Uma obstrução
da bancada do DEM derrubou, nesta terça-feira, a leitura do relatório
do senador Walter Pinheiro (PT-BA) sobre a Medida Provisória 599/12, que inicia a reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Depois de constatar a falta de quórum, o presidente da comissão mista
que analisa a MP, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), convocou nova
reunião para a próxima terça-feira (7).
Quando Pinheiro começou a falar sobre o desafio de compatibilizar a MP com o projeto de resolução do Senado (PRS 1/13)
que unifica gradualmente as alíquotas interestaduais do ICMS, a
deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) apresentou
requerimento para a retirada da matéria de pauta.
Mesmo diante das ponderações do presidente da comissão mista de que
se tratava apenas da leitura do relatório e que a votação se daria na
próxima semana, o DEM manteve o requerimento. Na votação nominal do pedido de retirada de pauta, verificou-se que o número de parlamentares era insuficiente para manter a reunião.
Pacto federativo
O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), afirmou que essa é "uma questão de vida ou morte para alguns estados", entre eles Goiás, e acusou o governo federal de fazer um pacto federativo às avessas, com a "distribuição da miséria".
O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), afirmou que essa é "uma questão de vida ou morte para alguns estados", entre eles Goiás, e acusou o governo federal de fazer um pacto federativo às avessas, com a "distribuição da miséria".
Segundo ele, o prejuízo dos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste
é maior do que a simples perda de arrecadação do ICMS. Em sua
avaliação, com a equalização das alíquotas interestaduais, estados como
Goiás perderão grandes investimentos em andamento, com empobrecimento
dos locais que hoje estão recebendo esses recursos.
Sem uma discussão sobre as alternativas de sobrevivência econômica
desses estados, de acordo com o deputado do DEM de Goiás, seu partido
vai manter a obstrução.
Presidente da comissão mista, Eduardo Cunha alertou para um "cenário de caos" se a unificação das alíquotas interestaduais for implantada sem a compensação prevista na MP 599/12.
Caiado respondeu que rejeitava a
ameaça e assegurou que, se isso acontecer, "este será o primeiro momento
em que os entes federados vão reagir no Brasil contra a União".
Sem ler seu relatório, Walter Pinheiro disse ser preciso ultrapassar a
"barreira da desconfiança" e compatibilizar a medida provisória com a
resolução. O relator advertiu haver o risco de não se ter um instrumento
para "abrigar a chegada da resolução", o que causaria grandes prejuízos
aos estados.
“Se tem um lugar onde a gente pode corrigir distorções, melhorar a
condição de cada estado para recepcionar a unificação de alíquotas, esse
lugar é num projeto de lei complementar ou na medida provisória, onde
se pode efetivamente escrever as condições da compensação e as condições
do desenvolvimento regional”, destacou.
Em entrevista após o encerramento da reunião, Pinheiro afirmou que o
projeto de conversão da MP, elaborado por ele, torna obrigatórias essas
transferências, o que imporia ao Executivo a necessidade de incluir na
proposta orçamentária de cada ano os valores referentes ao cálculo das
perdas dos estados. De acordo com o texto do governo, esse auxílio pode
chegar a R$ 8 bilhões por ano.
Harmonização
Tanto a MP 599/12 quanto o PRS 1/13 estabelecem a redução gradual da alíquota do ICMS nas operações interestaduais, até que sejam unificadas em 4%. Hoje, os estados do Sul e Sudeste têm alíquota interestadual de 7% e os demais, de 12%.
Segundo Pinheiro, os textos precisam ser harmonizados, uma vez que o
projeto de resolução do Senado condiciona a unificação gradual das
alíquotas à aprovação de duas leis complementares. Uma trataria da
própria compensação financeira aos estados (assunto da MP) e outra
viabilizaria a convalidação dos incentivos fiscais considerados
inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (PLP 238/13).
Da Redação/MR

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