Pequim enviou ajuda à ilha socialista para aliviar falta de alimentos. Sob pressão dos EUA, país caribenho tem enfrentado apagões recorrentes após embargo americano ao petróleo. Cuba recebeu neste domingo (25/05) 15 mil toneladas de arroz doadas pela China, com a chegada ao porto de Havana do primeiro dentre vários carregamentos prometidos à ilha caribenha em crise aguda. "Este nobre gesto de solidariedade chegará a milhões de consumidores em todas as províncias, além de nossas instituições de saúde e educação", escreveu o presidente cubano Miguel Díaz-Canel nas redes sociais. "Os laços sinceros de amizade e cooperação que unem [Cuba e China] se fortalecem em momentos cruciais."
O embaixador chinês Hua Xin disse à televisão cubana que as entregas representam "a maior ajuda alimentar" da China a Cuba "nos últimos anos".
O carregamento é o primeiro lote de 60 mil toneladas de arroz que Pequim prometeu ao país abalado por uma grave crise econômica. A situação piorou desde a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro, com a imposição de um embargo americano à venda de petróleo a Cuba. Caracas era uma de suas principais apoiadoras.
Desde então, Cuba tem recebido somente ajudas pontuais de aliados.
Cuba enfrenta apagões em meio à crise econômica
Neste domingo, a previsão era de apagões simultâneos em até 64% do território cubano, segundo dados da estatal Unión Eléctrica (UNE) compilados pela agência de notícias espanhola EFE.
O governo cubano reconheceu recentemente que a situação energética da ilha é "aguda", "crítica" e "extremamente tensa", com alguns apagões na capital, Havana, durando 22 horas ou mais.
Na semana passada, foi registrado um recorde quando 70% do território cubano ficou simultaneamente sem energia no momento de maior consumo. Nesta semana, os apagões atingiram entre 58% e 65% da ilha.
O governo de Havana classificou o atual embargo petrolífero dos EUA — imposto além de um embargo comercial geral em vigor desde 1962 — como "genocida" e acusou Washington de "sufocar" a ilha.
Cuba precisa de aproximadamente 100 mil barris de petróleo por dia para atender às suas necessidades energéticas, mas produz apenas cerca de 40 mil.
Ameaças dos EUA contra Cuba
Enquanto isso, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, continua a intensificar a pressão política sobre Cuba, impulsionado em parte pelo eleitorado americano de ascendência cubana.
Mas derrubar Díaz-Canel dificilmente será tão simples quanto a operação para remover Maduro na Venezuela em janeiro, sobretudo pela falta de uma alternativa política evidente.
"O aparato de segurança em Cuba desmantelou sistematicamente toda fonte de poder alternativa ou potencialmente alternativa", disse à agência de notícias Reuters Orlando Perez, especialista em relações EUA–América Latina da Universidade do Norte do Texas, em Dallas.
As Forças Armadas cubanas também são mais coesas e ideologicamente alinhadas do que as da Venezuela, e mais propensas a resistir a uma intervenção estrangeira.
Havana também é vista como mais avançada nas áreas de vigilância e inteligência, após anos de cooperação com a União Soviética durante a Guerra Fria e, mais recentemente, com a China.
Assessoria/Matt Ford com Reuters, EFE e AFP/Caminho Político
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