Deputado Dr. João José

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sábado, 13 de junho de 2026

Copa do Mundo: por que o Marrocos não teme mais o Brasil

Após a campanha histórica de 2022, torcedores e analistas marroquinos avaliam o duelo contra a seleção brasileira com uma confiança inédita.
Em 1998, o Brasil enfrentou o Marrocos na primeira fase da Copa do Mundo, na França. Um sonoro 3x0 para o time sul-americano definiu o único confronto entre as seleções em mundiais até então, em uma época que a soberania da seleção que em 2002 se tornaria pentacampeã parecia indiscutível. Agora, os tempos são outros. Torcedores e analistas ouvidos pela DW não veem motivos para a seleção do Marrocos temer a brasileira — como o que ocorreu há quase 30 anos. Os times se enfrentam neste sábado (13/06) na primeira rodada da Copa de 2026, disputada nos EUA, México e Canadá.
"Ha um processo de equilíbrio de forças nos esportes. Claro que ainda há os francos favoritos e as zebras, mas, mesmo nesses casos, a gente vê cada vez menos placares extremamente elásticos. Há um achatamento na diferença técnica das seleções como um todo", afirma Vinicius Lordello, professor e profissional de gestão esportiva.
Em Marrakesh, confiança em alta
Esse maior equilíbrio de forças parece animar os torcedores, despertar uma fé maior naquilo que seria impensável anos atrás, ao menos.
Marrakesh é considerada a porta de entrada do mundo ocidental ao norte da África. Localizada no oeste do Marrocos, a "Cidade Vermelha", assim chamada devido à cor das suas muralhas, recebe milhares de turistas por ano, muitos em busca de uma autêntica experiência local.
Por ali, em suas estreitas vielas, é fácil perceber a confiança dos moradores no confronto contra o Brasil. Centenas de camisetas de Achraf Hakimi, jogador do Paris Saint Germain e capitão da seleção, aparecem penduradas entre os comércios milenares.
"Hakimi é o nosso herói e nos levará à vitória. Agora o Marrocos é quem bota medo em vocês", brinca o vendedor de sucos Alin Al, enquanto trabalha na praça Jamaa el-Fnac, em Marrakesh.
A confiança não surge do nada. O Marrocos foi a primeira seleção africana a chegar à semifinal de uma Copa, durante sua participação na última edição, em 2022, no Qatar.
Já em março de 2024, marcando a boa fase da seleção africana, os marroquinos levaram a melhor contra a seleção brasileira, vencendo um amistoso disputado no Marrocos, por 2x1.
"O Brasil não é mais o mesmo. Desta vez iremos vencer por 3x0 e iremos classificar em primeiro no grupo", diz, rindo, Mohssine Lataia, que produz bolsas de couro em um mercado local na cidade.
Tal confiança se calça nos dados. Além disso, se em 1998 o Brasil ocupava a primeira colocação do ranking da Fifa e o Marrocos sequer aparecia entre os dez, hoje os brasileiros ficam na sexta colocação, seguidos logo atrás pelos marroquinos em sétimo.
"Será certamente uma partida difícil. Estamos enfrentando uma nação acostumada a conquistar Copas do Mundo e considerada uma das maiores seleções da história do futebol. Mas, do nosso lado, o contexto mudou. Esta é a primeira vez em nossa história que Marrocos entra em um grande torneio internacional com o status de semifinalista da Copa do Mundo anterior e, em certa medida, como favorito em várias partidas", diz o jornalista e analista marroquino Omar Craibi.
Estratégia e investimentos contínuos
Esses bons resultados não foram construídos a esmo. O futebol marroquino passa por uma transformação, com gestão ativa no futebol.
"Se a gente for ver a média do futebol mundial, Marrocos foi uma das que mais trouxe evoluções técnicas em um trabalho de busca de talentos. Claramente é uma seleção que mais combinou evolução nesses últimos 30 anos", diz Vinicius Lordello.
Segundo Omar Craibi, houve um projeto de longo prazo impulsionado pelas mais altas autoridades do país, enquanto a Federação Real Marroquina de Futebol ficou responsável por implementar os principais pilares desse projeto. Ele cita a academia e o Complexo de Futebol Mohammed 6º como centros de formação de excelência inaugurados para transformar o Marrocos em potência até 2030.
"Hoje, Marrocos colhe os frutos de anos de trabalho estrutural, especialmente nas áreas de infraestrutura e formação de jovens atletas. O progresso das seleções de base marroquinas nos últimos anos não é coincidência; é o resultado de uma estratégia clara e de investimentos contínuos" afirma.
Além disso, há um contexto geopolítico: jogadores marroquinos nascidos no exterior, da chamada diáspora marroquina, que optaram por representar o país de origem de suas famílias.
"Seu talento e experiência internacional fortaleceram consideravelmente a seleção nacional", diz Craibi.
Brasil em baixa, mas ainda favorito
O tom de esperança marroquina contrasta com um Brasil em não tão boa fase assim.
A seleção pentacampeã teve três treinadores nos últimos anos e, agora, sob a batuta do italiano Carlo Ancelotti, só se classificou na quinta posição das eliminatórias sul-americanas.
Além disso, o time ainda foi desfalcado pela lesão de jogadores considerados importantes, como Éder Militão e Rodrygo, do Real Madrid, e Estevão, do inglês Chelsea.
Para Vinícius, essas lesões de jogadores que saíram muito cedo do Brasil expõem um descolamento entre o que a torcida espera e o que os jogadores podem entregar.
"O jogador brasileiro é cada vez mais preparado para ser um jogador da Europa, e não necessariamente desenvolver suas capacidades como jogador brasileiro, mas também de identidade em si", diz.
Mas, mesmo com a empolgação do povo marroquino e a lista de dificuldades brasileiras, o Brasil ainda é favorito para o confronto, pelo menos segundo a IA.
"Se a pergunta for quem entra como favorito, a resposta é Brasil, mas por uma margem bem menor do que em Copas anteriores. O consenso de casas de apostas, analistas e previsões para a estreia do Grupo C coloca o Brasil como favorito para vencer a partida, embora o Marrocos seja visto como um dos adversários mais difíceis que a Seleção poderia enfrentar na fase de grupos", informou o ChatGPT, quando consultado.
Assessoria/Vinicius Pereira em Marrakesh/Caminho Político
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