Deputado realizou primeiro transplante renal do estado, participou da articulação pela retomada do serviço e defende ampliar cirurgias com doadores falecidos. Quase 35 anos depois de participar da realização do primeiro transplante renal da história de Mato Grosso, o deputado estadual e médico nefrologista Dr. João (MDB) coloca o fortalecimento dos transplantes de órgãos entre as prioridades para um eventual terceiro mandato na Assembleia Legislativa. A proposta é ampliar os procedimentos realizados dentro do estado, aumentar a captação de órgãos e intensificar a conscientização das famílias sobre a importância da doação. A história de Dr. João com os transplantes começou muito antes da política. Em abril de 1992, no Hospital Geral, em Cuiabá, ele integrou o procedimento que marcou o primeiro transplante renal realizado em Mato Grosso. O feito abriu caminho para uma área que posteriormente passou por períodos de expansão e também de interrupção no estado.
“Isso aqui dói meu coração. Eu sou nefrologista. Eu fiz o primeiro transplante renal da história desse Estado, em 1992. De lá para cá nós fizemos um monte. Depois parou, agora foi retomada. Mas está muito lento”, afirmou Dr. João em pronunciamento feito na Assembleia no final de 2025.
Quando assumiu seu primeiro mandato parlamentar, em 2019, o médico passou a levar a discussão também para a Assembleia Legislativa e para as articulações com o Governo do Estado. A retomada dos transplantes renais foi debatida durante os anos seguintes e, em setembro de 2024, o Estado assinou a ordem de serviço para restabelecer o procedimento pelo SUS no Hospital São Mateus, em Cuiabá.
As cirurgias foram efetivamente retomadas em março de 2025. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o programa recebeu investimento superior a R$ 19 milhões por ano e passou a permitir novamente que pacientes fossem transplantados dentro de Mato Grosso.
Dr. João afirma que a retomada foi uma bandeira mantida desde sua chegada ao Parlamento e que o próximo objetivo é fazer com que o serviço avance em quantidade e modalidades.
“Eu luto por isso desde o meu primeiro mandato. Trabalhei para trazer de volta os transplantes, mas não basta retomar no papel. A população não pode doar órgãos aqui e ver esses órgãos salvarem vidas apenas fora de Mato Grosso. Temos condições, temos estrutura e temos profissionais”, afirmou.
Uma das frentes defendidas pelo parlamentar é ampliar a conscientização sobre a doação, principalmente diante da possibilidade de transplantes provenientes de doadores falecidos. A mobilização começou a ser organizada em julho de 2026, quando Dr. João reuniu representantes da comunicação da Assembleia para discutir uma campanha estadual sobre o tema.
A intenção para um eventual novo mandato é ampliar esse trabalho, levando informação aos hospitais, profissionais de saúde e principalmente às famílias. No Brasil, a retirada de órgãos de uma pessoa falecida depende obrigatoriamente da autorização familiar, mesmo quando o paciente manifestou em vida o desejo de ser doador. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que as pessoas conversem previamente com seus parentes sobre essa decisão.
“Quando um órgão é doado, uma família transforma um momento de dor em esperança para outra pessoa. Precisamos tratar esse tema com sensibilidade, informação e responsabilidade, porque a doação tem o poder de salvar vidas”, disse Dr. João.
No caso de morte encefálica, um único doador pode disponibilizar órgãos como coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino e rins, além de córneas e outros tecidos, desde que haja autorização da família e condições clínicas para o procedimento.
Profissionais capacitados em Mato Grosso
A ampliação dos transplantes também passa, segundo Dr. João, pelo aproveitamento da capacidade técnica já existente no estado. Em 2026, captações realizadas em Mato Grosso já contaram integralmente com equipes locais, incluindo profissionais do Hospital São Mateus e de unidades especializadas em tecidos oculares.
A própria Central Estadual de Transplantes informou que mais de 400 profissionais participaram de 13 capacitações sobre doação de órgãos e tecidos ao longo de 2025. O estado também conseguiu habilitar, pela primeira vez, uma equipe própria para captação de múltiplos órgãos, reduzindo a dependência de profissionais vindos de outras unidades da Federação.
Para Dr. João, essa estrutura precisa ser utilizada para aumentar principalmente os transplantes com órgãos de doadores falecidos. Em 2025, Mato Grosso realizou sete transplantes renais, sendo seis com doadores vivos aparentados e apenas um com doador falecido.
“Os transplantes estão acontecendo em Mato Grosso, mas ainda em ritmo abaixo do necessário. Precisamos estimular a doação e, ao mesmo tempo, corrigir alguns pontos importantes do processo”, afirmou o deputado ao apresentar a mobilização pela ampliação do programa.
Menos viagens e gastos com TFD
A realização de mais modalidades de transplante dentro de Mato Grosso também pode reduzir a necessidade do Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Quando determinado procedimento não é oferecido no estado, a SES encaminha o paciente para centros transplantadores de outras unidades da Federação e assume despesas relacionadas ao deslocamento, estadia e alimentação do paciente e do acompanhante.
Além do impacto financeiro para o sistema público, o tratamento fora do estado impõe uma rotina de deslocamentos justamente a pessoas que enfrentam doenças graves. A expansão da capacidade transplantadora em Mato Grosso permite que parte desses pacientes realize avaliação, cirurgia e acompanhamento mais perto da família e de sua rede de apoio.
O avanço recente mostra que há estrutura para ampliar o programa. Em 2025, a Central Estadual realizou 17 captações de múltiplos órgãos, que resultaram na retirada de 42 órgãos, entre eles 28 rins, 12 fígados e dois corações. O Hospital São Mateus está habilitado para transplante renal, e a SES iniciou processo para credenciamento da unidade também para transplante hepático.
Em 2026, as captações continuaram. Até maio, a Central Estadual já havia chegado à sexta captação de múltiplos órgãos do ano, com procedimentos realizados também fora de Cuiabá, como em Nova Mutum.
Para Dr. João, o desafio do próximo período é fazer com que a capacidade de captar órgãos seja acompanhada pela ampliação da capacidade de transplantá-los dentro do próprio estado.
“Estamos satisfeitos com a retomada, mas sabemos que ainda há muito a fazer. Nosso objetivo é oferecer esperança, atendimento e dignidade às pessoas que aguardam por um órgão em Mato Grosso”, afirmou.
Assessoria/Caminho Político
📢 Jornalismo profissional e de qualidade. Acompanhe as últimas notícias de Cuiabá, de Mato Grosso, de Brasil e do Mundo.
📲 📰 💻Siga o Caminho Político nas redes sociais 💻
🎯Facebook: https://www.facebook.com/cp.web.96
🌐www.caminhopolitico.com.br
🌐www.debatepolitico.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário