O ex-presidente da Argentina Alberto Fernández chamou o atual presidente do país, Javier Milei, de “energúmeno” em uma publicação nas redes sociais. A declaração ocorreu após a tentativa de Milei de visitar o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Em uma postagem na rede social X, Fernández respondeu às críticas que comparavam a tentativa de visita de Milei a Bolsonaro com sua ida a Curitiba, em 2018, para encontrar o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava preso na época.
Sobre a viagem
Segundo Fernández, as duas situações são diferentes. Enquanto ele afirmou ter visitado Lula para defender a liberdade de um “inocente”, o argentino disse que Milei foi ao Brasil para apoiar “um golpista preso”.
“Milei foi ao Brasil para gritar como um energúmeno, exigindo ver um golpista preso. Eu fui a Curitiba exigindo a liberdade de um inocente”, escreveu Fernández.
Além disso, o ex-presidente argentino afirmou que as declarações de Milei contra Lula e as instituições brasileiras prejudicam a relação entre os dois países. “Insultar o presidente de um país irmão e principal sócio comercial não tem perdão”, publicou.
A visita de Milei a Bolsonaro, contudo, não ocorreu. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, proibiu visitas de caráter político-eleitoral ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar.
A restrição foi determinada após Flávio Bolsonaro divulgar uma carta escrita pelo pai. De acordo com Moraes, a divulgação do documento violou as regras impostas durante a prisão domiciliar.
Visita de Milei gera tensão diplomática
A passagem de Javier Milei pelo Brasil no sábado (25) provocou uma crise diplomática entre os dois principais países da América do Sul.
Na ocasião, o presidente argentino participou da convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo. O evento oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Durante o discurso, Milei criticou o socialismo, defendeu a chamada “onda azul” na América Latina e atacou Alexandre de Moraes após ter a visita a Bolsonaro negada.
Além disso, o argentino associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma transformação política na região. Milei também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em resposta, o governo brasileiro chamou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas em Brasília. Ao mesmo tempo, o Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a insatisfação do governo e pedir explicações.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o episódio foi classificado como “sem precedentes” e “lamentável”. A pasta afirmou que não há registros recentes de um presidente estrangeiro fazer críticas ao chefe de Estado brasileiro, às instituições democráticas e ao Judiciário em território nacional.
Brasil mantém diálogo diplomático
Apesar da tensão, o governo brasileiro não adotou medidas diplomáticas mais duras, como a retirada da representação brasileira na Argentina.
Segundo o chanceler Mauro Vieira, as declarações de Milei foram “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”. Além disso, ele afirmou que a fala representou uma interferência em assuntos internos do Brasil.
Por fim, Vieira destacou que o governo pretende preservar os canais de diálogo com a Argentina. Dessa forma, Brasília busca esclarecimentos por meio das vias diplomáticas, sem interromper a comunicação entre os dois países.
Assessoria/Anna Muradi/ BPMoney/Caminho Político
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