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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

“Comunicação não é dom, é uma habilidade que pode ser desenvolvida”, afirma Tânia Rauber durante entrevista ao Conexão MT-251

A importância de saber se comunicar, os desafios enfrentados por profissionais no ambiente digital e os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho foram alguns dos assuntos abordados pela jornalista e especialista em oratória Tânia Rauber, durante entrevista ao podcast Conexão MT-251, realizado em Chapada dos Guimarães. Com uma trajetória construída no jornalismo e no empreendedorismo, ela destacou que a comunicação deixou de ser uma habilidade restrita a determinadas profissões e se tornou essencial para quem deseja conquistar espaço no mercado.
Natural de uma família paranaense, Tânia mudou-se ainda criança para Sinop, no norte de Mato Grosso, onde estudou, formou-se em jornalismo e iniciou sua carreira profissional. Posteriormente, mudou-se para Cuiabá, onde consolidou sua trajetória na comunicação. Durante a entrevista, ela ressaltou que a credibilidade profissional é construída ao longo do tempo.
“A autoridade, ela é construída e ela não vem do que nós falamos. Ela vem da percepção que as pessoas têm por meio dessa minha trajetória e caminhada. Então, ela é uma construção. Toda essa trajetória que a gente tem, que a gente traz, independente de qual segmento, qual área que você atua, a gente vai construindo a nossa autoridade. A percepção das pessoas sobre nós é que indica o nível dessa autoridade”, explicou.
Ao falar sobre sua transição do jornalismo para o empreendedorismo digital, Tânia revelou que, apesar da experiência diante das câmeras, também enfrentou dificuldades para divulgar o próprio trabalho.
“Eu sou jornalista de formação e, quando eu saí do jornalismo para empreender, vim para o digital, para dar cursos, treinamentos, não foi nada pensado, aconteceu. Eu cheguei no digital e não sabia fazer isso. E aí eu fui perceber que eu era jornalista, eu fazia TV, fazia tudo, mas eu não tinha uma oratória trabalhada para empreender, para me divulgar, para pegar um celular que hoje todos temos, um canal de divulgação na palma da mão, superacessível, e conseguir me divulgar”, relatou.
Segundo ela, foi a partir dessa experiência, há quase dez anos, que começou a estudar e desenvolver técnicas de oratória, conhecimento que hoje compartilha com outros profissionais.
Comunicação vai além de falar bem
Durante a conversa, Tânia explicou que uma comunicação assertiva não depende necessariamente de um discurso elaborado ou de uma maneira específica de falar, mas da capacidade de transmitir uma mensagem com clareza e intenção.
“Uma comunicação assertiva não é uma comunicação padrão em que é falar bonito, falar bem, falar acelerado ou falar mais lentamente, não é sobre isso. A comunicação assertiva é quando você traz intencionalidade na forma que você fala, se expressa, se porta, na maneira que você vai entregar sua mensagem para que o outro que está do outro lado consiga compreender e entender o que você quer, ou seja, a sua mensagem chegue lá”, afirmou.
A especialista também chamou a atenção para o medo da exposição, principalmente entre pessoas que desejam começar a produzir conteúdo nas redes sociais, mas acabam desistindo diante da possibilidade de receber críticas.
“O medo da possibilidade de receber uma crítica, um julgamento não positivo, trava muita gente. É muito comum e, talvez, o maior desafio das pessoas. Ah, eu não vou lá aparecer, não vou gravar um vídeo porque eu tenho medo do que vão falar. E se eu errar? E se eu não falar bem? Mas aí eu fico paralisada e travada por uma suposição, uma possibilidade”, observou.
Para superar essa barreira, Tânia recomenda que o profissional deixe de concentrar sua atenção na própria imagem e passe a valorizar aquilo que deseja transmitir.
“Quando eu tiro o foco da pessoa, então não é a Tânia, é o que a Tânia quer que chegue até a outra pessoa. A minha preocupação com a Tânia, se vão falar, vão olhar ou não, ela reduz. E o meu foco passa a ser na mensagem. Seja lá divulgar o seu negócio, seu produto, seu serviço, o que você quiser divulgar. Então, essa pressão diminui”, explicou.
Inteligência artificial e o futuro das profissões
Outro ponto de destaque da entrevista foi o avanço da inteligência artificial e seus possíveis impactos nas relações profissionais. Tânia reconheceu que a tecnologia oferece ferramentas importantes para empresas e empreendedores, mas defendeu que a conexão humana continua sendo fundamental.
“A IA vai fazer muita coisa, muita coisa. Agora, ela não vai substituir aquela conexão da gente, não vai. Eu posso usar uma IA para fazer um vídeo, para divulgar o produto? Tá, mas quando o cliente quiser falar com você, quando o cliente quiser comprar o seu produto, ou ele quiser uma aula com você, você vai ter que estar lá, você vai ter que comunicar”, destacou.
A jornalista também demonstrou preocupação com a velocidade das transformações tecnológicas e a necessidade de preparar os trabalhadores para novas exigências do mercado.
“O impacto é inevitável, algum impacto vai ter, profissões vão deixar de existir, já estão deixando. As pessoas vão ter que se reinventar, vão ter que surgir novos espaços, enfim, desenvolver novas habilidades. E aí, realmente, é o que a gente espera. Que o corporativo invista na preparação das pessoas, dos seus colaboradores, dos times. Que também haja políticas públicas que olhem para essa nova realidade e entendam essa nova sistemática do mercado”, pontuou.
Inclusão digital para o público 60+
Ao abordar a participação cada vez maior de pessoas acima dos 60 anos nas redes sociais, especialmente em Chapada dos Guimarães, Tânia destacou que a idade não deve ser vista como impedimento para aprender novas ferramentas.
Para ela, o caminho é identificar as dificuldades e buscar conhecimento de maneira gradual.
“Se a minha dificuldade é aprender como usar o aparelho, o celular, antes do Instagram, primeiro busque aprender, alguém que possa te auxiliar a aprender a mexer no celular. Ah, ok, já domino o celular, já sei o que eu preciso. Aí eu vou aprender como trabalhar com o Instagram. Então, buscar realmente aprender aquilo que eu preciso. E pra isso eu preciso ter clareza: o que eu preciso desenvolver? O que eu preciso aprender?”, orientou.
A comunicadora reforçou que acumular cursos e informações não significa necessariamente desenvolver habilidades, sendo fundamental colocar o aprendizado em prática.
Treinamento de oratória em Cuiabá
Durante a entrevista, Tânia também anunciou um treinamento presencial de oratória que será realizado no dia 21 de novembro, no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. A expectativa é reunir aproximadamente 100 participantes em um dia dedicado ao desenvolvimento da comunicação.
A programação será voltada a empreendedores, empresários, profissionais liberais e pessoas que desejam melhorar sua desenvoltura diante das câmeras, em apresentações e em situações profissionais.
“Nós vamos reunir em torno de 100 pessoas, no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá, no dia 21 de novembro, para trabalhar a oratória na prática. Então, uma experiência de técnicas de oratória para quem quer empreender, para quem quer iniciar no digital, para quem se sente travado na hora de ligar uma câmera, para quem se sente travado na hora de gravar um vídeo, de uma conversa, para quem já está no mercado e sente que ainda está falando, mas não está conseguindo ter uma comunicação assertiva”, explicou.
Segundo Tânia, o treinamento contará com exercícios práticos, incluindo apresentações no palco, utilização de microfone e gravação de vídeos.
“Eu quero levar as pessoas para o palco para experienciar isso, de estar na frente das outras pessoas, de pegar o microfone na mão, ligar uma câmera, sabe? Porque comunicação, como nós falamos, comunicação não é dom. É uma habilidade que pode ser desenvolvida. E como nós desenvolvemos isso? Aprendendo com uma orientação o que eu preciso e praticando”, ressaltou.
Ao encerrar sua participação no Conexão MT-251, Tânia reforçou o convite aos profissionais interessados em aprimorar a comunicação, destacando que investir nessa habilidade é também uma forma de se preparar para as mudanças do mercado de trabalho.
“Eu vou dedicar esse tempo para olhar, trabalhar, desenvolver a minha comunicação. Então, deixo o convite aqui para quem desejar estar conosco nesse dia”, concluiu.
Assessoria/Helena Werneck/Alô Chapada/Caminho Político
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