Deputado Dr. João José

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Mato Grosso no Coração

terça-feira, 2 de junho de 2026

O golpe do Flávio Bolsonaro deu ruim

A estratégia parecia simples. Bastava gritar “Cadê o Lulinha?”, jogar PCC e Comando Vermelho no debate público e torcer para que todo mundo esquecesse as histórias envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master, os financiamentos milionários e as conexões que vêm sendo investigadas nos últimos meses.
Não deu certo.
Enquanto setores do bolsonarismo tentam mudar de assunto, as investigações continuam avançando. E o mais curioso é que elas começam a surgir de diferentes lados, envolvendo órgãos distintos, mas apontando para personagens que aparecem repetidamente nas mesmas histórias.
Hoje, a Polícia Civil de São Paulo realizou ações envolvendo Karina Ferreira da Gama, ligada à GoUp, empresa que recebeu contratos milionários da Prefeitura de São Paulo. O caso chama atenção porque estamos falando de recursos públicos, contratos relevantes e questionamentos que agora passaram a interessar também aos órgãos de investigação.
Ao mesmo tempo, o deputado federal Alencar Santana pediu que a Polícia Federal investigue as relações de Flávio Bolsonaro com personagens ligados ao Comando Vermelho e às milícias. Não estamos falando de especulação política. Estamos falando de fatos que estão sendo levados formalmente às autoridades competentes.
Quem acompanha esse tema há mais tempo sabe que esse enredo não começou agora. O nome de Adriano da Nóbrega continua sendo uma sombra permanente sobre o entorno político de Flávio Bolsonaro. O caso das rachadinhas revelou vínculos que jamais foram completamente esclarecidos. Familiares do ex-capitão do Bope foram empregados no gabinete de Flávio. Movimentações financeiras chegaram a Fabrício Queiroz. Tudo isso faz parte de um histórico conhecido.
Agora, novos elementos vão sendo adicionados a essa história. Aparecem nomes como o de TH Joias, aparecem figuras centrais da política fluminense e personagens que transitam entre negócios, poder e influência política.
O que me chama atenção é que, quanto mais se tenta criar cortinas de fumaça, mais as investigações avançam. E quando diferentes linhas investigativas começam a se cruzar, o problema deixa de ser apenas jurídico. Passa a ser político.
Por isso, a aposta de transformar tudo em guerra ideológica parece cada vez menos eficiente. As perguntas continuam de pé. Quem se relacionava com quem? Quem financiava o quê? Qual era o papel de cada personagem nessa rede de interesses?
Mais cedo ou mais tarde, essas respostas terão de aparecer.
E é exatamente por isso que o golpe para mudar de assunto deu ruim.
Assessoria/Glauco Faria/Revista Forum/Caminho Político
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