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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Master pagou milhões a site de notícias e a ex-advogado de Bolsonaro

Relatórios da Receita Federal (RF) e do Banco Central (BC), divulgados nesta manhã, detalham uma rede de pagamentos determinados por Vorcaro a políticos influentes, ex-ministros e veículos de comunicação.
O envolvimento de pessoas influentes no escândalo do Banco Master cresceu, nesta quinta-feira, com a divulgação de dados comprometedores sobre o uso do poderio financeiro junto a políticos, meios de comunicação e influenciadores digitais para sustentar a imagem positiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso sob suspeita de liderar a maior fraude financeira na história moderna do país.
Relatórios da Receita Federal (RF) e do Banco Central (BC), divulgados nesta manhã, detalham uma rede de pagamentos determinados por Vorcaro a políticos influentes, ex-ministros e veículos de comunicação. Entre os beneficiários citados nos documentos estão o ex-presidente de facto Michel Temer e o site brasiliense de notícias ‘Metrópoles’.
Cunhado
Contratos de consultoria e serviços jurídicos estão, hoje, sob análise das instâncias de controle que buscam identificar se os repasses serviram como contrapartida para a defesa de interesses do grupo financeiro em Brasília e no Judiciário.
Os pagamentos de alta monta alcançaram Fabio Wajngarten, ex-secretário de comunicação da Presidência da República e advogado pessoal do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL), cuja empresa teria recebido cerca de R$ 38 milhões do grupo vinculado a Vorcaro. O inquérito aponta que os valores foram destinados à defesa jurídica e estratégica do banqueiro.
O escritório de advocacia de Michel Temer, por sua vez, teria recebido R$ 10 milhões do Banco Master, ao longo do ano passado, quando da eclosão do escândalo que mobilizou a opinião pública. O ex-presidente, em sua defesa, afirma que o pagamento diz respeito à contratação de “uma atividade jurídica de mediação” no valor de R$ 7,5 milhões, contestando o que foi informado pelo banco à Receita.
Funerárias
A RF, em um esforço de investigação, mapeou que a estrutura de pagamentos do Banco Master se estende a uma lista diversificada de políticos, a maioria deles ligada ao campo da direita e da ultradireita, em uma rede de influência que permeia órgãos reguladores e esferas de decisão em nível federal.
A diversificação dos destinos de verdadeiras fortunas inclui, em outra frente de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), até a Prefeitura de São Paulo sobre os ligações entre o Banco Master e as concessionárias responsáveis pelos serviços funerários na cidade.
A gestão de Ricardo Nunes (MDB) foi acionada para explicar a origem do financiamento das empresas que assumiram o setor após a privatização, uma vez que o banco de Vorcaro aparece como o principal suporte financeiro das operações. O tribunal busca esclarecer se houve favorecimento ou irregularidades na composição societária e financeira desses contratos públicos.
Ferramenta
Os documentos divulgados também revelaram que o site ‘Metrópoles’, de propriedade do ex-senador Luiz Estêvão, recebeu do Banco Master R$ 27,2 milhões ao longo dos dois últimos anos, em operações financeiras sob suspeita. A relação financeira entre uma instituição bancária sob investigação e um dos maiores portais de notícias do país tem sido monitorada para verificar se o apoio econômico influenciou a cobertura jornalística ou até serviu como ferramenta de blindagem mediática.
O relatório da RF destaca que os aportes foram realizados de forma “inusitada” e apresentam uma movimentação financeira incompatível com o faturamento médio mensal do veículo de comunicação. A natureza das transações levantou alertas nos órgãos de controle sobre a finalidade real dos recursos transferidos pela instituição financeira ao grupo midiático.
Procurado por jornalistas, o Estêvão afirmou que os pagamentos dizem respeito ao patrocínio do Will Bank, que pertencia ao Master, à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025, feita pelo ‘Metrópoles’, e à venda dos naming rights da competição. Em relação às transferências para empresas da família, ele diz que pode dar a destinação que quiser ao dinheiro recebido.
Relatório
Os pagamentos se concentraram no fim de 2024 e ao longo de 2025 até outubro, um período determinante para a instituição financeira. O ex-banqueiro tentava, à época, vendê-la ao BRB. Em março, tornou-se alvo de investigações por suspeita de fraude financeira bilionária e viu sua empresa ser liquidada pelo BC, em novembro.
De acordo com o relatório, o Master aparece como “principal remetente” de recursos ao ‘Metrópoles’ nos período analisados em 2025, com pagamentos variados que chegam a R$ 5,7 milhões. Embora os repasses tenham se iniciado em janeiro de 2025 e Luiz Estevão os atribua ao contrato de patrocínio da Série D, as transmissões somente começaram a exibir a logomarca do Will Bank três meses depois do início do campeonato.
A competição teve início em 19 de abril de 2025, quando o ‘Metrópoles’ e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciaram, nos dias 2 e 3 de julho, respectivamente, um acordo referente apenas à transmissão dos jogos. As primeiras partidas exibidas no YouTube, gratuitamente, foram as da 11ª rodada da Série D, com 15 jogos transmitidos nos dias 5 e 6 de julho.
Liquidação
O campeonato passou a ser chamado de ‘Brasileirão Série D Will Bank’. Foi a primeira vez que a competição, organizada pela CBF, teve os “direitos sobre o nome” comercializados. A logomarca do Will Bank, no entanto, foi instalada na placa de publicidade central dos campos de jogo somente a partir de 26 de julho, na 14ª rodada, a última da primeira fase, mais de três meses após o início do campeonato e seis meses após o Master começar a injetar dinheiro no site de notícias.
Luiz Estevão, por sua vez, nega que os valores negociados com o Master tenham sido exagerados. Segundo afirmou aos repórteres que o procuraram, os pagamentos deveriam ter sido ainda maiores, mas foram cortados com a liquidação do banco.
O valor foi maior. Eles não pagaram tudo. Ainda estão devendo dinheiro e estamos atrás de receber. O valor não está nada fora. E ainda temos que comprar os direitos da CBF, que não disponibiliza gratuitamente, não. O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser — resumiu.
Influencer
O jornalista Leo Dias também aparece na lista de beneficiados pelo Banco Master. Dono de um blog de notícias populares, Dias recebeu R$ 11,9 milhões de empresas ligadas a Vorcaro, incluindo R$ 9,9 milhões pagos diretamente pela instituição e outros R$ 2 milhões de uma companhia que teve aportes do mesmo grupo financeiro. Os valores estariam relacionados a contratos publicitários firmados com empresas do conglomerado, segundo apurou o diário conservador paulistano ‘O Estado de S. Paulo’.
Leo Dias afirmou que os recursos recebidos são referentes a um acordo comercial com o Will Bank, instituição financeira que integrava o conjunto de empresas sob controle do empresário Daniel Vorcaro. O jornalista sustenta que os pagamentos têm natureza publicitária e estão vinculados à prestação de serviços de divulgação.
A apuração indica, por fim, que os repasses ocorreram em diferentes momentos e envolveram tanto o Banco Master quanto uma empresa que recebeu investimentos do mesmo grupo. A relação entre as companhias e o banco é apontada como elemento central para compreender o fluxo financeiro identificado.
Assessoria/CdB/Caminho Político
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