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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Presidente do Paraguai renuncia após escândalo por colapso de banco

Santiago Peña era alvo de processo de impeachment por crise após banco digital colapsar. Banco Central interveio no Ueno Bank depois de constatar que instituição não tinha fundos para honrar compromissos. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (04/11), em meio à movimentação no Congresso para removê-lo do cargo e protestos nas ruas em razão do escândalo no Ueno Bank, um dos maiores do país.
O colapso do banco digital, alvo de intervenção do Banco Central (BCP) dois dias antes, deflagrou uma crise financeira e política, congelando os depósitos de quase 3 milhões de clientes.
"Faço isso tendo em mente a estabilidade do nosso país, a paz social e a necessidade de preservar nossas instituições democráticas", afirmou Peña em uma mensagem em vídeo gravada e divulgada nesta quinta. "Quero pedir desculpas ao povo se em algum momento lhes falhei."
O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência em seu lugar.
Entenda a crise no Paraguai
Peña deixa o cargo em meio à pressão crescente da oposição e após a debandada, nesta quinta-feira, de aliados de seu próprio Partido Colorado, de orientação conservadora.
Parlamentares o acusaram de conflitos de interesse, uso indevido de fundos de pensão e acobertamentos institucionais relacionados ao colapso do Ueno.
A fintech criada em 2021 teve ascensão meteórica, passando a reunir 2,9 milhões de clientes — em um país de 6,5 milhões de habitantes — e administrando cerca de 850 milhões de dólares em recursos públicos.
O BCP interveio no Ueno após constatar que a instituição descumpriu os requisitos mínimos de solvência. Como consequência, milhões de clientes perderam acesso às suas contas, espalhando pânico entre a população e gerando correria aos bancos.
"Meu maior desejo é que a devolução desses recursos seja garantida, que o fundo de garantia de depósitos cumpra sua finalidade e que os recursos públicos, assim como os recursos que pertencem a todos os paraguaios, sejam protegidos", acrescentou Peña em seu pronunciamento.
Peña foi acionista do grupo que controlava o Ueno até março de 2025, e nomeou seu ex-presidente, Carlos Carvallo, para o BCP em 2023.
Carvallo acabou renunciando esta semana, e Peña promulgou uma lei que dá prazo de cinco dias úteis para restituir a maioria dos fundos dos clientes do Ueno, mas as medidas não foram suficientes para conter a crise.
Aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, Peña assumiu o mandato em agosto de 2023 e governaria por cinco anos, até 2028.
ra (Reuters, AFP)Caminho Político
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