A segunda semana da campanha se aproxima do fim com a sensação de que o eleitorado segue distante. Os carros com adesivos e bandeirinhas de candidatos a presidente ainda não apareceram. Quando muito, vemos um ou outro com propaganda de quem está de olho em um cargo no legislativo. Ainda é cedo para se falar em indiferença, mas o sentimento de que o eleitor está falando menos é real. Ou, pelo menos, está revelando menos aquilo que pensa. E a partir de hoje, com o início do horário eleitoral no rádio e na televisão, candidatos e partidos terão mais um instrumento para tentar conseguir o tão sonhado voto.
O primeiro ponto é tentar entender esse silêncio eleitoral. É indecisão, desinteresse ou apenas o reflexo de um eleitorado cansado de uma disputa política marcada pela polarização? O primeiro ponto a entender é que não se trata de um fenômeno simples. A ciência política trata há décadas do chamado voto envergonhado, quando o cidadão esconde sua preferência por receio da reação de outras pessoas. Há também situações em que o eleitor simplesmente não quer responder a uma pesquisa. São comportamentos diferentes e que não podem ser confundidos.
No Brasil, a experiência recente mostra que é preciso cautela antes de atribuir toda surpresa eleitoral ao voto oculto. Em 2018, desempenhos eleitorais muito acima das pesquisas, como os de Wilson Witzel no Rio de Janeiro e Romeu Zema em Minas Gerais, foram associados, inicialmente, à ideia de que os eleitores teriam escondido as preferências. Análises posteriores apontaram outro fenômeno: uma forte migração de votos nos últimos dias da campanha.
Em 2022, pesquisas da Quaest ajudaram a relativizar a tese do voto envergonhado. No caso de Jair Bolsonaro, a diferença entre a declaração direta e a estimativa obtida por uma metodologia indireta foi praticamente inexistente. Para Luiz Inácio Lula da Silva, houve uma pequena subnotificação. O dado mais interessante, porém, estava no motivo apontado para esse comportamento: em determinados ambientes, o eleitor preferia evitar conflitos.
É aí que o tema merece atenção. A polarização transformou a política em assunto delicado entre familiares, amigos e colegas de trabalho. Declarar um candidato pode significar, para algumas pessoas, abrir uma discussão que elas preferem evitar. Muitas vezes, o eleitor está convencido do voto e, ainda assim, opta pelo silêncio. Existe também a apatia. Depois de anos de confrontos políticos intensos, parte da sociedade parece menos disposta a acompanhar cada movimento de uma campanha. O excesso de informação, nesse caso, produz o efeito contrário ao desejado pelos candidatos. Em vez de mobilizar, cansa.
O horário eleitoral entra nesse ambiente com uma característica importante: já não tem mais as superproduções de outras épocas. Boa parte da verba passou a ser destinada para a campanha nas redes sociais, onde a geração de conteúdo é permanente e a disputa pela atenção é brutal. Ainda assim, as inserções diárias podem ter papel relevante. São apenas 30 segundos capazes de prender a atenção.
Por fim, o comportamento silencioso do eleitor também deve servir de alerta aos candidatos. Há uma diferença entre um cidadão que não decidiu e outro que prefere não contar. As pesquisas continuarão sendo importantes para compreender o cenário. Mas não conseguem medir tudo. O silêncio também é uma informação, embora seja uma das mais difíceis de interpretar. E não é só na política.
Assessoria/ Roberto Fonseca/Caminho Político
📢 Jornalismo profissional e de qualidade. Acompanhe as últimas notícias de Cuiabá, de Mato Grosso, de Brasil e do Mundo.
📲 📰 💻Siga o Caminho Político nas redes sociais 💻
🎯Instagram: https://www.instagram.com/caminhopoliticomt
🎯Facebook: https://www.facebook.com/cp.web.96
🌐www.caminhopolitico.com.br
🌐www.debatepolitico.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário