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domingo, 20 de setembro de 2026

Economia da Argentina trava a um ano da eleição e complica reeleição de Milei em 2027

A recuperação econômica da Argentina perdeu fôlego a um ano do início da campanha de reeleição de Javier Milei. No segundo trimestre, o PIB do país teve a primeira contração em dois anos: uma queda de 0,6% em relação aos três meses anteriores.
O tropeço acontece no momento em que preocupações como corrupção e desemprego passaram a superar a inflação na lista de temas que mais inquietam os argentinos.
Quando Milei chegou ao poder, em 2023, a chamada terapia de choque conseguiu frear o avanço dos preços. A inflação, que ultrapassava 200% na época, desacelerou para 34% no mês passado, aproximando o país da meta mensal do governo, de menos de 1%.
A produção também cresceu 2% na comparação com o ano anterior, puxada pela alta nas exportações de energia e produtos agrícolas e pela redução das importações. No primeiro semestre, 13 dos 16 setores da economia registraram crescimento.
Números que ainda não convencem
Para analistas, porém, os dados positivos não bastam. Segundo Jimena Zuniga, da Bloomberg Economics, os números do PIB ‘não são nem de longe convincentes o suficiente para dissipar as preocupações políticas, a principal variável que pesa sobre os mercados argentinos’.
O quadro do dia a dia da população é mais delicado. O consumo recuou 2,4% no segundo trimestre, enquanto o comércio varejista, a construção civil e a indústria manufatureira vêm perdendo postos de trabalho. A inadimplência nos empréstimos ao consumidor disparou, tema tratado recentemente em uma sessão no Congresso sobre o endividamento das famílias.
Carlos Melconian, da MacroView, resume a perspectiva delicada. ‘Independentemente de haver ou não dois trimestres negativos, a situação será extremamente apertada’, afirmou. Para ele, o impacto já é sentido diretamente pelos lares argentinos: ‘Os aspectos que as pessoas realmente sentem já estão sendo gravemente afetados’.
Emprego e empresas em queda
Desde pouco antes de Milei assumir o cargo, o emprego assalariado privado registrado encolheu em cerca de 246.300 postos de trabalho, e o número de empresas caiu em mais de 30.000. Cerca de metade desse emprego formal está concentrada em setores em dificuldade, enquanto apenas cerca de um quinto se apoia nas áreas que impulsionam exportações e investimentos.
O peso também deu sinais de fragilidade: a moeda se desvalorizou 3,7% frente ao dólar no período até agosto, quando os preços ao consumidor subiram 21%. Nas últimas semanas, houve intervenção oficial nos mercados de títulos e futuros.
A pressão aparece igualmente no discurso político. Em evento no início deste mês, Axel Kicillof classificou a atuação do governo como ‘política criminosa e suicida de desindustrialização do país’.
Paciência da sociedade em teste
A leitura sobre o humor da população é central para Osvaldo Giordano, do IERAL, ligado à Fundación Mediterránea. ‘A tolerância de uma sociedade não é a mesma quando se tem apenas um ano ruim’, avaliou. Ele acrescentou: ‘Aqui, trata-se de uma sucessão de anos muito ruins. Portanto, a paciência está menor’.
Os indicadores de opinião reforçam esse cenário. Na última pesquisa da AtlasIntel, a aprovação de Milei ficou em 38%, contra 58% de desaprovação. O mercado de trabalho foi descrito como ruim por 70% dos entrevistados.
Diante da desaceleração, o governo cortou a previsão de crescimento para 2026 nesta semana, reduzindo a estimativa de 5% para 3%. A expectativa de economistas, no entanto, está mais próxima de 2%.
Assessoria/BPMoney/Marina Finelli/Caminho Político
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