Deputado Dr. João José

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Mato Grosso no Coração

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Brasil no topo IDH com Lula: Com Bolsonaro, índice afundou e retrocesso tomou tudo

O ingresso do Brasil na prestigiada faixa de “muito alto” Índice de Ddesenvolvimento Humano representa um divisor de águas histórico. Segundo o relatório Radar IDHM, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o país cravou a nota inédita de 0,805 em 2024, superando a barreira simbólica de 0,800. O resultado coloca o Estado brasileiro no topo da tabela global ao lado de potências globais, coroando uma guinada promovida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, para compreender a magnitude deste teto histórico, é preciso olhar para o retrocesso recente: a escalada ao topo só foi possível porque o país conseguiu estancar e reverter o colapso humanitário e estatístico legado por seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL).
A série histórica revela que o desenvolvimento humano brasileiro, em vez de uma linha reta, enfrentou uma severa fratura institucional entre 2019 e 2022. O Brasil, que historicamente sustentava uma trajetória de crescimento constante desde 1990, viu suas estruturas sociais derreterem sob a égide da extrema direita, empurrando os indicadores para os piores patamares em mais de uma década.
Diagnóstico do desmonte: O IDH sob Bolsonaro
Os dados consolidados do PNUD desenham com precisão o tamanho do fosso cavado pela gestão anterior, evidenciando como o Brasil empobreceu em termos de bem-estar e despencou de forma contínua no ranking mundial de nações. Tendo como ponto de partida o ano de 2018 (período pré-Bolsonaro), quando o país ostentava um IDH de 0,762 na 79ª posição global, o primeiro ano de mandato, em 2019, já acendeu um sinal de alerta ao registrar uma perda imediata de cinco posições, jogando o país para o 84º lugar com um índice estagnado em 0,764.
Nos anos seguintes, o tombo nominal tornou-se inevitável: em 2020, o indicador recuou para 0,758 mantendo a mesma colocação e, em 2021, sofreu o segundo recuo consecutivo ao atingir o piso de 0,754, fazendo o país amargar a 87ª posição. Ao final do ciclo, no ano de transição em 2022, embora o índice tenha ensaiado uma reação isolada para 0,760 (posteriormente ajustado retroativamente pelo Radar IDHM para 0,788), a inércia do desmonte bolsonarista consolidou a pior marca histórica do Brasil no ranking da ONU, empurrando a nação para a incômoda 89ª colocação mundial.
Os três pilares da tragédia bolsonarista
A derrocada do IDH no governo anterior operou por meio de um ataque sistemático às bases que sustentam o índice: longevidade, renda e educação.
Encolhimento da vida (Saúde)
O factor mais brutal para o tombo estatístico do Brasil foi o colapso do subíndice de longevidade. A condução negacionista da pandemia de Covid-19 pelo Palácio do Planalto, marcada pelo atraso deliberado na compra de vacinas e pelo deboche da crise sanitária, resultou em mais de 700 mil mortes e provocou um recuo inédito na expectativa de vida ao nascer do brasileiro. Em 2019, a média nacional era de 75,3 anos; em 2021, o indicador desabou para 72,8 anos. A perda de 2,5 anos de vida fez o país retroceder ao patamar de 2008, apagando treze anos de conquistas em saúde pública de uma só vez.
Fome como política de Estado (Renda)
No pilar socioeconômico, o desmantelamento das redes de proteção social e a precarização do mercado de trabalho empurraram o Brasil de volta ao Mapa da Fome da ONU, registrando a marca de 33 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar severa. O abocanhamento do orçamento pela lógica do teto de gastos reduziu o IDH Ajustado à Desigualdade (IDHMAD) para a casa dos 0,591 em 2021. Na prática, quando a desigualdade era colocada na conta, o Brasil de Bolsonaro era rebaixado diretamente para a categoria de “médio desenvolvimento”.
Apagão educacional (Educação)
Sob a gerência de ministros da Educação que priorizaram a guerra cultural em detrimento da gestão pública, o MEC abandonou estados e municípios durante o fechamento das escolas na pandemia. A ausência de suporte para o ensino remoto e a falta de políticas de busca ativa provocaram uma evasão escolar em massa e a estagnação do aprendizado, cujos impactos atingiram majoritariamente as populações negra e parda, paralisando os ganhos que vinham sendo aferidos desde 2012.
A Inflexão com Lula: Reconstrução que gerou o inédito 0,805
A chegada aos 0,805 pontos em 2024 e o consequente ingresso no topo do desenvolvimento humano só foram possíveis porque o governo Lula utilizou o Estado como indutor de bem-estar social logo no primeiro ano de mandato.
A partir de 2023, a restauração da estabilidade democrática e a retomada de políticas estruturais operaram uma recuperação ágil. O governo reconquistou imediatamente cinco posições no ranking da ONU já em seu primeiro ano, saltando para o 84º lugar com um IDH de 0,798. O redesenho do Bolsa Família, que voltou a exigir frequência escolar e vacinação, funcionou como o principal vetor de aceleração na educação, cujo subíndice disparou para 0,798 em 2024, crescendo a uma taxa expressiva de 1,35% ao ano.
Paralelamente, a forte recomposição orçamentária do SUS reverteu a perda da expectativa de vida, consolidando o subíndice de longevidade no recorde histórico de 0,860. Somado à política de valorização real do salário mínimo e à queda do desemprego, o país descentralizou o crescimento: regiões metropolitanas do Nordeste, como Grande Teresina (0,809) e Natal (0,822), tornaram-se os motores mais velozes de avanço.
Os dados de 2024 deixam claro o veredito: o patamar de “muito alto” Índice de Desenvolvimento Humano não foi uma evolução natural, mas uma conquista política que exigiu derrotar o projeto de subdesenvolvimento do governo extremista anterior para colocar, novamente, os mais vulneráveis no orçamento da União.
Assessoria/Henrique Rodrigues/Caminho Político
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