Deputado Dr. João José

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Mato Grosso no Coração

domingo, 26 de julho de 2026

Brasil barra enviados dos EUA por risco de ofensiva às urnas

Itamaraty negou vistos de dois funcionários americanos após avaliar que a viagem seria usada para questionar o sistema eleitoral e alimentar dúvidas sobre as eleições presidenciais. O Itamaraty informou neste sábado (25/07) que o governo brasileiro rejeitou, no dia anterior, os pedidos de visto de dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Riley M. Barnes e Samuel Samson pretendiam desembarcar no país nas próximas semanas e teriam o objetivo de observar questões relacionadas à liberdade de expressão nas eleições presidenciais.No entanto, segundo fontes da diplomacia brasileira ouvidas em condição de anonimato pela agência de notícias Reuters, pelo jornal americano Washington Post e pela DW, o governo avaliou que a visita seria politicamente instrumentalizada e usada para lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Nos bastidores do Itamaraty, chamou a atenção que a solicitação foi apresentada à embaixada brasileira em Washington no dia 20 de julho, véspera de um encontro reservado do senador Flávio Bolsonaro com representantes de cerca de 40 países, no qual ele voltou a criticar as urnas eletrônicas.
Na ocasião, o pré-candidato à Presidência afirmou que o Brasil utilizaria em sua eleição equipamentos produzidos pela Smartmatic, empresa venezuelana associada pela CIA a suspeitas de fraude eleitoral. A informação já foi desmentida diversas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2020.
"Não vou entrar em detalhes, mas muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras [...] têm a mesma origem dessa empresa venezuelana", disse ele. Depois, argumentou que "não estava questionando o sistema eleitoral brasileiro" e pediu a presença de observadores internacionais.
Ambiente de desconfiança
A avaliação de assessores do Planalto foi de que os representantes americanos não se enquadravam no perfil tradicional de observadores eleitorais internacionais, frequentemente convidados a acompanhar eleições em diferentes países. Há a percepção de que o movimento teria o real objetivo de criar um ambiente de desconfiança sobre a lisura da eleição.
Reportagem publicada pelo Washington Post neste sábado, um dia após a decisão do Itamaraty, afirma que os assessores foram escalados pelo Departamento de Estado para produzir um relatório que questionaria o sistema de votação eletrônica do país. A informação foi confirmada também pela Reuters, que ouviu funcionários do governo americano.
Ainda segundo o Washington Post, Samson costuma promover a linha política conservadora do presidente americano Donald Trump e elaborar relatórios ministeriais.
A decisão ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasil e Washington, cujas novas taxas contra produtos brasileiros são vistas por críticos como politicamente motivadas.
O Departamento de Estado confirmou à imprensa que a viagem de Barnes e Samson estava na agenda dos dois funcionários, mas não detalhou oficialmente os objetivos da visita.
gq (Reuters, OTS)Caminho Político
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