Deputado Dr. João José

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Mato Grosso no Coração

domingo, 7 de junho de 2026

Brasil resgata boas ideias de início de Ancelotti, mas melhor arma não tem relação com escalação

O Brasil enfrentou o Egito em seu último jogo antes da Copa do Mundo de 2026 e venceu por 2 a 1. O amistoso serviu para reforçar o que Carlo Ancelotti pensa para a Seleção e como o time deve jogar no Mundial, mas também marcou mais um teste importante.
Igor Thiago como centroavante titular foi a grande novidade para o confronto. O atacante do Brentford já jogou antes como camisa 9 tradicional no Brasil e no último jogo contra o Panamá fez ótimo segundo tempo como um ponta-esquerdo nada ortodoxo.
Brasil resgata ideias do início da era Ancelotti, mas esbarra em lesão de Wesley
Em entrevista coletiva, Ancelotti reforçou que não mudará o sistema e que se manterá no 4-4-2 defensivo. Isso gerou interpretações mistas e, em sua maioria, equivocadas, sobre como o time seria escalado e jogaria. A equipe que foi a campo contra o Egito ilustra isso.
O Brasil saiu do 4-3-3 clássico que foi resgatado contra a Croácia e reforçado contra o Panamá e migrou para um híbrido com 4-2-3-1, com Lucas Paquetá na direita e Raphinha como meia-atacante. O camisa 11, no entanto, recompunha majoritariamente na esquerda na segunda linha do 4-4-2 em organização defensiva.
A ideia central lembrava o início da era Ancelotti e até mesmo a forma de construir da era Tite:
Com Wesley como um lateral muito alto e Douglas Santos ficando com os zagueiros, o Brasil construía em 3-1;
Bruno Guimarães ocasionalmente recuava para apoiar e criar um 3-2, mas geralmente ficava na diagonal, levemente à frente, pra criar uma linha de passe;
Com isso, Wesley, Paquetá, Raphinha e Vinícius criavam uma linha atrás de Igor Thiago, formando uma espécie de 3-2-5.
No entanto, a saída de Wesley aos 18 minutos acabou frustrando o plano inicial. O lateral sentiu a coxa e foi substituído por Danilo, menos ágil e ofensivo, o que deixava o time “torto” — Danilo não subia tanto e criava-se um buraco na direita, uma vez que Paquetá caía muito mais pelo meio.
Sem essa amplitude na direita, a marcação do Egito pôde focar em impedir a progressão central e conseguiu fazê-lo em diferentes oportunidades ao perseguir Paquetá e Raphinha individualmente. Mas, ainda assim, a ideia de prosseguir por dentro se manteve e deu sinais positivos.
Um ponto importante do início da era Ancelotti, que contava com um 4-2-4 com meias que caíam por dentro, era a participação de zagueiros na construção. Ibañez foi destaque nesse sentido e o Brasil teve dinâmicas muito positivas de terceiro homem para isso:
Raphinha como meia atacava a profundidade a partir do meio-espaço e levava um de seus marcadores, como fez Matheus Cunha no 4-3-3;
Isso abria espaço para Igor Thiago descer e receber como pivô e acionar Paquetá, Bruno ou Vinicius caindo por dentro, de frente.
Isso já foi marca registrada do Brasil de Ancelotti, mas se perdeu com as lesões de Rodrygo e Estêvão. A reunião de Bruno, Paquetá e Raphinha com um centroavante tradicional para trabalho de pivô, no entanto, resgatou isso.
Brasil volta ao 4-3-3 ‘ideal’ no segundo tempo e melhora
Se o primeiro tempo foi para testar uma reformulação de uma ideia que deu certo, mas se perdeu por conta de escolhas possíveis de jogadores, o segundo voltou ao 4-3-3 tradicional que deve ser marca registrada na Copa.
Com Luiz Henrique na direita e Raphinha na esquerda, o Brasil voltou a ter pontas de linha de fundo e que mantém a amplitude. Matheus Cunha entrou como meia e Endrick como centroavante, e a Seleção manteve seus laterais baixos na construção e teve mais facilidade para entrar no último terço com combinações pelos lados.
Foi assim, inclusive, que marcou o segundo gol brasileiro. Raphinha venceu seu duelo individual e levou à linha de fundo para encontrar Endrick atacando a profundidade na área.
Em 4-3-3, por outro lado, deixa o Brasil menos dominante com a bola. Não o torna um time necessariamente de transição, mas que foca menos na criação por dentro em detrimento da progressão pelos lados — que é mais suscetível a perdas de bola. No segundo tempo, por exemplo, o Egito teve mais posse de bola do que o Brasil, que teve 57% do tempo de bola na primeira etapa.
A melhor arma do Brasil é falha e não tem a ver com escalação
O que levou aos dois gols brasileiros contra o Egito foi a pressão alta. Mais do que isso: a pressão pós-perda. Mesmo que a marcação em bloco alto do Brasil seja falha em diversos momentos, principalmente por encaixes mal organizados dos atacantes, a pressão em transição tem sido positiva.
Foram assim que saíram dois gols contra o Panamá e novamente contra o Egito. Na primeira etapa, a pressão alta e orientada individualmente deixou o pivô egípcio sem opção de passe e permitiu que Bruno Guimarães saísse do seu encaixe para dar o bote e roubar a bola.
No segundo gol, o Brasil foi feroz para pressionar assim que perdeu a bola no campo de ataque e recuperou já acelerando com Raphinha, que deu a assistência. A atitude para subir a marcação tem sido constante, desde cedo, e se mantém ao longo dos jogos, mas tem claras falhas.
Contra o Panamá, o baixo ímpeto defensivo de Vini deixou Cunha em situações delicadas de escolher subir para pressionar ou proteger seu espaço, o que gerou efeitos dominós constantes. Contra o Egito, o Brasil subiu a marcação com perseguições mais longas, o que é perigoso: um duelo individual vencido do lado atacante desencadeia problemas.
No fim, o Brasil mostrou variação, mas esbarrou em uma lesão que pode impactar ainda mais as ideias do time. Foi assim durante quase toda a era Ancelotti: Raphinha perdeu muitos jogos, Rodrygo e Estêvão eram cruciais, mas não jogarão a Copa, assim como Eder Militão.
Assessoria/Guilherme Ramos/TrivelaBr/Caminho Político
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