A CPI Mista que investiga as relações de Carlinhos Cachoeira com
agentes públicos e privados confirmou para amanhã o depoimento do
prefeito de Palmas, Raul Filho (PT). Ele aparece em vídeo de 2004,
divulgado recentemente, negociando com o contraventor recursos para
campanha eleitoral em troca de vantagens na administração municipal.
Das seis convocações aprovadas quinta-feira pela CPI, a do prefeito
de Palmas é a única já agendada pelo presidente da comissão, senador
Vital do Rêgo (PMDB-PB).
O colegiado vai ouvir também o ex-presidente da Delta Fernando
Cavendish; o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transporte (Dnit) Luiz Antônio Pagot; o empresário Adir Assad; a
ex-mulher de Cachoeira, Andréa Aprígio; e o engenheiro Paulo Vieira de
Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, sociedade de
economia mista responsável pela manutenção das estradas de São Paulo.
O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) requereu a convocação do
ex-presidente da Valec José Francisco das Neves, o Juquinha das Neves,
que foi preso quinta-feira na Operação Trem Pagador. Segundo a Polícia
Federal, Juquinha é suspeito de ter enriquecido ilicitamente durante sua
gestão à frente da companhia, de 2003 a 2011, e deve responder por
formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Empresa pública responsável por administrar e construir ferrovias, a
Valec, segundo Bueno, tem contrato de R$ 574 milhões com a Delta,
empreiteira acusada de integrar o esquema de Cachoeira. Juquinha foi
detido numa casa de luxo no mesmo condomínio onde Cachoeira foi preso.
Sexta-feira a Polícia Federal prendeu o ex-cunhado de Cachoeira,
Adriano Aprígio, suspeito de ameaçar por e-mail a procuradora Léa
Batista de Oliveira. Os policiais descobriram que três e-mails com
ameaças foram enviados da casa de Aprígio.
Em uma das mensagens, ele diz
que ela tinha “destruído a vida dele”.
A segurança de autoridades envolvidas nas operações Vegas e Monte
Carlo, que resultaram na prisão de Cachoeira, é motivo de preocupação de
integrantes da CPI. Pedro Taques (PDT-MT) já havia alertado para o
problema.
Trata-se de organização criminosa da qual fazem parte policiais
federais, policiais militares, policiais civis, parlamentares, quem sabe
governadores, grandes empresários, e nós temos dois servidores do
Estado ameaçados — disse.
Em 18 de junho, o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima comunicou
ter sofrido ameaças e pediu afastamento. Ele foi convidado para prestar
informações à CPI.
Jornal do Senado
Nenhum comentário:
Postar um comentário