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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

"Cemitérios guardam registros de transformações sociais e culturais"

Tradição católica desde o século V, o Dia de Finados, que é celebrado em 2 de novembro, sempre é marcado pelo sentimento de nostalgia. Familiares homenageiam seus entes queridos que já se foram, levando aos cemitérios flores, velas e fazendo orações. Diante deste momento de saudades, a beleza da cidade dos mortos fica sempre ofuscada. Mas ao contrário do que parece, o mistério e a incerteza da morte inspiram maravilhosas obras de artes. Com uma rica tradição arquitetônica e de paisagismo, os cemitérios são verdadeiros jardins pontuados por monumentos de diversos estilos artísticos. Guardam registros de transformações sociais e culturais e as honrarias prestadas aos mortos dão um testemunho precioso das mudanças de comportamento ao longo do tempo. Desde os epitáfios gravados nas ricas placas de mármores à irreverente intervenção de homenagens com objetos pessoais dos ali sepultados, dão ao lugar um requinte de verdadeiros museus a ‘céu aberto’. A chamada arte sepulcral associa transformações da moda e movimentos históricos da sociedade. Essas características já se perpetuam há vários séculos, onde reis e famílias mais ricas se apropriavam da arte, por meio de obras fixadas em túmulos e jazigos, para ostentar o que seus entes foram em vida e marcar a passagem dessas pessoas. No período medieval, mesmo que pouco, a arte já era utilizada para homenagear os mortos. Mas o movimento ganhou força a partir do período renascentista, em meados do século XVII. Em meio a isso, também há a influência do crescimento da burguesia, que começa a financiar essas obras como forma de ostentação. Mas a prática de colocar arte em lápides só passou a aparecer com mais força no século XX entre famílias católicas mais ricas, que tinham condições de financiar as encomendas. O primeiro a esculpir artes nesse segmento foi o artista alemão Fritz Alt. Ele trabalhou peças para os túmulos de figuras influentes, como as dos túmulos da família francesa Mayer, famosa por ter participado das invasões napoleônicas na Europa no século XVII. Atualmente, esse tipo de arte vem perdendo força e já é raro encontrar novas peças pelos cemitérios. O escultor Jonas Corrêa ainda esculpe algumas obras para lápides e capelas, mas conforme a demanda. “Às vezes, as pessoas me ligam e procuram para saber o que fazer, mas é esporádico”, diz. Jonas classifica essas obras tumulares como algo mais parecido com arte barroca, um pouco mais simples. “Geralmente, os pedidos são por anjos ou a Madona, que é o nome dado à representação da Virgem Maria. A arte tem que ser levada para todos os cantos, não só para museus e galerias.” O baixo interesse na arte tumular, para o artista, é reflexo da falta de interesse das pessoas em colocar algo mais elaborado no túmulo “Atualmente, os mortos não recebem mais homenagens tão pomposas. São lembrados em datas especificas, como Dia de Finados. Mas após isso, ficam esquecidos em suas moradas cada vez mais simplórias e verticais. Um ponto que pode explicar isso, é que hoje em dia as pessoas negam a morte e falar dela se tornou o grande tabu para alguns”, constata Jonas.
Cemitérios: arte e histórias imortais
Em Cuiabá, a população pode encontrar um pouco de sua história através de seus históricos Cemitérios. O mais famoso e antigo, o Cemitério da Piedade surgiu junto à cidade Bom Jesus de Cuiabá - antigo nome da capital mato-grossense. Com seus mais de três mil túmulos, o cemitério Nossa Senhora da Piedade foi fundado no século XIX, entre os anos de 1817 e 1819. Neste lugar de repouso eterno estão sepultados monarquistas, republicanos heróis, escravos, anônimos e imigrantes que, cada um a seu modo, contribuíram para construir a história da nossa Capital. Um dos mais famoso túmulo no cemitério da Piedade é o de Augusto Manuel Leverger, mais conhecido como Barão de Melgaço. Francês, o Barão chegou a Cuiabá navegando pelo rio Paraguai. Aqui casou-se com uma cuiabana e constitui raízes na terra calorosa. Além de militar, era engenheiro e foi de sua autoria o primeiro mapa de Mato Grosso. Também construiu a oficina de barcas e o arsenal da marinha, que hoje é a Praça Albuquerque - no local eram feitos grandes barcos de guerras. Leverger foi uma das figuras literárias mais influentes de sua época e foi nomeado cônsul-geral em 1839, com o objetivo de estabelecer boas relações com o Paraguai. Nasceu em 1802 e morreu em 1880. Em sua lápide está desenhada a carta geográfica do estado de Mato de Grosso. Um dos heróis da guerra do Paraguai, Antônio Peixoto de Azevedo, também se encontra sepultado no cemitério da Piedade. Em sua lápide feita também em mármore carrara, as inscrições “Ilustre cuiabano coronel Antônio Peixoto de Azevedo, faleceu em 11 de janeiro de 1867 em Coruzu, em batalha defendendo o império contra o governo do Paraguai”. Azevedo tinha 47 anos quando morreu. Nos corredores da Piedade repousa ainda, em um túmulo simples, o historiador Estevão de Mendonça. Estevão nasceu em 1869 e como dizem as inscrições de seu túmulo, “nasceu na madrugada de Natal”; faleceu em 1949, com 80 anos. Caminhando pelo Piedade, encontramos também a lápide do túmulo do coronel Rogaciano Monteiro de Lima, falecido em 1907. Com uma riqueza de detalhes, está esculpido na lápide uma lamparina em mármore carrara. E não poderíamos deixar de lembrar o precursor das “Diretas, Já”, o político Dante Martins de Oliveira, falecido em 2006. Em sua lápide encontra-se gravado a frase “Jamais seremos um povo livre enquanto tivermos um só brasileiro analfabeto, um único compatriota desempregado, uma única criança passando fome nas ruas ou favelas”. Outros personagens como Liu Arruda, família Müller estão sepultados no Cemitério da Piedade. Museu cuiabano a céu a aberto - Nascido de uma pequena chácara aos arredores da província cuiabana, o Cemitério da Piedade tem, ao longo dos anos, desempenhado papel que não se restringe somente ao sepultamento de corpos. Tem servido ainda, por sua importância histórica, cultural, de espaço para pesquisas de teses e aulas de história, de temas para livros. O lugar carrega traços de arquiteturas portuguesas, francesas e italianas, além, claro, do nosso Brasil. As obras registradas pelas estreitas alamedas da Piedade trazem características da tendência do ecletismo e historicismo que resgatam estilos históricos grego-romano, gótico, barroco e o romântico. Também estão presentes, em um entrecruzamento, as artes sacras das tendências retrospectivas e progressistas do século XIX. De extrema importância para entender a segmentação social da cidade no século XIX e inicio do século XX, Piedade abriga trabalhos em mármore carraras, trazidos por artistas italianos da província de Corumbá, de onde vinham também arquitetos, em sua maioria portugueses e franceses, para desenhar os traços ‘sepulcrianos’. O historiador Anibal Alencastro relata que a pedra considerada uma das pedras mais nobres para esculturas, chegavam ao Brasil pelo Porto de Santos em grandes blocos vindos da marinha de Carrara, no Nordeste da Itália. “As famílias abastadas da cidade escolhiam as preciosidades por catálogos europeus; as esculturas para a decoração de suas sepulturas”, destaca Anibal. Anibal também observa as escolas predominantes nas esculturas que ainda sobrevivem ao tempo. “Elas não seguem um único estilo. Podemos encontrar, mesmo que defasadas, as três fases que passou a arte tumular: a do mármore carrara, do granito e do bronze – latão”, explica o historiador, que completa seu posicionamento lembrando que a falta de conhecimento dificulta a disseminação desse tipo de turismo.
“Esse é um formato de turismo pouco explorado, existe uma quantidade imensa de obras de arte espalhadas por eles (cemitérios), mas que pouca gente conhece”, finaliza Anibal. Outro marco importante da Piedade foi o tombamento de sua fachada, se tornando patrimônio histórico estadual, em 1998.Além da Piedade, a Capital conta com mais dois cemitérios históricos: Porto e Coxipó. Atualmente, na Piedade são 12.800 sepultados e 4.900 jazigos, já no Porto são 4.000 sepultados e 2.200 jazigos e Coxipó 3.000 sepultados e 1.002 jazigos. Piedade e Porto não possuem mais espaços para novos sepultamentos. Estes são realizados somente se a família possuir sepulcro.
Curiosidades
Cemitério do Cai-Cai - Nas imediações da Rua São Sebastião entre a Avenida Dom Bosco e a Rua Thogo da Silva Pereira, onde atualmente localiza-se uma singela pracinha, existiu há muito anos, um cemitério, cuja história sinistra teve início no século XIX, logo após a Guerra do Paraguai. A cidade de Corumbá se encontrava tomada pelo Exército paraguaio. O presidente da província de Mato Grosso, o doutor José Vieira Couto Magalhães, preocupado com a situação, reuni-se com o Coronel Antônio Maria Coelho e juntos organizam uma invasão a cidade de Corumbá. Descendo os rios Cuiabá e Paraguai, surpreendem os seus inimigos. Com habilidade, o Coronel Antônio Maria consegue dominar o exército paraguaio. Então, em 13 de junho de 1867 retomam a cidade de Corumbá e decretam vitória sobre os paraguaios. Antônio Maria achou por melhor trazer os soldados paraguaios para Cuiabá; seguiram para província cuiabana. No decorrer da viagem, veio saber que os paraguaios estavam contaminados com uma doença contagiosa, uma Varíola, também conhecida como “bexiga preta”. Quando desembarcaram no Porto de Cuiabá, prisioneiros e soldados “cambaleavam”, alguns já agonizantes. A moléstia trazida pelos paraguaios contaminou a cidade e conforme Joaquim Ferreira Moutinho contou na “Notícia sobre a Província de Mato Grosso”, a cidade de Cuiabá, formada por mais de 12 mil habitantes à época, ficou com menos da metade, todos mortos pela Varíola. Era um “disparate” de corpos insepultos pelas ruas. Assim, determinou o governo a abertura de valas e a cremação dos cadáveres. O local escolhido, por se encontrar bem afastado da cidade, foi um terreno aos arredores de duas Ruas, hoje São Sebastião e Dom Bosco. Ali, posterior, recebeu o nome de Cai-Cai. A varíola era tão forte, que aqueles que levavam os defuntos para sepultar naquele local, já voltava infectado pela doença.
LUCIANA SOUZA
Divulgação

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