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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

TEM ATÉ HISTÓRIA DE ET: LEI DA ALERJ PRESERVA LENDAS, FESTAS E SABERES POPULARES

Relembre a curiosa história que levou milhares de pessoas a Casimiro de Abreu à espera de extraterrestres e conheça a legislação estadual que protege a cultura popular.Lendas, festas, danças, músicas, brincadeiras, crenças e saberes transmitidos de geração em geração ajudam a contar a história de um povo. No Brasil, essa diversidade ganhou destaque neste mês de agosto, quando é celebrado o Dia do Folclore Brasileiro (22/08).
A data é uma oportunidade para valorizar as diferentes manifestações culturais que fazem parte da identidade do país, e o Estado do Rio de Janeiro também tem muito a contar.O folclore não se resume aos personagens conhecidos das histórias infantis, como o Saci-Pererê, a Cuca e o Boitatá. Ele também está presente nas tradições que surgem e permanecem nas comunidades, nos costumes, nas festas populares, nas formas de expressão e nas histórias que atravessam gerações.
O próprio termo “folclore” está relacionado ao saber e à cultura popular.No Rio de Janeiro, essa riqueza cultural também é reconhecida e protegida por lei. A Lei Estadual nº 6.459/2013, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), estabelece que fazem parte do patrimônio cultural imaterial fluminense as manifestações que expressam a identidade, a ação e a memória dos diferentes grupos que compõem a sociedade do Estado.
A legislação inclui entre essas manifestações as práticas e formas de ver e pensar o mundo, cerimônias, danças, músicas, lendas e contos, histórias, brincadeiras e modos de fazer, além de objetos e espaços a eles associados. São conhecimentos e expressões que, justamente por serem transmitidos entre gerações, ajudam a preservar a memória coletiva.É nesse universo que aparecem histórias que, à primeira vista, podem parecer improváveis. Algumas são antigas e atravessam séculos.
Outras são mais recentes e acabam incorporadas à memória de uma cidade. Um exemplo curioso aconteceu em Casimiro de Abreu, no interior do Estado.O dia em que Casimiro de Abreu esperou pelos extraterrestresEra 1980. A pequena Casimiro de Abreu tinha aproximadamente 22 mil habitantes quando uma história começou a atrair a atenção de pessoas de diversas partes do país: extraterrestres estariam prestes a visitar a cidade.Edílcio Barbosa, que se apresentava como porta-voz dos seres extraterrestres, anunciou que os visitantes desembarcariam no município e que quatro pessoas que teriam sido abduzidas seriam devolvidas.
A promessa era tão específica que havia até data marcada e planos para receber os supostos visitantes.Os extraterrestres, porém, nunca chegaram.A expectativa, por outro lado, levou uma multidão a Casimiro de Abreu. Segundo estimativa da Polícia Militar, mais de 30 mil pessoas foram à cidade para acompanhar o que seria a chegada dos jupiterianos, número superior à própria população do município naquele período.
A história ganhou proporções tão grandes que o episódio passou a ser lembrado como o “Woodstock Brasileiro”, em referência à quantidade de pessoas que se deslocaram até Casimiro de Abreu. Segundo relatos sobre o acontecimento, o prefeito da época, José Bicudo Jardim, também teria aproveitado a repercussão para divulgar a cidade.
O caso, que poderia ter sido apenas uma expectativa frustrada, acabou se transformando em uma história preservada na memória local e passou a integrar o conjunto de relatos relacionados à cultura popular fluminense.“O prefeito ia dar a chave da cidade para os representantes de Júpiter. Tinha alguém para recebê-los, tinha um cardápio com o que seria servido”, conta a museóloga Elizabeth Pougy, do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP).
Para ela, o episódio ajuda a mostrar que o folclore e as culturas populares não estão necessariamente distantes da realidade cotidiana. São manifestações que surgem a partir da maneira como as pessoas interpretam acontecimentos, constroem narrativas e compartilham conhecimentos.
“Lendas são histórias que vão se transformando e vão explicando esse mundo, com aqueles instrumentos, ferramentas, e conhecimentos que se tem”, explica Elizabeth.Museu do Folclore: tradição e preservaçãoO Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), atua na pesquisa, documentação, preservação e difusão das manifestações da cultura popular brasileira. Localizado no bairro do Catete, na Zona Sul do Rio, o centro abriga o Museu de Folclore Edison Carneiro e mantém um amplo acervo dedicado aos saberes e fazeres populares.
O jornalista Leonardo Silva, de 39 anos, visitou o museu e destacou a diversidade de manifestações culturais apresentadas no espaço. “O Museu do Folclore reúne diversas culturas populares, lendas, mitos e histórias contadas dentro de uma determinada comunidade. Essa diversidade de manifestações culturais me chamou muito a atenção”, contou.
Entre as exposições, uma chamou especialmente a atenção do jornalista: a que apresenta a história dos supostos extraterrestres que movimentaram Casimiro de Abreu, em 1980. Leonardo já conhecia o episódio, mas se surpreendeu ao encontrá-lo representado no museu.
“Eu já conhecia a história dos extraterrestres, mas fiquei surpreso em ver uma exposição própria desse evento que reuniu tantas pessoas no município. É algo que ficou marcado dentro do nosso universo de cultura popular, principalmente aqui no Estado do Rio de Janeiro”, destacou.Para Leonardo, o folclore também está presente em situações cotidianas, muitas vezes sem ser percebido. Histórias compartilhadas entre amigos, ditados populares e tradições transmitidas de geração em geração são alguns exemplos dessa presença.
“Está em pequenos detalhes que acabam passando despercebidos. Preservar nossa história e nossa tradição é preservar nosso passado. Quando preservamos, damos a oportunidade de futuras gerações conhecerem de onde viemos, de onde somos, as raízes da nossa terra”, finalizou.Uma cultura que continua sendo contadaA história dos extraterrestres de Casimiro de Abreu mostra, de uma maneira bem-humorada, como a cultura popular também é construída a partir das experiências de cada comunidade.
O disco voador pode não ter pousado. Os jupiterianos não apareceram. Mas a história permaneceu.E é justamente essa permanência que ajuda a explicar a importância de preservar o patrimônio cultural imaterial. Afinal, folclore também é memória: aquilo que as pessoas contam, transformam, repetem e passam adiante.
No Estado do Rio de Janeiro, proteger essas manifestações significa reconhecer que a cultura fluminense não está apenas nos grandes monumentos ou nos livros de história. Ela também está nas festas, nas músicas, nas danças, nas brincadeiras, nas crenças e nas histórias curiosas que fazem parte da memória de cada cidade.Celebrar o Folclore Brasileiro é, portanto, também olhar para essas histórias e reconhecer nelas uma parte da identidade do povo fluminense.
Com informações da Fundação Cultural de Casimiro de Abreu/Caminho Político
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