Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Av. André Maggi nº 6, Centro Político Administrativo

Governo de Mato Grosso

sábado, 23 de abril de 2016

"ARTIGO : Profecia"

O Brasil vive um momento triste e angustiante. É o resultado de uma acumulação de equívocos quase inacreditáveis no tratamento da política e da economia. Eles acabaram se auto estimulando e produziram uma disfuncionalidade organizacional que precisa ser enfrentada com energia e urgência.O Poder Executivo perdeu a confiança de uma maioria significativa da sociedade e, com isso, o seu protagonismo e sua capacidade de coordenar o Poder Legislativo para aprovar as medidas corretas para enfrentar os graves problemas que temos pela frente. O exemplo mais claro disso é que nem sequer o razoável programa proposto pelo ministro Nelson Barbosa (aparentemente com o apoio da presidente) pode ser aprovado.

A objeção não veio da fraca “oposição”, mas do seu barulhento partido, o PT, que a rigor nunca teve qualquer proposta para construir uma sociedade civilizada em um regime de verdadeira liberdade individual.

Infelizmente, depois do sucesso da reeleição, a presidente manifestou uma arrogante alergia à negociação legítima com os outros partidos da sua base, que é quem sustenta o governo no precário presidencialismo de coalizão a que fomos empurrados por um sistema eleitoral que anda de costas para a realidade.

Não se sabe por inspiração de quem Dilma Rousseff meteu-se, imprudentemente, na disputa da presidência da Câmara dos Deputados contra o segundo maior partido de sua base. Perdeu! Viu extinguir-se, lentamente, a sua capacidade de impor sua agenda ao Legislativo.

No campo da economia, o desastre não foi menor. Depois de uma excelente administração em 2011, quando corrigiu alguns excessos do ex-presidente Lula, Dilma iniciou um insensato intervencionismo voluntarista com a destruição do setor elétrico, com a baixa dos juros reais sem os alicerces fiscais necessários, com a valorização do câmbio para combater a inflação e com o inacreditável prejuízo imposto à Petrobras e ao setor sucro-energético.
Assustou e destruiu a confiança do setor privado que, pragmaticamente, reduziu seus investimentos.

Esses fatos mostram como é inútil procurar efeitos externos (que existem) para explicar a tragédia em que estamos metidos.

Ela é filha legítima da falta de habilidade política e da desastrada política econômica do período entre 2012 e 2014, que em 2015 levou a uma queda do PIB per capita de 4,8%. Se nada for feito -e rapidamente – é bem provável que a profecia hoje corrente, de que no final de 2016 o nosso PIB per capita será igual ao de 2009, se realize.

Delfim Netto ex-ministro da Fazenda e escreve às quartas-feiras na Folha de S.Paulo – Opinião

Nenhum comentário:

Postar um comentário