sexta-feira, 10 de abril de 2026

Na Argentina, pesquisa mostra Milei atrás de candidato peronista

O “furacão” Javier Milei parece estar perdendo força diante da dura realidade econômica da Argentina. Pela primeira vez desde que vestiu a faixa presidencial em dezembro de 2023, o líder da coalizão de extrema direita La Libertad Avanza (LLA) aparece em desvantagem numérica e política diante do peronismo. Uma nova pesquisa da consultoria Opina Argentina acendeu o sinal vermelho na Casa Rosada ao revelar que o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, já supera o presidente em imagem positiva por uma margem de nove pontos, uma diferença inédita e simbólica para a oposição. Os dados são da pesquisa da consultoria Opina Argentina.
O desgaste de Milei, que até então parecia blindado por uma base fiel, acelerou de forma drástica em abril. Os indicadores do governo não apenas caíram, mas despencaram em um processo de deterioração que começou a se desenhar em janeiro. Hoje, o “libertário”, que na verdade é um extremista reacionário, amarga 63% de imagem negativa, sendo que 58% desses entrevistados classificam a percepção sobre o mandatário como “muy negativa”. Com apenas 35% de aprovação, Milei enfrenta o pior momento de sua gestão, acuado por uma inflação galopante e pelo ceticismo crescente da população.
A ascensão de Kicillof e o ressurgimento do peronismo
Enquanto o capital político de Milei derrete, Axel Kicillof se consolida como a principal referência da resistência. Mesmo sem apresentar variações explosivas em seus próprios números, a queda livre do presidente deixou o governador bonaerense em uma posição confortável: ele ostenta 44% de imagem positiva. Esse movimento reposicionou as peças no tabuleiro eleitoral: pela primeira vez, o peronismo, representado pelo bloco de Cristina Kirchner, Axel Kicillof e Sergio Massa, lidera as intenções de voto com 32%, superando o LLA por um ponto.
A crise de confiança no projeto “libertário” reflete-se na fuga de apoio. Em apenas um mês, o suporte direto a Milei caiu de 36% para 28%. Esse contingente parece ter migrado para o grupo dos indecisos, que saltou para 24%, mostrando que parte do eleitorado que apostou na “motosserra” está, no mínimo, em dúvida. Geograficamente, a rejeição é mais feroz na Patagônia (54%), enquanto o reduto de resistência do governo se limita ao Norte e à região de Cuyo.
O fim da paciência: economia e expectativas sombrias
O fator determinante para este cenário não é apenas o estilo agressivo de Milei ou os escândalos recentes, como o polêmico caso $LIBRA ou os questionamentos ao porta-voz Manuel Adorni, mas sim o bolso do cidadão. O otimismo que marcou o início do governo foi substituído por um pessimismo avassalador. Cerca de 62% dos argentinos afirmam que o país está pior hoje do que no ano passado, um salto de 14 pontos em relação a dezembro.
O dado mais alarmante para a Casa Rosada, contudo, é a quebra da expectativa de futuro, que atua como o termômetro da paciência social. Se em dezembro 46% acreditavam em dias melhores em um ano, esse número desabou para apenas 29% em abril. Em contrapartida, um “paredão” de 57% dos entrevistados sustenta que a situação econômica estará ainda pior daqui a doze meses.
Consenso entre institutos confirma a ladeira do governo
A crise de Milei não é um dado isolado de uma única consultoria. O sentimento de queda livre é corroborado por outros institutos de prestígio. A Zubán Córdoba y Asociados registrou uma queda de 15 pontos na aprovação desde a posse, situando o apoio ao governo em pífios 33,9%. Já a consultoria Trespuntozero aponta um recorde de rejeição de 66,2%.
Como diz o jargão estatístico, uma encuestadora pode até se equivocar, mas quando vários levantamentos apresentam dados tão convergentes, a realidade torna-se incontestável. Javier Milei, que prometeu salvar a Argentina com medidas de choque, agora luta para salvar sua própria imagem enquanto o peronismo, personificado por Kicillof, começa a vislumbrar o caminho de volta ao poder.
Assessoria/Henrique Rodrigues/Revista Forum/Caminho Político
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