Imprensa da Alemanha destaca que seleção mostrou talento contra o Marrocos, mas também expôs fragilidades que estremecem, logo na largada, pretenso favoritismo ao título. A imprensa alemã não poupou críticas à estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, no empate em 1 a 1 com o Marrocos neste sábado. Publicações afirmaram neste domingo (14/06) que a equipe se apresentou em um "duelo intenso", exibiu "duas caras", jogando sem forma de campeão, com um desempenho que ficou muito aquém do brilho do passado de uma seleção pentacampeã. Para as publicações, o Brasil mostrou talento, mas também exibiu fragilidades que colocam em dúvida seu status de favorito logo na largada.
"Duas caras"
O site esportivo Kicker foi direto ao caracterizar o jogo como um "duelo intenso" e apontar que o Brasil demorou a entrar na partida. Segundo o veículo, a seleção não conseguiu controlar o jogo e precisou recorrer à qualidade individual de Vinícius Júnior para evitar um resultado pior.
Na avaliação do portal, o Brasil apresentou "duas caras": uma equipe apática e desorganizada no primeiro tempo e outra mais competitiva depois do empate, mas ainda sem domínio real do adversário.
Em busca do velho encanto
Já o renomado diário Süddeutsche Zeitung veículo destacou que o Brasil segue em busca do "antigo encanto" (ou seja, do futebol brilhante que consagrou a seleção historicamente) e indicou que o empate só foi possível graças a um momento de genialidade individual. Ao mesmo tempo, ressaltou que o Marrocos já se consolidou como adversário de alto nível, capaz de enfrentar as potências de igual para igual.
Edversários "exigiram tudo um do outro"
O site Tagesschau, da emissora pública ARD, uma das principais referências jornalísticas da Alemanha, destacou o caráter equilibrado do confronto, afirmando que Brasil e Marrocos "exigiram tudo um do outro".
A análise ressaltou a intensidade do duelo e o fato de que, embora o Brasil tenha melhorado ao longo do jogo, não conseguiu transformar esse crescimento em domínio claro. A leitura reforça a ideia de uma partida parelha, na qual a seleção teve dificuldades para impor seu ritmo diante de um adversário bem estruturado.
Lembranças do 7 a 1
A agência de notícias alemã SID, especializada em informações esportivas, classificou a estreia brasileira no Mundial como uma exibição de "pouco brilho" e destacou que, apesar de Vinícius Júnior ter evitado um "início desastroso", o empate gerou forte inquietação no Brasil, com direito a comparações com o traumático 7 a 1 de 2014.
Segundo o veículo, o desempenho brasileiro no primeiro tempo foi marcado por nervosismo, falta de ideias e baixa qualidade técnica. Esse cenário, na avaliação da agência, fez crescer a pressão sobre Carlo Ancelotti, embora o treinador tenha reagido com calma, afirmando que "uma Copa não se ganha no primeiro jogo" e garantindo que a equipe tende a evoluir.
A SID também enfatizou a dependência da seleção em relação a Vinícius Júnior, ao mesmo tempo em que apontou a ausência de Neymar como um fator que amplia as incertezas. O recado implícito é claro: o Brasil evitou a derrota, mas não convenceu.
Fora dos favoritos
A agência alemã DPA afirmou que os brasileiros não mostraram forma de favoritos – "mesmo que isso não se encaixe na autoimagem deles".
Para o veículo, o empate não chega a ser um desastre, mas funciona como um forte sinal de alerta e um freio nas expectativas em torno da equipe.
Segundo a DPA, a equipe brasileira, neste momento, não pode ser considerada entre as principais favoritas ao título, algo incomum para um país pentacampeão. O desempenho foi descrito como pesado e pouco criativo, especialmente no primeiro tempo, quando a equipe acumulou erros de passe e demonstrou falta de equilíbrio.
A agência também destacou que Vinícius Júnior foi o grande destaque – autor do gol de empate e melhor jogador da partida –, mas ressaltou que "precisa vir mais do resto do time". A avaliação reforça a ideia de que o Brasil depende excessivamente de sua principal estrela, algo visto como perigoso em um torneio longo.
Além disso, a DPA mencionou as críticas vindas do próprio Brasil e até provocações da imprensa argentina (citando a alfinetada do jornal portenho Página/12, alegando que o Brasil "esqueceu o samba no hotel"), reforçando que o empate não passou despercebido no cenário internacional.
md (DPA, SID, ots)Caminho Político
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