Governo de Mato Grosso

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Supersexta da inflação traz dados do Brasil e dos EUA sob sombra da guerra

Números do IPCA e CPI de março serão divulgados nesta sexta-feira em meio a incertezas globais com conflito no Oriente Médio.A agenda econômica desta sexta-feira (10) tem como destaques os dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos no mês de março, indicadores que serão acompanhados de perto pelo mercado financeiro e por bancos centrais, à medida que buscam pistas dos reflexos da guerra no Oriente Médio sobre a economia mundial.
Por aqui, os números do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) serão publicados às 9h, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Já às 9h30, o Departamento do Trabalho dos EUA divulga o CPI (na sigla em inglês para Índice de Preços ao Consumidor).
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, ressalta que os dados saem em um momento de grande pressão sobre as autoridades monetárias com incertezas sobre desfechos nos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã.
"Nossa expectativa de inflação é que, nos próximos números, apareçam de forma clara os resultados do conflito no Oriente Médio sobre os preços brasileiros, resultando em preços mais elevados - o que vai gerar um cenário desafiador para as expectativas de inflação do Banco Central, porque isso tem potencial para pressioná-las ainda mais", indica Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.
As expectativas vinham se deteriorando continuamente desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no dia 28 de fevereiro.
Nos cinco dias úteis até a última quinta-feira (2), a mediana do mercado apontava alta de 0,7% na comparação mensal de março do IPCA, segundo apuração do BC (Banco Central).
Após dados já elevados na prévia apurada pelo IPCA-15, o Santander foi um dos que revisou suas expectativas para cima, prevendo alta de 0,72% em relação ao mês anterior, e 4% em relação ao ano passado.
A principal fonte de dispersão para as projeções está na calibração do aumento de dois itens voláteis, segundo análise de Adriano Valladão, economista do banco espanhol: gasolina e alimentos para consumo doméstico.
IPCA pressionado
Analistas e casas consultadas pelo CNN Money esperam reflexos claros da guerra nos dados desta sexta.
"A gente está sofrendo um choque importante agora, um choque de oferta por conta da alta dos preços do petróleo e isso cria um ruído adicional na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil para a convergência da inflação", diz Roberto Padovani, economista-chefe do BV, que vê o IPCA em alta de 0,71% na margem mensal, e de 3,97% no acumulado do ano.
Alimentos e combustíveis são os destaques que Padovani aponta como pesos ao bolso do consumidor brasileiro no mês de março.
Além destes componentes, itens do núcleo da inflação - que buscam identificar a tendência de longo prazo dos preços, excluindo itens voláteis - têm mostrado "surpresa altista" nas últimas leituras, destaca o economista Ederson Schumanski no relatório macroeconômico de abril do BTG Pactual.
"O processo de desinflação iniciado ao longo do ano passado começa a dar sinais de estabilização. [...] Alimentação no domicílio começando a pressionar, principalmente por produtos in natura e proteínas. Serviços continua sendo o grupo mais resiliente, em linha com um mercado de trabalho apertado e expectativas desancoradas", pontua, ressaltando como a guerra deve impactar os preços no longo prazo.
"Riscos que estavam assimétricos para baixo viraram. Petróleo no nível atual traz viés altista na nossa projeção do ano. [...] Adicionalmente, podemos ver pressão adicional em alimentos no segundo semestre por efeito secundário da alta do diesel."
Outros componentes que devem apresentar alta nesta leitura de inflação são bens industriais, vestuário e energia elétrica, segundo análise pré-IPCA do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval.
Além das pressões trazidas por passagens aéreas e de combustíveis impactando fretes e insumos, a consultoria 4intelligence aponta que devem aparecer, nas leituras ao longo do ano, contaminações por conta de reajustes mais fortes de energia elétrica e o aumento da tributação sobre cigarros.
Impacto na política monetária do Banco Central
As pressões advindas dos componentes destacados "constituem desafio para o BC", aponta o Daycoval.
Considerando o cenário como um todo, a 4intelligence avalia que "aumentaram as chances de que a inflação permaneça acima do limite superior da meta, de 4,5%, por mais de seis meses consecutivos, o que reforça a assimetria altista do balanço de riscos", consequentemente afetando o trabalho do Banco Central.
"Nessas circunstâncias, a postura cautelosa reiterada pelos diretores do Banco Central em relação aos próximos passos da política monetária mostra-se não apenas prudente, mas necessária. [...] Avaliaremos o desenrolar do cenário externo nos próximos dias para recalibrar nossas projeções para os próximos movimentos da taxa básica Selic e para o nível que ela atingirá no final do ciclo de cortes", diz relatório semanal da casa.
Inflação dos EUA
Principal indicador de preços acompanho pelo Federal Reserve, o PCE já havia reforçado na quinta-feira (8) que a inflação norte-americana segue bem acima da meta de 2% do BC dos EUA, segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Contudo, o indicador ainda não incorporava o impacto da guerra do Oriente Médio na economia.
"O fato de o PCE de fevereiro não capturar o choque mais amplo do fechamento de Ormuz reforça a visão de que o Fed ainda opera num ambiente de 'inflação residual', em que o núcleo já está acima da meta antes mesmo de o impacto de petróleo e frete se propagar integralmente para serviços e manufatura", destaca Zogbi.
Desse modo, ela ressalta que os dados do CPI de março devem vir mais fortes na publicação desta sexta-feira.
Padovani, do BV, ressalta que os preços de energia e combustíveis devem pressionar o índice, com o impacto do conflito nas bombas.
"No caso norte-americano, simplesmente a gente não vê convergência, no caso brasileiro a gente vê uma convergência, mas muito lenta. Isso antes do choque. Com o choque, essa dificuldade vai ser ampliada, e por esse aspecto os dois indicadores da manhã são importantes nos Estados Unidos e no Brasil. A gente vai avaliar qual é o impacto econômico e quais são os desafios para os bancos centrais", pontua.
O consenso do mercado projeta um CPI geral em torno de 1% na base mensal para março, a maior variação em um ano, com o núcleo em torno de 0,3%. Na base anual, o CPI geral deve ficar perto de 3%, abaixo do pico de 2022, mas ainda acima da meta de 2% do Fed.
"Parte do choque de energia já está rodando no CPI de março, sobretudo porque o preço da gasolina nos EUA subiu cerca de 35% a 40% desde o início do conflito, com o valor médio de galão ultrapassando US$ 4,09 e chegando perto de recordes históricos", explica Zogbi.
"Se o CPI vier no piso das expectativas, o Fed tende a reforçar a visão de que cortes de juros em 2026 serão poucos e diluídos no tempo, com foco em observar a trajetória de serviços e expectativas. Por outro lado, se mostrar nova aceleração, a chance de corte em 2026 recua e aumenta a possibilidade de aperto adicional, especialmente se o mercado de trabalho continuar firme e os preços de energia não caírem rapidamente", conclui.
Em relatório desta semana, o Itaú BBA alertou que bancos centrais ao redor do mundo devem manter juros mais elevados em decorrência do choque causado pela guerra no Oriente Médio.
Assessoria/João Nakamura/CNN Brasil, em São Paulo/Caminho Político
📢 Jornalismo profissional e de qualidade. Acompanhe as últimas notícias de Cuiabá, de Mato Grosso, de Brasil e do Mundo.
📲 📰 💻Siga o Caminho Político nas redes sociais 💻
🌐www.caminhopolitico.com.br
🌐www.debatepolitico.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário