O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que parece ainda não ter compreendido a envergadura do cargo que ocupa por um golpe do destino, após o trágico falecimento de Bruno Covas (PSDB), resolveu testar sua faceta de “bom bolsonarista”. Na tentativa desesperada de ser aceito pela ala radical e pelo clã de Jair Bolsonaro (PL), a quem se humilha constantemente em busca de apoio, Nunes mirou na ministra Simone Tebet. O resultado? Uma resposta avassaladora que o deixou falando sozinho. Ao comentar a filiação de Tebet ao PSB para disputar o Senado por São Paulo, o prefeito, cujas raízes políticas são tão superficiais quanto seu discurso, tentou diminuir a trajetória de uma mulher que já foi prefeita, senadora, ministra e candidata à Presidência da República. Chamou-a de “marionete de Lula”. A reação da ministra, durante o ato de filiação na Assembleia Legislativa (Alesp) nesta sexta-feira (27), foi um exercício de elegância e autoridade que Nunes, em sua insuficiência política, desconhece.
“Tá pra nascer o homem”
Sem papas na língua, Tebet desmascarou a misoginia gratuita e barata do prefeito:
“Primeiro que tá pra nascer o homem que vai me direcionar e fazer de mim uma marionete. Meu pai até que tentou. Quando ele falava com jeitinho e até atendia, por dever filial, e por meu pai ter sempre conduzido a minha vida. Mas fora isso, tá pra nascer o homem. É mais fácil eu atender um pedido da Tabata, da Marina [Silva], das nossas mulheres do PSB, do que de qualquer outra autoridade masculina desse país… Eu tenho o maior respeito pelo presidente Lula e, sim, eu vim a São Paulo por pedido do presidente Lula e de Geraldo Alckmin. Eles pediram que eu viesse a São Paulo ser candidata ao Senado Federal. Mas daí, [o que Nunes disse] é uma ofensa. Acredito que, de forma absolutamente deselegante, Ricardo Nunes foi absolutamente deselegante com todas as mulheres brasileiras… Ricardo Nunes, você sabe do carinho que eu tenho por você. [Mas isso] Não é forma de se fazer política. É uma forma agressiva, inclusive, de dar exemplo para as mulheres. É com quem diz: ‘não venham as mulheres quererem fazer política, porque nós aí vamos poder falar pra vocês mulheres, o que não falamos para homens’. Se eu fosse homem, ele teria coragem de dizer isso?”, disparou a pré-candidata.
O “ninguém” que quer ser alguém
É curioso observar o esforço de Ricardo Nunes em mimetizar o comportamento do grupo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele, que até pouco tempo era um ilustre desconhecido na política paulistana e hoje é desdenhado por muitos dos próprios bolsonaristas que tenta agradar, resolveu atacar justamente uma herdeira de um clã político respeitado, filha do saudoso Ramez Tebet, e com uma invejável densidade eleitoral própria.
Enquanto Nunes se perde em ataques machistas, Tebet consolida sua posição na chapa de Lula e Fernando Haddad, trazendo o peso da “frente ampla” que ajudou a salvar a democracia em 2022. Sobre a família Bolsonaro, a quem Nunes agora presta vassalagem, a ministra foi curta e grossa: “Dificilmente se conhece na política uma família tão personalista. Nada é feito sem anuência ou determinação do pai”.
Campanha “pé no chão”
Ao lado de Geraldo Alckmin (PSB) e Tabata Amaral (PSB-SP), Tebet formalizou sua entrada no PSB com o discurso de quem conhece o Brasil real. Prometeu uma campanha enxuta, de “tênis no pé e camiseta”, longe do mar de dinheiro e da corrupção que, segundo ela, afasta os jovens da política.
Para Nunes, que escolheu o caminho da agressividade para mascarar sua falta de protagonismo, fica a lição: política se faz com envergadura, não com ataques misóginos de quem ainda não aprendeu a sentar na cadeira que herdou.
Assessoria/Caminho Político
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