Governo de Mato Grosso

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Rejeitado por Cleitinho, Eduardo Cunha vira ‘patinho feio’ e alvo de impasse no Republicanos

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha se tornou alvo de um imbróglio entre diretórios estadual e nacional do Republicanos. No apagar das luzes da janela partidária - e após ser rejeitado por outros partidos - Cunha se manteve na legenda e tentará viabilizar uma candidatura a deputado federal pela sigla, mesmo sob rejeição interna, como mostrou O TEMPO.
Uma das principais vozes de oposição ao ex-deputado carioca, que busca se recolocar no Congresso por meio da bancada mineira, é a do senador Cleitinho Azevedo. Possível candidato ao governo de Minas, ele disse à reportagem que foi contra à manutenção de Cunha nos quadros do Republicanos. Questionado se poderia, de algum modo, estar em campanha junto com Eduardo Cunha, ele foi categórico. “Não vou fazer”.
Em meio aos ruídos e críticas, a permanência de Eduardo Cunha no partido parece não ter paternidade. O presidente nacional do Republicanos, o deputado federal por São Paulo Marcos Pereira se afastou de qualquer responsabilidade sobre o assunto. “Esse tema foi ou deve ter sido discutido localmente”, respondeu ao ser perguntado sobre Eduardo Cunha.
Já o deputado federal Euclydes Pettersen, que preside a legenda no estado, se esquivou da responsabilidade ao afirmar que uma eventual candidatura de Cunha como deputado federal por Minas está sendo tratada pela executiva nacional, presidida justamente por Marcos Pereira. “Na verdade, o Cunha já está filiado ao partido antes mesmo da nossa entrada. Não houve decisão do diretório estadual, simplesmente ele estava filiado e permaneceu”, disse.
Rejeição
Nesta terça-feira, quando questionado pela reportagem sobre a rejeição, Eduardo Cunha afirmou não se preocupar com o eventual impacto da rejeição interna de parte do Republicanos na campanha de pré-candidato a deputado federal. “Não tenho qualquer preocupação com relação a isso e nem tenho que trabalhar nada. Eu tenho o compromisso da direção nacional do partido, razão pela qual decidi permanecer”, disse.
Cunha ainda indicou que não haverá problemas em seguir campanha solo em Minas, sem contar com ajuda de outros candidatos da sigla. “A minha campanha não depende de nenhum quadro do partido”, acrescentou ele que, inicialmente, não pretendia permanecer na legenda, mas acabou tendo insucesso nas tentativas de migrar a outras siglas, como o Podemos.
Na última semana, conforme mostrou O TEMPO, o Republicanos perdeu alguns parlamentares. Nos bastidores, o desembarque tem como um dos motivos a presença de Cunha. O histórico ligado a denúncias de corrupção é visto como um potencial desgaste que pode gerar arranhões aos demais pré-candidatos da legenda que vão buscar cadeiras na Câmara ou na Assembleia Legislativa (ALMG) em outubro.
Em agosto do ano passado, o senador Cleitinho Azevedo já havia criticado publicamente a presença de Cunha no partido. “Aqui em Minas Gerais tem um canalha, um vagabundo, que chama Eduardo Cunha, que está vindo para cá agora, querendo fazer campanha para deputado federal. Vocês vão ter coragem de votar num vagabundo desse? Por que ele não vai para o Rio de Janeiro fazer campanha lá?”, questionou. À época, Cunha acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra Cleitinho.
Estratégia em Minas
Nos bastidores, Cunha tem ampliado sua atuação em Minas. O ex-deputado montou uma rede de rádios evangélicas no estado, estratégia semelhante à adotada no início de sua carreira no Rio de Janeiro. Há ao menos sete CNPJs de rádios ligadas a ele e a familiares em Minas, além de três emissoras com o nome “Maravilha”, em cidades como Belo Horizonte, Guarani e Uberaba.
Atualmente filiado ao Republicanos, Cunha quer disputar por Minas para evitar concorrência direta com a filha, deputada federal Dani Cunha (União Brasil), no Rio de Janeiro. Em 2022, ele tentou se eleger deputado federal por São Paulo, mas obteve cerca de 5 mil votos.
Trajetória política e judicial
Cunha foi deputado federal entre 2003 e 2016 e presidiu a Câmara entre 2015 e 2016. À frente da Casa, aceitou o pedido que deu início ao processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em dezembro de 2015.
No ano seguinte, tornou-se alvo da operação Lava Jato, acusado de corrupção em contratos da Petrobras. Foi afastado da presidência da Câmara pelo STF e teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar.
Preso preventivamente em outubro de 2016, Cunha foi condenado em 2017 a mais de 15 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em 2020, passou ao regime domiciliar. Em 2023, o STF anulou a condenação, ao entender que o caso deveria ter tramitado na Justiça Eleitoral.
Assessoria/Simon Nascimento/Otempo/Caminho Político
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