A edição deste ano da Marcha para Jesus, realizada em São Paulo, provocou amplo debate nas redes sociais e evidenciou uma crescente insatisfação com a associação entre religião e política. Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, um levantamento da consultoria Ativaweb DataLab, analisou mais de 17 milhões de menções públicas nas primeiras 20 horas após o evento e apontou que a principal narrativa identificada foi a rejeição ao uso político de manifestações religiosas.
Presença de políticos domina repercussão
O diagnóstico foi realizado um dia após a Marcha para Jesus reunir figuras que já aparecem entre os nomes cotados para a sucessão presidencial. Participaram do evento o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), além do advogado-geral da União, Jorge Messias, representante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre as manifestações monitoradas nas redes, uma das expressões mais recorrentes foi: “Marcha para Jesus ou Marcha para Bolsonaro?”. O questionamento sintetizou a percepção de parte dos usuários sobre a excessiva presença da pauta política em um evento originalmente voltado à manifestação religiosa.
De acordo com os pesquisadores, parcela significativa das publicações criticou a participação de pré-candidatos e a utilização de discursos religiosos vinculados ao cenário eleitoral.
Flávio Bolsonaro registra maior rejeição
Entre os políticos monitorados, Flávio Bolsonaro concentrou o maior volume de exposição digital e também o maior índice de rejeição. Segundo o levantamento, 51,9% das menções ao senador tiveram teor negativo. A consultoria atribui parte dessa repercussão à declaração em que o parlamentar afirmou que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e que “o mal vai ser expulso do governo”.
Jorge Messias e André Mendonça têm melhor desempenho
Em contraste, Jorge Messias apareceu entre os nomes mais bem avaliados no ambiente digital. Conforme o estudo, 48,6% das menções ao advogado-geral da União foram positivas, enquanto 15,6% tiveram caráter negativo.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça apresentou o melhor desempenho reputacional entre todos os personagens monitorados. O levantamento registrou 52,1% de referências positivas ao magistrado.
Já o governador Tarcísio de Freitas manteve um quadro mais equilibrado. A análise aponta que ele não concentrou volumes expressivos de críticas nem de elogios, preservando uma imagem considerada estável e menos polarizada.
Ausência de Lula gera repercussão positiva
O estudo também destaca que a ausência do presidente Lula na Marcha para Jesus repercutiu de forma favorável em parte das redes sociais. Segundo os pesquisadores, diversos usuários interpretaram a decisão como uma demonstração de respeito ao princípio do Estado laico, o que contribuiu para avaliações positivas nesse segmento do debate digital.
Debate sobre os limites entre fé e política
Para a Ativaweb DataLab, o principal resultado do monitoramento é a constatação de que o eleitorado evangélico passou a expressar de forma mais evidente divergências sobre a mistura entre religião e política.
“A fé continua sendo uma das maiores forças de mobilização social do Brasil, mas a população conectada passou a discutir os limites entre religião e política”, conclui o levantamento.
Assessoria/Redação Brasil 247/Caminho Político
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