frente à sede do partido. Houve prisões e sons semelhantes a tiros foram ouvidos. Várias testemunhas relataram ferimentos.
"Não haverá impunidade"
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse haver um "mal-estar" social na ilha, mas garantiu que "não haverá impunidade" para atos desse tipo.
"O desconforto causado pelos prolongados apagões em consequência do bloqueio energético dos EUA é compreensível", mas "não haverá impunidade para o vandalismo e a violência", afirmou. Moradores relataram à agência de notícias AFP que há apenas uma hora e meia de eletricidade por dia em Morón. No município de cerca de 70 mil habitantes, todos os hotéis, principal fonte de emprego, estão fechados devido à crise de combustíveis e ao recuo no turismo. Com isso, muitas pessoas perderam seus empregos.
Cuba enfrenta uma profunda crise energética desde meados de 2024, mas o embargo de petróleo imposto pelo governo dos EUA desde janeiro agravou os apagões, praticamente paralisando a economia e alimentando a agitação social.
Especialistas independentes afirmam que a crise energética cubana resulta de uma combinação entre a crônica falta de investimentos no setor e o embargo americano em curso.
as (Efe, AFP)Caminho Político
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