Há quem se mostre pequeno mesmo ocupando espaço de poder, e Flávio Bolsonaro fez isso de forma crua e sem pudor: ao zombar de alguém pela diferença no próprio corpo, mostrou que falta-lhe nobreza, educação e respeito humano. Chamar alguém de “nove dedos” não é brincadeira leve ou piada, é apontar uma condição pessoal como se fosse motivo de escárnio, é reduzir um ser humano a uma marca visível, ignorando tudo o que ele é, pensa, sente e faz. Quem age assim revela a própria alma estreita e fria, para quem a aparência e a semelhança são medidas de valor. Não importa o cargo, o sobrenome ou o palanque que ocupa, a grosseria não tem cor partidária, tem nome: desumanidade.
A discriminação é filha do preconceito e irmã da arrogância, e ele a exibiu sem máscara, diante de todos. O que separa as pessoas não é a quantidade de dedos nas mãos, mas a quantidade de bondade, de dignidade e de respeito no peito.
Quem zomba da condição alheia não engrandece nenhuma causa, apenas denuncia a própria pobreza de espírito e de caráter. O “nove dedos” não é o nome de quem foi alvo da zombaria, é o rótulo que a ignorância tenta colar em quem não merece.
Flávio esqueceu que todos temos marcas e histórias únicas, e que ninguém deve ser julgado pelo que a vida lhe deu ou tirou. A verdadeira força não está em rir do outro, mas em honrá-lo, e quem não compreende isso não merece representar ninguém.
Que a sociedade veja: a grosseria não é virtude, é vergonha.
Régis Oliveira - Jornalista, Administrador, Corretor e Assessor Parlamentar
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