Deputado Dr. João José

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Mato Grosso no Coração

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Nikolas Ferreira cria movimento próprio e deve deixar PL, do clã Bolsonaro

Nikolas Ferreira deve deixar PL no futuro e migrar para o Partido Novo, na avaliação de dirigentes da legenda em Minas Gerais. A projeção ganhou força com a articulação do deputado federal para eleger uma bancada alinhada diretamente a ele, um movimento próprio que amplia sua autonomia dentro da extrema direita e reduz sua dependência da estrutura comandada por Valdemar Costa Neto.
A informação sobre a aposta do Novo foi publicada na segunda-feira (27) pela coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, em apuração de André Shalders. Dirigentes ouvidos sob anonimato citaram uma suposta insatisfação de Nikolas com o PL e uma maior afinidade ideológica entre o parlamentar mineiro e o partido fundado em 2011.
O bastidor foi contestado publicamente pelos dois lados. Nikolas afirmou que nunca conversou com o Novo sobre uma possível filiação. Depois da publicação da reportagem, a direção nacional da legenda também divulgou nota na qual negou a existência de tratativas ou de uma expectativa institucional sobre a entrada do deputado.
Mesmo ao negar que prepara uma saída do PL, Nikolas confirmou o núcleo da articulação política. Em manifestação publicada em 7 de julho, o parlamentar admitiu que trabalha para formar um grupo eleitoral próprio.
“Estou trabalhando, sim, para eleger uma bancada de deputados legitimamente de direita, honestos e que compartilham do meu sonho de mudar o Brasil.”
Na mesma declaração, Nikolas disse que já estaria em outro partido caso pretendesse romper com o PL. O deputado continua registrado como parlamentar do PL de Minas Gerais na página oficial da Câmara dos Deputados. Não há, até o momento, pedido público de desfiliação, data para a mudança ou anúncio formal de acordo com outra legenda.
Nikolas Ferreira cria bancada própria e amplia autonomia
O movimento criado por Nikolas Ferreira não foi apresentado como um novo partido ou uma organização formal. Trata-se, até agora, de uma articulação para eleger deputados identificados diretamente com sua agenda política e sua liderança, formando uma bancada que possa atuar de maneira coordenada no próximo mandato.
A iniciativa dá ao deputado uma estrutura de poder que não depende exclusivamente do PL ou da família Bolsonaro. Uma bancada própria pode aumentar seu peso em votações, negociações internas, distribuição de cargos partidários e futuras disputas pelo comando da direita.
Nikolas reúne capital eleitoral suficiente para atrair candidatos e partidos. Em 2022, recebeu mais de 1,47 milhão de votos e tornou-se o deputado federal mais votado do país, segundo a Câmara dos Deputados. Esse patrimônio eleitoral e sua capacidade de mobilização digital ajudam a explicar o interesse atribuído a dirigentes do Novo.
Atritos de Nikolas Ferreira com o PL se acumulam
A construção de uma bancada própria ocorre após uma sequência de confrontos públicos dentro do bolsonarismo. Em fevereiro, a Fórum mostrou que Nikolas sinalizou a possibilidade de deixar o PL depois de ser pressionado por Eduardo Bolsonaro.
O conflito voltou a ganhar força em junho, quando Eduardo comparou Nikolas a Joice Hasselmann, ex-aliada do clã que rompeu com Jair Bolsonaro. A declaração foi recebida como uma ameaça política e provocou uma resposta pública do deputado mineiro.
Em julho, Nikolas voltou a negar que estivesse formando uma bancada para abandonar o PL. A negativa, porém, veio acompanhada da confirmação de que trabalha para eleger parlamentares ligados ao seu próprio projeto.
O deputado também não participou, no sábado (25), da convenção nacional que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Dois dias depois, durante a convenção estadual do PL em Minas Gerais, declarou apoio ao senador. A sequência reforça que há tensões internas, mas também mostra que a ruptura ainda não foi formalizada.
Novo nega negociação com Nikolas Ferreira
Segundo a reportagem do Metrópoles, dirigentes do Novo em Minas tratavam a futura filiação como praticamente certa. Eles apontaram a proximidade ideológica com a legenda e o desgaste de Nikolas com setores do PL como elementos favoráveis à migração.
A direção nacional do Novo, entretanto, afirmou que a avaliação não representa a posição institucional do partido. Em nota divulgada após a reportagem, a legenda declarou não haver qualquer conversa com Nikolas nem expectativa oficial de uma futura filiação.
As negativas estabelecem um limite claro para a apuração: a saída do PL permanece como uma expectativa de bastidor, e não como uma mudança confirmada. O fato concreto é que Nikolas organiza uma bancada identificada com sua liderança, movimento que pode servir tanto para ampliar seu poder dentro do PL quanto para sustentar uma futura migração partidária.
Por enquanto, o deputado segue no partido de Valdemar Costa Neto, declara apoio eleitoral a Flávio Bolsonaro e nega negociar com o Novo. A estrutura política própria, contudo, revela que Nikolas já trabalha para não depender apenas do sobrenome Bolsonaro ou da direção do PL.
Assessoria/Diego Feijó de Abreu/Caminho Político
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